Churrasco de Galpão.

Origem do nome

“Palavra usada no português do Brasil e também no espanhol dos países platinos para designar um pedaço de carne assada nas brasas. O Dicionário da Academia Espanhola sugere – sem citar fontes, que seria um vocábulo de origem onomatopéica, presumivelmente do som que produz a gordura ao gotejar sobre a carne. Corominas, no entanto, afirma que churrasco originou-se em uma palavra muito antiga, anterior à presença dos romanos na Península Ibérica, que nos chegou vinda de ´sukarra’ (chamas de fogo, incêndio), formada por ´su´ (fogo) e ´karra´ (chama). Este vocábulo apareceu primeiramente em castelhano sob a forma ´socarrar´ e ao longo dos séculos derivaram-se diversas variantes dialetais na Espanha, das quais a que nos interessa é ´churrascar´, do andaluz e do leonês berceano, de onde provém a voz rioplatina e brasileira churrasco. O etimologista catalão cita também o chilenismo ´churrrasca´ (folha de massa frita).”

Fonte Wikipédia.

Só porque eu falei que ia fazer o churrasco…

Para falar a verdade, o churrasco ao meu ver, é uma grande desculpa, para um monte de gente se reunir num belo e azul dia de domingo(mazaahh , o mais clássico), para beber, fumar, e contar historias( bom, pelo menos é assim que acontece em minha casa).

Hoje é domingo, eu acordo com a noção de que hoje eu fui incumbido com a mais nobre e árdua tarefa de um gaúcho: Assar a carne. Nobre , porque não é todo mundo que recebe a honra de ser o assador da carne, preparador do fogo…etc. Árdua, pois você deve não só fazer todas essas coisas, mas também a deve fazer com maestria, pois não há nada pior para estragar uma churrascada, do que uma carne mal-salgada, ou muito “pesada”. Você tem em suas mãos o humor do domingo, pois se algo der errado com a carne, grande parte da alegria, assim como qualquer chance de você repetir o churrasco, vão escorrendo pelo ralo, gaudério.

Preparando a carne.

 

A carne previamente comprada no dia anterior havia sido cortada e temperada com algumas ervas. Também foram cortados alguns pedaços de mamão (sim a fruta), pois diz a lenda entre os churrasqueiros que a carne, por mais dura que seja se verga diante dos poderes do mamão…

Foi posta então a carne, em um pote, ou vasilha grande, e foram dispostos sobre ela, pedaços finos de mamão, que a acompanharam a geladeira durante a noite, sendo somente retirados logo antes de ser espetada.

A carne escolhida para o churrasco, não foi nem de longe uma carne nobre, mas com certeza já é notória devido ao comum uso, a Costela bovina.

A quantidade é escolhida com base na quantidade de pessoas que virá para o churrasco. Meio kg de carne para cada boca na mesa (tah, sempre tem um morto de fome que come que nem um cavalo, para este tipo de pessoa que existem aperitivos, tais como o pão de alho, e o infame salsichão).

Peguei então a carne, espetei-a no err… bem, espeto. Tomando todo cuidado para que a parte reta do espeto ficasse bem embaixo do osso da costela, evitando assim que ao virar a carne (para que ela não queime apenas de um lado), ela gire no espeto, enganando o vivente.

Após isso, me pus a salgar a carne. Peguei um saco de sal, abri-o com os dentes (tah, não foi bem assim, mas dessa forma fica mais dramático), peguei um grande punhado na mão, e comecei a descarregá-lo em cima da carne, por todos os lados, duas vezes. Depois de feito isso, bati a ponta do espeto na pia, para que o excesso de sal caísse.

Primeira parte finalizada com maestria…

Preparando a churrasqueira e o fogo.

 

Pois bem, eu todo pronto, me pus a fazer os preparativos para o que estava a vir. Escolhi um local no pátio, peguei alguns tijolos e pus próximo ao local escolhido, uma pequena pilha de tijolos, que vão servir como escora para os espetos.

Peguei um espeto, e medi a distancia que seria necessária para acomodá-lo perfeitamente em cima dos tijolos, sem ter o risco futuro de a carne cair na brasa. Medi a distância.

Em seguida, emparelhei os tijolos, de forma que ficasse parecendo um buraco ladeado de tijolos. Um quadrado sem parte superior, e no fundo apenas o chão.

Peguei alguns jornais, enrolei-os, de forma que ficasse parecendo um canudo, e fiz um nó em cada um. Os pus no fundo da churrasqueira. Peguei alguns gravetos finos, assim como palha que tinha espalhada pelo local, e assentei-os junto aos jornais.

Em seguida eu risquei o fósforo, e ateei fogo ao palheiro e aos jornais. De forma rápida o fogo se alastrou por toda a churrasqueira, por causa da palha.

Durante cerca de 30 minutos eu alimentei o fogo com mais palha, gravetos, e pedacinhos de madeira que pudessem pegar fogo facilmente. Tudo isso pára que no fundo da churrasqueira Criasse à famosa “Brasa”. O fundo vermelho e incandescente da churrasqueira emanava um vapor quente, muito quente… até agora tudo perfeito.

 

Segunda parte finaliza com primor.

Carvão na churrasqueira, carne no fogo…

 

Com a brasa dos gravetos e afins já bem feita, eu pus o último ingrediente antes da carne: o Carvão.

Espalhei o sobre a brasa quente, de forma que não a abafasse totalmente, e passei a abanar o conteúdo da churrasqueira, para que o carvão ficasse em brasa, e o fundo da churrasqueira ficasse parecendo o cenário feito para a Montanha Solitária (o Vulcão), no Senhor dos Anéis.

Feito isso, vem à parte mais importante e esperada: A carne sobre a brasa da churrasqueira.

Após colocar o nobre pedaço de carne sobre a brasa, devemos tratá-la como uma bela amante. Com muito carinho e cuidado, pois qualquer erro neste ponto é fatal. Nesta parte o que deve ser feito realmente, é apenas cuidar para que a carne seja virada a cada 3 ou 4 minutos, para que nem um dos lados fique mais queimado que o outro.

Outra dica é: Jamais, mas jamais ponha água em cima da brasa, se levantar fogo muito alto, pois toda a sujeira, o chamado (picumã), que está no carvão, vai para na carne.

Em média, para a carne estar pronta, eu conto, a partir do momento em que foi posta em cima da brasa, uma hora. Quase sempre, respeitando-se esse período, ela ficará ótima (bom pelo menos funciona pra mim né…)

Tomando todos esses cuidados, e tendo felling o bastante, é bem provável, que você tenha um churrasco de sucesso, e seja convidado mais vezes para exercer a nobre posição de Assador.

Felizmente para mim, o churrasco saiu muito bom, fora alguns incidentes envolvendo crianças que batiam acidentalmente nos espetos, e faziam com que alguns caíssem dentro do fogo. Mas se ninguém ver, não tem problema. Afinal, o que os olhos não vêem o coração, ou nesse caso a boca, não sentem…

Após um belo almoço, minha família, se pôs a exercitar mais um clássico costume gaúcho: Contar histórias embaraçosas sobre a nossa infância… mas isso já não te a ver com o post.

~ por Legião em Janeiro 20, 2008.

3 Respostas to “Churrasco de Galpão.”

  1. Cara, lembro do nosso churrasco de letrinhas. Álcool à vontade – tanto na brasa quanto na barriga – gente vomitando, gente pegando fogo, gente rastejando no vômito… A churrasqueira furando…

    “São buracos de ventilação, cara!”

    Foi legal!

    Temos que fazer mais dessas!

    =*

  2. Aliás, cara, quantas vezes por dia tu postas?

  3. Caro colega amo um bom churasco, tuas dicas sao muito legais e reais de maissss!rsrsr
    Mas parabens pela proposta!rsrsr

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