Banalidades

Na década de 1950, surgiu nos Estados Unidos o primeiro grande grupo de contra cultura: o Beat Generation (Geração Beat). Os Beatniks eram jovens intelectuais que contestavam o consumismo e o otimismo do pós-guerra americano, o anticomunismo generalizado e a falta de pensamento crítico.

Na década de 1960, o mundo conheceu o principal e mais influente movimento de contra cultura já existente, o movimento Hippie. Os hippies se opunham radicalmente aos valores culturais considerados importantes na sociedade: o trabalho, o patriotismo e nacionalismo, a ascensão social e até mesmo a “estética padrão”.

Isso foi à contra cultura.

Hoje em dia o que nós temos por aí, que seja de alguma forma influenciada por alguns destes movimentos que compunham a contra cultura?

Nada.

O que nós temos hoje em dia, não são movimentos, mas sim modismos. As atitudes que existem hoje em dia partem, sim, de uma grande massa de jovens com cabelos penteados para o lado, atos duvidosos e sentimentos escusos. Ninguém mais age por originalidade.

Nós temos toda uma geração que acha muito bonito tomar um porre, que acha muito bonito falar contra o sistema, dizer que tudo é uma porcaria. Xingar meio mundo, agir descontroladamente, parecendo anti-heróis ou heróis trágicos.

Mas por qual motivo se não ficar “se aparecendo” para o resto do grupinho?

Parece que nenhum destes sentimentos ou ações são verdadeiras, apenas um reflexo pálido em um vidro quebrado do que foi algum movimento revolucionário do passado.

Podem me dizer que as coisas mudam que tudo evolui, ou se copia. Mas eu sei que, quando eu copio algo, ele fica muito parecido, não uma distorção ultrajante do que foi no passado.

Eu não sou velho, longe disso, mas mesmo assim não entendo a geração que se forma. Que futuro é esse nas mãos de garotinhos de franja, que não pensam nos motivos, mas simplesmente o fazem. Esse tipo de atitude não é de um grupo revolucionário, mas sim de operários e trabalhadores de séculos passados, que serviam para nada mais do que obedecer.

Estamos mesmo no milênio das massas e do banal.

~ por Legião em Fevereiro 6, 2008.

4 Respostas to “Banalidades”

  1. Baita texto!

    O melhor que li ate agora aqui no Liberdade Criativa!

    Meu guri, os tempos mudaram e hoje tudo que parece é que a juventude não tem que se opor a nada a não ser a eles mesmos. Não existem novos bons inimigos a serem combatidos, os que tem são apenas uma moda diferente.

    Temos tuda a liberdade do mundo e honestamente, mais liberdade que isso já vira exculambação.

    Quem sabe uma contra cultura se forma na proxima decada querendo bons costumes de volta? Afinal de contas, tudo nessa vida é igual a um Iô-iô.

  2. não te esquece que os beats foram um grupo que cabia numa sala, caro legião. o resto foi um grande modismo…vide a irmã do doug, a judy.
    mais modismo que os hippies é difícil hehe.
    não acredito que a situação esteja assim, em todas as épocas (e não só na juventude, óbvio) existe o “povão”. o povão vai ser sempre alienado e vai sempre acabar matando e distorcendo as idéias do pequeno grupo. acredito que existem pessoas com “algo a mais”. não sei se elas anseiam por uma revolução. e só o futuro vai dizer o “título” que elas receberam.

  3. Caralho! Esse foi o melhor post até agora.

    Mas eu acrescentaria os Punks na listas das verdadeiras contra-culturas. Eles eram os filhos dos Hippies que, após perceber o quanto o pacifismo (no sentido real da palavra: pregar a paz entre os povos) da geração anterior havia sido ineficaz, decidiram fazer o oposto. Iniciaram uma crítica agressiva, chocante (e muitas vezes violenta) da sociedade e do “sistema”.

    Como sempre, a idéia original foi distorcida. Hoje os “punks” acham que usar roupas bizarras, encher a cara, não tomar banho e mandar a própria mãe tomar no cu, são grandes formas de contestação ideológica.

    Francamente, eu não acho que a Humanidade tenha solução. Não importa o quanto alguém se esforce para mudar qualquer coisa, sempre haverá outro alguém para distorcer os seus ideais.

  4. fuck the idealism.

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