Março 2008



Eu lembro de ter acordado no meio da noite, com o som dos latidos do meu cão. Resolvi me levantar para ver o que estava acontecendo, e para dar um fim na barulheira. Pus meu roupão e sai para o quintal, e enquanto eu o atravessava, eu vi os primeiros clarões no céu. Como nos filmes de guerra. Grandes clarões que irrompiam por toda a cidade a norte de minha fazenda. O barulho era estarrecedor, e as ondas de choque atingiam meus pés e faziam a terra tremer.

Hal Scott Jordam

Sobrevivente do primeiro incidente.

Houve uma tragédia de grandes proporções. No centro de nossa cidade houveram diversas explosões. Logo seguidas de uma fumaça branca não identificada ainda. O serviço de controle de doenças isolou a área, e mantém todos os que foram expostos pela fumaça em uma tenda improvisada no meio do Square Gardem.

Como noticiado pela Cnn por Ann Lee Rice

Momentos após o incidente Nova York.

 

Eu me lembro claramente de como tudo era antes. De como as cidades eram cheias de vida, cheias de carros. O movimento era constante, o ruído da cidade não parava nunca.

Durante o primeiro incidente, eu estava dentro de um ônibus, voltando de uma aula. Foi então que ouvimos um ruído ensurdecedor, e as janelas do ônibus se fizeram em pedaços. Em seguida as luzes de toda a cidade se apagaram. E não voltaram mais.

Eu voltei para casa andando. Uma longa caminhada de 45 minutos em meio ao mais completo breu. Esperei que a luz voltasse para que pudesse continuar com meus afazeres, mas ela não voltou naquela noite. E nem naquela semana.

Durante o primeiro dia, as rádios noticiavam que ainda não haviam sido identificados os motivos daquele incidente, e nem quanto tempo demoraria para ser corrigida a situação.

Mas então começaram a pipocar boatos de que outras cidades haviam sofrido de acontecimentos parecidos, e cada vez mais o terror aumentava entre as pessoas.

Depois pessoas começaram a morrer aos baldes, sendo identificadas como vítimas de envenenamento. Então o abastecimento da água foi cortado.

O caos se instalou por entre os diversos habitantes da cidade. Lojas era saqueadas, mercados arrombados, pessoas eram espancadas.

Eu permaneci em casa, ouvindo o rádio e prestando atenção nos acontecimentos que agora haviam se tornado globais. Então o rádio também parou de funcionar, e a única coisa que podia se ouvir era o som do chiado que saía pelos alto falantes.

Uma semana depois do primeiro acontecimento, eu lembro de acordar no meio da noite. Nosso gerador finalmente havia se entregado e o ar-condicionado havia parado. Eu notei então uma leve neblina cobrindo a cidade. Espessa e branca. Como ocorre nos dias de inverno que vão ser muito gelados.

Mas estávamos no meio do verão, e fazia 30º graus.

Na manhã seguinte, o silencio havia tomado conta da cidade.


Hoje ainda não se tem certeza do que causou os incidentes que ocorreram em escala global. Acredita-se que tudo tenha sido obra da assim chamada Iniciativa Mágica. Mas os motivos e objetivos finais dessa iniciativa ainda permanecem obscuros, visto que se tem pouca informação disponível sobre a mesma em qualquer lugar. De fato a única pista que liga os incidentes a tal iniciativa são as diversas pichações e cartazes encontradas pelas cidades que passei, e que só se fizeram notar dias depois.

Creio eu que tenham também sucumbido com a infecção que despejaram no ar das cidades durante aquela noite.

De alguns bilhões, fomos reduzidos a alguns milhares espalhados por aí.

Nada é como era antes. Grande parte da tecnologia e desenvlviento que havíamos acumulado com o passar dos anos foi a baixo em menos de duas semanas.

As cidades jazem em ruínas. Cobertas por espessas camadas de cinzas e ervas daninhas. Os arranha-céus, que antes abrigavam grandes corporações, hoje são somente espinhos negros e semi-mortos, habitados apenas por animais selvagens e fugitivos.

Não existem mais grandes governos, apenas pequenas vilas espalhadas pelos cantos inóspitos e longe da radiação e do vírus. Onde a lei é imposta com força, e onde pessoas como eu são contratadas para caçar os fugitivos.

Somos mais uma vez nossos piores inimigos.

John Smith

Sobrevivente do Ground Zero.

 

“O refúgio que você construiu para evitar
os lugares que você mais tem que temer
é o lugar que você mais tem que temer.”

 


Bebeto Alves

Nas pegadas das minhas botas

Trago as ruas de Porto Alegre

E na cidade de meus versos

O sonho dos meus amigos

Caminhando pelas ruas de

uma cidade americana

Eu percebo que não quero migalhas

Nem tampouco medalhas

Isso tudo é ilusão

Vendo as mesmas mentiras

num país desenvolvido

Armado até os dentes para a guerra

Me dói o coração

Perceber a situação que estamos

envolvidos sem perspectivas

De qualquer solução

Nas pegadas…

É quando penso na razão que nos leva a acreditar

Que estamos mudando um país

Uma voz vem lá de dentro que me diz

Que o sistema no fundo é o mesmo

e em nós se perpetua

E não cabe mais aqui e agora

essa máquina que nos fez aprendiz

De um poder vagabundo

Nas pegadas das…

E não podemos mais

desperdiçar energia

Com uma vazia retórica estética

amordaçando o grito de um coração

Que luta contra toda falta de perspectiva

e informação do pensamento

Abatado pelos mísseis imperialistas

dentro de sua próprio nação

com toda falta de cultura, sensibilidade,

amor, respeito e educação

Nas pegadas…

E fico puto ao constatar que

desperdiçamos tempo parados em segredo

Bebendo num bar que nos feriu

a memória e nos tirou a força humana

O único sentido de revolução de um ser

O objetivo intrínseco de um homem

novo de qualquer geração

Para toda e qualquer falta de possibilidade

Tem que haver reação

Nas pegadas…

E agora eu sei que o que nos ensinou a esperar inutilmente

Foi a burocracia, o misticismo e a religião

Esperar por Deus, por alimento, pão

Esperar que as coisas mudem num próximo momento

E eu atento contra a culpa e o sofrimento

judaico-cristão

Contra toda dúvida e medo

Com muita insatisfação

Nas pegadas…

Caminhando pelas ruas de uma cidade americana

Eu lembro o poeta Duclós que disse-me estar a salvo -

não é se salvar

E eu complementaria, hoje em dia

se sentir salvo é esperar pela salvação

E nada nos salvará

Um dia, ainda, nos aniquilarão

Parodiando Russians do Tting

eu também diria

Então espero que os brasileiros amem seus filhos,

de coração

Nas pegadas…

“One must still have chaos in oneself to

Be able to give birth to a dancing star.”

Friedrich Nietzsche, Thus Spoke Zarathustra:

A Book fir All and None

I.

A menor distância entre dois pontos em qualquer cidade sempre foi uma linha reta.

Olhando para a rua do lado na noite serena, há um ponto em seu fim para o qual convergem todos os pontos.

Nós olhávamos para cima e víamos as estrelas, elas nos guiavam e iluminavam, agitavam nossa mente, nossos desejos, nossos sonhos.

Nós aprendemos com elas, e aos poucos fomos nos elevando, nos aproximando cada vez mais do firmamento.

Até o ponto em que ficamos cegos com nosso próprio conhecimento, nos agarramos a uma verdade e a tornamos absoluta. E nós caímos.

Dominamos o cérebro, nos esquecemos da mente.

Dominamos o mundo.

E nos esquecemos das estrelas.

Nos esquecemos do caos.

II.

Agora nós olhamos para cima e vemos novamente as estrelas e elas miram o organismo de concreto e aço, e a lua reflete todas as suas luzes multicoloridas. Os deuses da cidade despertam, e eles evadem a cabeça e tecem teias, tecem o tempo.

Nós olhamos para frente e vemos as estrelas de néon, e entramos em êxtase quando a cidade geme o primeiro som, e todos acordam para aplaudir a noite.

Agora na metrópole, o melhor caminho já não é a linha reta. Ruas se curvam e distorcem em um imenso redemoinho, estrelas também convergem para um único ponto, o som e a fúria dilaceram a mente, sugada pelo vórtice.

O vórtice é a magia, e meus caros. É o caos.

III.

Eles disseram que as cidades estavam mortas, mas o organismo agora pulsa como nunca.

O caos invade as ruas, as praças e os prédios.

A cidade quer nos revelar algo novo. Os deuses transmitem as informações por dentre as luzes fumegantes, pelos signos de concreto, pelo cheiro do combustível, pelo som ensurdecedor.

A cidade grita.

Vamos ouvi-la.

Post por Tehuti

Jut for one Day

I wish you could be somebody else

And we could be somewhere else

Just to be

 

 

I wish you could leave all behind

And be just who you are

 

 

Anywhere we will meet

Just for once

And never more.

 

O homem entrou no café as pressas. Queria se proteger da forte chuva que caía do lado de fora da cidade. Olhou em volta em busca de algum lugar onde pudesse se sentar e descansar do caos que o outono havia criado na cidade.

Véspera do dia das mães, e parece que todo mundo havia se esquecido de comprar algum presente. Todos haviam saído às ruas para procurar por qualquer bugiganga que pudessem pagar. As ruas estavam lotadas de pedestres e carros. E a chuva só piorava a situação.

Havia entrado ali pelo abrigo e também por ser um local aconchegante. Uma velha livraria, conhecida por poucos, mas que agora havia agregado também às suas funções um café. O local estava lotado como o resto da cidade, mas o clima era muito mais intimista e convidativo que o exterior. O cheiro do café, o charme dos livros.

Olhou ao redor em busca de um lugar para sentar, e não localizou nenhuma mesa vazia. Começou então a andar entre as prateleiras de livros em busca de alguma coisa que valesse a atenção e o distraísse por alguns momentos. Começou a ir cada vez mais para os fundos da loja, para onde tinha menos pessoas e menos barulho. Até não sobrar mais nenhuma pessoa.

Seção de ficção.

Largou a pesada mochila no chão e tirou o casaco molhado pela chuva. Deixou os dois ali, descansando enquanto dedilhava as capas dos livros em busca de algum tesouro escondido. Não encontrou muitos que lhe chamaram a atenção. Pegou-o e se sentou em um canto, onde ninguém poderia vê-lo.

Quando começou por fim a ler, ouviu uma melodia baixa. Alguém cantando algo. Arrastou-se um pouco para a esquerda, para passar pela prateleira que obstruía sua visão, e notou uma garota também sentada a alguns metros de distância. Lia um livro também.

Ele o olhou, como que se estivesse surpresa por alguém estar por ali. Não havia se dado conta de sua presença. Estava tão absorta em sua leitura que a loja poderia ter fechado e, ainda assim, ela continuaria ali.

- Acho que não somos as pessoas mais populares desse lugar- disse ele.

- Se fossemos, com certeza estaríamos sentados em uma mesa próxima a lareira – Disse ela com um sorriso.

- Sabe garota, esse livro que você está lendo, eu ouvi falar que o Charles Manson o leu também, logo antes de incitar todos aqueles assassinatos nos EUA…

Ela sorria ainda, mas agora tinha mudado sua expressão para dar uma espécie de olhar assustador ao homem.

- Então toma cuidado. Eu já tô quase no fim, e não tem ninguém a algumas prateleiras de distancia para te socorrer.

- Eu já terminei de ler o livro, guria…

- Você não atacaria uma garota indefesa…

- Foi isso que a última disse.

Ele começou então a se arrastar para o seu lado enquanto ela continuava a rir, e por fim se sentou ao seu lado.

- Sabe, na Roma antiga, os homens sempre traziam algum tipo de oferenda às donzelas antes de se apresentarem…

Ele procurou pelos bolsos em busca de qualquer coisa que pudesse oferecer a ela, mas não encontrou nada que valesse a pena ser mostrado.

- Não te preocupa. Em honra da minha família, eu vou caçar o nosso lanche.

Ele então se levantou e foi em direção à frente da livraria, para voltar minutos depois, com dois copos de café e um saco de salgadinhos dos mais vagabundos que tinham no lugar. Ela olhou para ele rindo e disse em tom sarcástico:

– Mas aonde você aprendeu a caçar, hein?

- Hum, você não viu tudo ainda. Eu disse para a moça do caixa que tinha uma garota morta de fome aqui nos fundos, mas que ela era totalmente quebrada de dinheiro. Então ela me deu isso. – E tirou do bolso da camisa um chocolate que parecia daqueles que ficam na vitrine durante três meses, dado o estado e o formato da coisa. Ele se sentou a seu lado.

Os dois conversaram durante algumas horas, passando pelos mais variados assuntos. Desde ficção científica, passando por esoterismo, mitologia, e chegando a música e programas de TV. Sendo interrompidos ocasionalmente por um ou outro visitante mais afoito da livraria que buscava saber o que havia naquela ala, mas sendo quase que convencido a voltar pelo caminho que viera, dado os olhares malignos que os dois davam em sua direção, voltando imediatamente a uma animada conversa tão logo o sujeito abandonava o local.

Foram interrompidos finalmente quando o telefone da garota tocou. Uma dessas melodias em MP3 bem batidas, tirada de alguma novela ou programa de televisão. Ela se levantou e começou a falar com alguém. Olhou para o relógio e pareceu se assustar com a hora que havia avançado muitos ponteiros desde que havia conhecido o homem. Ele foi até a mochila e pegou algumas notas em dinheiro para ir buscar mais um café, mas ela disse que já tinha que ir. Seu namorado a estava esperando, e não estava nada feliz por seu atraso.

Ele a acompanhou até a saída do prédio, para terminar a conversa e para dar uma última olhada no belo exemplar que havia sido estudado nas ultimas horas. Os dois se despediram e ele voltou para os fundos da loja, com uma nova xícara de café na mão, pensando que garota assim não se encontra todos os dias.

Olhou então para o chão, e notou o livro que ela estava lendo, caído no chão próximo a sua mochila. Notou o bilhete enrolado dentro da contracapa. Olhou o número de telefone e e-mail da garota.

Dia de sorte.

Começou a sorrir.

 


 


 

 

 

Chove na tarde fria de Porto Alegre

 

Trago sozinho o verde do chimarrão

 

Olho o cotidiano, sei que vou embora

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

Chega em ondas a música da cidade

 

Também eu me transformo numa canção

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

Sobrevôo os telhados da Bela Vista (1'19" - 156 KB)

 

Na Chácara das Pedras vou me perder

 

Noites no Rio Branco, tardes no Bom Fim

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

O trânsito em transe intenso antecipa a noite

 

Riscando estrelas no bronze do temporal

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

O tango dos guarda-chuvas na Praça XV

 

Confere elegância ao passo da multidão

 

Triste lambe-lambe, aquém e além do tempo

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

Do alto da torre a água do rio é limpa

 

Guaíba deserto, barcos que não estão

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

Ruas molhadas, ruas da flor lilás

 

Ruas de um anarquista noturno

 

Ruas do Armando, Ruas do Quintana

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

 

 

Do alto da bronze eu vou pra cidade baixa

 

Depois as estradas, praias e morros

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

Vaga visão, viajo e antevejo a inveja

 

De quem descobrir a forma com que me fui

 

Ares de milonga sobre Porto Alegre

 

Nada mais, nada mais.

Sua cabeça doía, os olhos ardiam. Não sabia onde estava, nunca estivera ali antes. Uma espécie de construção, velha e acabada. Um apartamento quase completamente demolido. A sujeira se acumulava em um canto da sala. Por todas as paredes havia pichações. O assoalho estava em frangalhos, como um velho esqueleto que deixa ver o que há por trás. Assim ele via o andar de baixo. E alguém lá observando-o.

Tentou se levantar. Não conseguiu. Sentiu o peso de uma corrente prendendo seu pé a um antigo aquecedor de ar.

- Ei, você aí. Me dá uma forcinha aqui, amigo? Eu não sei o que tá acontecendo.

Nenhuma resposta. Notou apenas o som de um isqueiro ao acender um cigarro, e a subseqüente fumaça que saía da boca do homem no andar de baixo.

- Ei, espertão, você é surdo ou o que? Me dá uma força, porra!!

Tentou puxar a perna com força, e sentiu uma dor terrível. Junto à corrente, também havia uma espécie de coroa de espinhos, e se ele puxasse, ela iria cravar as garras de metal em sua perna.

Vasculhou os bolsos em busca do celular. Nada. Seu canivete. Também não.

- Como você se sente, David? – Perguntou o homem em meio à escuridão – Sente-se confortável ou esse tipo de ambiente não é o seu habitat natural?

- Como é? Seu monte de merda, o que você quer de mim, han? Dinheiro, é? Pois eu te digo, eu não vou te dar nada. Você que se dane.

- Se eu quisesse dinheiro, eu já o teria nesse momento. Mas me diga, você tem ido a muitos funerais nos últimos dias? Talvez alguns dos seus amiguinhos tenham morrido em acidentes. Talvez carros que ficaram sem freio, bocas de fogão que ficaram abertas?

Ele não tinha palavras. O que era tudo aquilo? Com aquele homem poderia saber dessas coisas?

- O quê…?

- Ora, vamos. Não cagueje. Você não faz isso quando esta falando com garotinhas de quinze anos, não é?

Notou que o homem agora deveria estar subindo as escadas e se dirigindo ao aposento. Ouvia o som de suas botas nos degraus, cada vez mais perto. Ouviu o ranger da porta ao se abrir, e a silhueta enorme do homem ao assomar-se pela sala. Ele trazia agora uma lamparina, que colocou no chão. E ele viu então, a seus pés uma serra de metal. Frágil, mas próxima. E a mais alguns passos, um telefone celular jogado no chão.

O homem se agachou a sua frente e ficou encarando-o durante alguns segundos, para depois apagar o cigarro no assoalho.

Instintivamente, David assumira uma posição quase que fetal no canto da sala. Não sabia o que falar.

- Sem palavras? Mas você é um homem tão articulado, ou será que não? Você me parecia tão versátil ao me mandar aqueles e-mails sedutores han? Entretanto, eu acho que não posso culpar você e sua geração, não é? Vocês todos são assim. Pessoas de teoria. Pensamentos e não ações.

- Mas, me diga. Porque você não fez nada para impedir que eu matasse todos os seus amigos? Será que as pistas que eu te dei não foram suficientes? Nem a polícia você avisou. Por quê? Diga-me, vamos, eu quero saber.

- Ah claro, porque a morte deles lhe servia, afinal, se eles morressem quem ficaria com suas partes da empresa seria você e não os familiares, não é? Mas isso não é um tanto cruel, han? Deixá-los serem mortos feito cães quando você poderia ter feito alguma coisa? Você não passa de um animal. Um monstro.

- Foi por isso que você deixou sua irmã morrer também? Ou foi porque era muito difícil tentar salva-la? Você sabe muito bem que não foi a bebida que te fez ficar parado. Você poderia muito bem ter nadado para ajudá-la, salvá-la. Mas, mais uma vez você preferiu ficar parado e não fazer nada. O medo lhe paralisou dessa vez, foi isso?

- E quanto ao livro que você estava escrevendo? Sabe, eu li um pouco e achei muito bom. Você teria futuro nisso. Mas, porque você não continuou, porque você recusou a ajuda para a publicação? Mais uma oportunidade perdida? Essa a sua resposta?

- Para cada uma das minhas perguntas, para cada um dos seus erros, você sempre vai ter uma desculpa parecida, não é? Sempre uma bengala.

Ele olhava atônito para o homem a sua frente. Sua boca estava seca e suas mãos tremiam. Em sua perna, os cravos começavam a apertar. Sentiu uma pequena tontura acometê-lo e logo sentia subir por sua garganta um jorro de vômito, que sujou todo o chão a sua frente. Começou a chorar.

- Por favor, não me mate, cara. Por favor. Eu tenho mulher e filhos. Não faz isso. Eu juro que vai ser diferente… eu… – o homem a sua frente o olhava com atenção e paciência. Sentou-se no chão, como um velho amigo.

- Ah, Linda. É o nome de sua esposa, não é? E seu filho também é um belo garoto. Ela está numa festa agora, não é? Para o lançamento de algum produto. Festa na qual você também deveria estar. Nós vamos fazer o seguinte. Hoje, eu vou te dar mais uma chance. Uma chance de mudar. Você já viu Mad Max?

- O que? Seu lunático, o que isso tem a ver?

- Hum, parece que não, afinal. Um bom filme. Você está vendo essa serra a sua frente. Pois bem. Você tem vinte minutos para aprender a usá-la. E é bom que aprenda, pois ao término desse tempo esse prédio será implodido. Está vendo?

Olhou então a sua volta, para onde apontava agora a luz da lamparina. Viu algumas bananas de dinamite empilhadas em um canto e um fio que levava para o andar de baixo, onde devia haver mais.

- E quanto ao telefone, bem. É para você ligar para a sua garota, avisar a ela que um louco psicopata está indo atrás dela para matá-la e que ela deve correr o mais rápido possível para casa para pegar o seu filho e fugir da cidade, caso contrario, este mesmo louco vai fazer uma pequena chacina com os dois.

- Seu monte de merda, que você acha que é para fazer esse tipo de coisa? Seu doente lunático. A mamãe não te deu o peito pra você mamar, foi isso? Ou seu pai te molestava, cara? É por isso que você faz isso com pessoas de bem?

Ele notou um sorriso nos lábio do homem, que sacou uma arma. Uma Mauser 9 mm. E deu dois tiros em sua mão direita. Seus olhos reviraram e ele sentiu que iria desmaiar, mas não conseguiu. Em seguida sentiu um chute em seu rosto. O homem o segurava pelos cabelos. E falava perto de seu rosto.

- Má escolha de palavras, garotão. Agora, a dificuldade acaba de aumentar.

Observou o homem rapidamente sair pela porta e ouviu um baque surdo quando este a trancou com alguma coisa. Sua mão doía e sangrava muito. Tentou alcançar a serra, mas tremia tanto e estava tão machucado que não conseguiu se mover da primeira vez. Sua cabeça começava a doer. A tontura voltou com tudo. Mais uma vez, ele vomitou no chão a seus pés.

Alcançou por fim a serra e de imediato começou a tentar serrar a corrente que o prendia ao aquecedor. Mas, com apenas uma mão, o serviço se tornava impraticável. Após alguns minutos, ele desistiu. Tentou gritar para ver se alguém o ouvia, mas não obteve nenhuma resposta. Nenhuma alma viva para lha socorrer.

O tempo passava e ele não tinha forças, nem coragem para fazer o que sabia que era necessário fazer pela vida de sua esposa e filho. Sentia-se envergonhado.

Ouviu então um barulho vindo do outro canto da sala. Um rádio. Ouviu a voz de seu captor, entrecortada pelo som da interferência.

- Já se passaram quase dez minutos, e pelo que eu vejo você ainda não a avisou. Eu acho, então, que vou ter que tomar uns drinques com ela? E quem sabe, talvez eu a leve até minha casa. Você não se importa, não é? Afinal, estão separados. Qual foi a desculpa dessa vez? Isso antes de ir até a sua e matar sua cria.

Então, novamente o silêncio. E de imediato ele então começou a fazer o que tinha que fazer. Tirou a camiseta, enrolou e pôs na boca. E em seguida sentiu a lâmina fria penetrando em sua carne. Sentiu o sangue quente jorrando por sua perna. E guardou um urro de dor pra si mesmo. Seus olhos quase se fechavam de dor agora, mas ele continuava. Sabia que iria morrer de uma forma ou de outra, mas não queria que o mesmo acontecesse aos que amava. Não dessa vez.

Durante mais que dez minutos, ele serrou a própria carne para poder se libertar das correntes que o prendiam. Então notou novamente o silencio ser quebrado.

- Nada ainda? Hunpf, achei que talvez a iminente eliminação de sua família, iria fazer com que você tomasse vergonha na cara e… – Não ouviu as outras palavras, havia terminado de serrar enquanto o monstro falava e agora, em fúria, se dirigiu até o rádio.

- Seu monte de merda, não se aproxime dela – Foi então até o telefone e começou a discar o numero de sua ex-mulher, numero que há meses não era discado por ele.

- Esse barulho é o de você discando os números do celular dela? – David notou uma risada abafada do outro lado. Ficou estático, enquanto ouvia o resto da mensagem dizendo que o telefone não possuía créditos para finalizar a ligação. Seus olhos cheios de lágrimas começavam a perder a batalha para o sono eterno, vindo da perda de sangue. Ele caiu no chão devido à fraqueza. O sangue escorria pelo chão, saindo de sua mão e de seu pé, recém amputado.

- Seu… verme, miserável. Você… – Não teve forças para continuar, a dor era tão grande agora. As risadas do outro lado aumentaram.

- Diga adeus, David.

Enquanto em um lado da cidade um homem era vencido pelo sono eterno e seu corpo era enterrado sobre toneladas de concreto, em outra parte uma jovem moça era drogada e arrastada para o ninho de um animal ensandecido…

Essa é mais uma daquela série de imagens tiradas por mim porcamente com a câmera do meu celular. One more time, i give you, my prision.

Espero que tenha algum valor. Não são nem de longe alguma tentativa de tirar fotos profissionais, são apenas fragmentos do meu mundo.

 

 

 

 

Ela corria e corria. Suas pernas doíam, seus olhos lacrimejavam e seus pulmões ardiam. O teatro agora não mais tinha ninguém. O espetáculo há muito havia terminado, e só haviam ficado ela e seu maquiador. Alex. Mas ele havia sumido de repente e ela só ouvira seu grito em meio às grandes cortinas do anfiteatro. E agora ela corria, e nem sabia por quê. Ouviu sons de passos calmos vindo em sua direção, e fugiu. Seminua, vestida apenas com um roupão rosa, esfarrapado.

Esparsamente ela ouvia ruídos atrás de si. Então parecia que alguém estava em seu encalço, mas ao olhar para trás, não havia ninguém. Seus pés descalços não faziam barulhos sobre o chapo acarpetado do teatro, e assim, ela esperava despistar quem quer que fosse. Correndo muito, até se esconder.

Não sabia realmente porque continuava a correr, não havia realmente visto nada, e provavelmente Alex teria gritado por algum motivo bobo. Como sempre. Mas o frio na espinha que ela sentiu com o grito foi o que a fez sair de seu local. Foi um pânico que tomou conta dela, algo sobrenatural.

Com seus pulmões prestes a explodir, e agora se sentindo um tanto idiota, ela parou por alguns instantes. Ofegava tanto, e tão alto, que até mesmo um surdo conseguiria ouvi-la. Fez uma nota mental de que deveria parar de fumar tanto e de que iria freqüentar a academia, ao menos duas vezes por semana. Escorou-se na parede que dava para os camarotes Vips e ali ficou alguns instantes, ponderando o que faria em seguida.

Notou que as luzes do lugar começaram a oscilar como se estivessem prestes a queimar, como as grandes luzes alógenas dos filmes de terror que sempre fazem isto anunciando um perigo inesperado. Já havia assistido Hellraiser vezes demais para não esboçar um sorriso.

Mas foi então que ela ouviu um som a principio baixo. Parecia metal sendo arrastado ou friccionado contra alguma superfície, seguido do som de passos. Como se alguém estivesse usando uma daquelas grandes botas de cowboy, mas sem as esporas.

Os passos eram calmos e vinham direto em sua direção. Ela ouvia nitidamente tudo, pois não havia mais nenhum som no local, a não ser esse. E agora seu coração estava prestes a sair pela boca. Instintivamente ela se pôs a procurar pela maçaneta da porta do camarote em meio à meia luz que aquela maldita lâmpada proporcionava.

Achou-a finalmente e lentamente a abriu. E fazendo esforço para que nenhum som fosse emitido enquanto fechava a porta, ela entrou.

Realmente esse era o tipo de lugar que ela gostava de freqüentar. Lugares assim sempre a fizeram sentir-se como uma rainha entre mortais. O camarote Vip, realmente era algo. Luxuoso. Grandioso. Fútil, talvez. Mas era o seu lugar, onde se encaixava. Agora estava em farrapos, suava por causa da corrida, sua maquiagem estava borrada e seu cabelo despenteado, mas sabia que alguns minutos de atenção fariam com que ela se tornasse o alvo dos olhares.

E foi so quando ouviu o barulho de alguma coisa sendo passada pela fresta da porta, que se lembrou de que estava sendo amedrontada por algo ou alguém do outro lado da porta.

Ela olhou para a luz oscilante que vinha do corredor e que passava pela fresta, e notou um envelope. Branco. Puro. Cautelosamente foi até porta, se agachou e o tomou em suas mãos.

Ela se perguntava o que era tudo aquilo, o que estava acontecendo, e o por que. Seria um fã seu algum lunático, como o que matara John Lennon? Ou seria só algum dos seguranças querendo vingança por ela ter feito o que fez com ele, e depois tê-lo descartado?

Ela então abriu o envelope e notou uma carta. Mas não conseguia ler nada do que estava escrito devido à escuridão que tomava o lugar. Começou então a procurar a luz, um abajur, algum tipo de coisa que lhe proporcionasse luz suficiente para que lesse a tal carta. E por fim mexendo nos bolsos, ela encontrou um isqueiro.

Não havia se dado conta de que estava ali, junto com a erva que havia comprado para mais tarde. Deixou a erva no lugar e começou a tentar acendê-lo.

Após alguns segundos de frustração, ela por fim conseguiu manter a chama acesa e proporcionando luz suficiente. Notou então que suas mãos estavam manchadas por algo vermelho, mas que não identificava. E foi então que ela ficou estarrecida. Sangue. Era isso. A carta fora escrita com sangue. E fora isso que manchara suas mãos.

Garota, se você pensa que eu vou te matar, você esta coberta de razão.

Porque eu vou mesmo. Eu vou tirar desse rosto toda a alegria, vou fazer com que você grite para mim. E vou por fim expor sua beleza para todas as pessoas, e elas vão finalmente saber do que você realmente é feita. Literalmente.

Você sempre foi uma vadia, ambiciosa e egoísta, e acima de tudo uma narcisista por natureza. Todos sabem dos boatos sobre o que você faz com seus empregados quando eles erram, sobre o que faz com a própria filha.

Voce sempre se achou uma rainha. Achou que com sua beleza ganharia o mundo e os corações de todos. É por isso que hoje eu vou tirar tudo isso de você. Antes que eu comece, você ja vai estar implorando para que eu acabe de uma vez por todas. Mas eu não farei isso. Você vai sentir cada centímetro de dor possível e vai ficar acordada o tempo todo. Pois este é o seu show.

É bom você aproveitar bastante para ler esta carta, porque em seguida, eu vou arrancar estes seus olhinhos azuis.

Alex? Como acha que eu consegui tinta?


O pânico mais uma vez tomou conta de seu corpo e, num ímpeto de desespero, ela foi até a sacada do camarote. Olhou para a cortina próxima. Cortina essa que descia até o chão. E então saltou. Por um breve momento ela sentiu que iria conseguir, mas então suas mãos ao invés de segurarem firme o pano, notaram o quanto ele era liso e sedoso, e então começaram a escorregar em direção ao chão.

Uma queda de 4,5 metros em direção aos assentos.

Enquanto caia ela lembrou-se que essa fora mais uma de uma sucessão de más idéias que tivera em sua carreira. Desde o filme pornô que fizera caseiramente com seu namorado, e que, após uma briga, o mesmo havia liberado na internet, até o ritual que havia feito algumas semanas antes com sua filha. Ela infelizmente havia falecido na noite passada, no hospital. Oficialmente fora uma pneumonia. Oficialmente.

O som dos ossos de sua perna direita se quebrando quando batera nos assentos não fora nada bonito. Lembrava o som de um galho se partindo, só que seguida de uma dor penetrante que a fizera gritar muito alto. Mas ela sabia que não podia ficar por ali. E foi por isso que mesmo com a perna destruída e chorando copiosamente a atriz começou a se arrastar. Agora era um arremedo da garota bela e sexy que fora horas antes, enquanto interpretava uma rainha em sua peça de teatro mais recente. Papel esse que lhe rendera aplausos, prêmios, dinheiro e homens. Mas agora, o que lhe valia tudo isso ela pensava? Seus olhos se fechavam de dor enquanto ela continuava.

Ainda no chão, foi então que ela notou as botas. Em meio às poltronas ela notou-as paradas a alguns metros de si. Ao levantar a cabeça viu então o instrumento que fazia o barulho de fricção. Uma faca de caça. Enorme.

O homem sorriu simpaticamente para ela e começou a se aproximar. Ajoelhou-se ao seu lado e, ignorando seu choro e gritos de “por favor, não”, segurou seu rosto com uma das mãos e com a outra começou lentamente a separar a pele do resto do seu crânio.

Eu tenho uma teoria a explanar, e ela trata das garotas Nerds, e de como nós devemos valorizá-las mais em detrimento das garotas patys. E isso não tem nada a ver com a escala tequila de álcool no sangue.

Nós temos então a garota Paty, que em seus 15 anos é toda perfeitinha, popular, com tudo em cima, aquela barriguinha sarada, o piercing no umbigo, e aquela hoste masculina que a segue como um bando de hienas a caça de uma presa moribunda.

E do outro lado nós temos a garota Nerd, que não é tão popular, na maioria das vezes possui poucos amigos, se veste com roupas que não estão na moda, não tem nenhum harém a segui-la por todo o lado, e ou é magricela, ou possui um ou dois pneuzinhos a mais.

Essa duas garotas são os estereótipos mais típicos encontrado em escolas públicas pelo país, o exemplo bem prático, entre os nossos abismos sociais. A popular e a impopular.

Mas bem, passam então os anos, a escola termina e aquela garota que era uma Paty, se conseguiu terminar o ensino médio, geralmente terminou porque foi empurrada pelo professor (hum…), fez algum tipo de favor para algum garoto nerd (conheço casos), ou simplesmente teve muita sorte ou muitas horas de aulas particulares para não ser reprovada no ultimo trimestre.

Ela não aprendeu muito no seu período de escola, afinal ela gastava seu tempo entre sair com garotos lindos (portas), ir ao shopping, ao cabeleireiro, e parecer uma estrela de cinema. Ela não leu nenhum livro, a não ser os livros que a capricho recomenda, ou romances baratos, daquele tipo que tu encontra na banca de jornal mais furreca e a capa parece ter saído de uma pornô-chanchada da década de setenta, com aquele cara com jeitão de galã e uma mulher com um olhar muito promíscuo.

Já a nossa garotinha nerd, impopular, exatamente por não ter os atributos físicos avantajados de sua contraparte, primou por expandir outras partes de seu caráter. Ela leu muitos livros, do tipo que a gente encontra em sebos no centro da cidade, passou muito tempo ouvindo músicas que quase ninguém conhece, e expandiu seus conhecimentos em áreas diversas. Não teve nenhum problema em passar de ano no ensino médio, pois tinha bastante tempo para si, em casa nos fins de semana. E teve também de expandir seu vocabulário e jogo de cintura social, pois como citado anteriormente não tem os atributos da paty, então ela não tem a seu favor a primeira impressão. Ela precisa se valer de outros métodos para atingir seus objetivos (caçar incautos).

A nossa paty, então talvez entre na faculdade, daquelas que são pagas, e você só precisa garantir que seus cheques não voltem para que você continue passando de ano. E sendo assim, ela vai continuar sem aprender absolutamente nada de importante e vai ser, no fim do curso, mais uma daquelas pessoas que nós chamamos de maus profissionais, e que remediam qualquer dor no corpo com paracetamol e dizem que o problema está no relé. Ou talvez ela nem entre em uma faculdade, pois não tem grana para pagar, já que, diferente do colegial, não há como manter uma pose de fodona em uma facul se tu não tiveres a grana para se manter. E então ela vai acabar virando caixa de supermercado (que me faz gritar com ela, porque ela foi mal educada), ou recepcionista de algum lugar onde a beleza ainda importa um pouquinho.

A nossa garota nerd muito provavelmente vai entrar sem maiores dificuldades em uma faculdade, vai passar também sem maiores problemas por todo o seu curso, seja ele qual for, e no fim vai sair de lá uma grande profissional, apta para trabalhar em algum lugar que dê grana e que banque para ela tudo o que ela não teve durante a escola. E com isso sua auto estima já vai estar mais alta, ela vai começar a se cuidar mais e, no fim, ela vai acabar sendo uma garota de 20 e poucos anos linda e com conteúdo, do tipo que nós queremos ter ao nosso lado. Do tipo que nós conseguimos conversar por mais de cinco minutos, sem ter que partir pra assuntos manjados, afinal, ela possui muito conhecimento, e uma capacidade de se expressar muito boa. E ainda, como um plus, já que ela é nerd, ela muito provavelmente vai gostar das mesmas coisas que você. Vai jogar God of War junto, vai fazer lutas no meio da sala, vai lhe acompanhar em uma noitada de bebedeira em algum boteco de duvidosa freqüentação, vai assistir com você os animes e filmes Cult que você aprecia,  além de uma amante muito mais dedicada.

Já a nossa paty, por causa de seus insucessos durante o início de sua vida adulta, vai começar a perder muito de seu prestígio junto ao resto do mundo, ao descobrir que na vida real, o que mais importa é qualificação, conteúdo, ao invés de aparência. E como uma rosa que passa muito tempo sob o sereno, ela vai começar a murchar, a ganhar alguns quilos, vai ter um namorado com um nome loser como Hectyson, e vai acabar por ter três filhos com nomes bem comuns e totalmente acabrunhantes. E mais uma vez ela vai continuar a propagar sobre o mundo uma dinastia de pessoas com um futuro muito incerto.

É por isso que eu digo, valorizemos as garotas nerds. Isso é um investimento a longo prazo, é como plantarmos uma árvore frutífera. Pode demorar algum tempo, mas no final, a gente sempre vai ter algo de qualidade.

 

 

 

I thought I shook myself free

You see, I bounce back quicker than most

But i’m half delirious, Is too mysterious

You walk through my walls like a ghost

And I take everyday at a time

I’m proud as a Lion in his Lair

Now there’s no denying it, a note to crying it

You’re all tangled up in my head

 

Old habits die hard

Old soldiers just fade away

Old habits die hard

Harder than November rain

Old habits die hard

Old soldiers just fade away

Old habits die hard

Hard enough to feel the pain

 

We haven’t spoken in months

You see, I’ve been counting the days

I dream of such humanities, such insanities

I’m lost like a kid and I’m late

But I’ve never taken your coats

You see, haven’t no block on my phone

I act like an addict, I just got to have it

I never can leave it alone

 

And I can’t give you up

Can’t leave you alone

And it’s so hard, so hard

And hard enough to feel the pain

 


 

 

 


Os gritos ecoam pelos corredores escuros e abandonados. O som de água gotejante, devido a infiltrações que inundam o local, com um aspecto de caverna. O limo e a sujeira cobrem todo o lugar, um antigo abrigo antiaéreo datado da segunda guerra mundial, tão esquecido quanto à própria guerra em si. O local parece um labirinto de túneis austeros de concreto com mais de 15 cm de largura. Portas blindadas e isolamento acústico. Ninguém do lado de fora ouve o que realmente acontece por ali.

O homem esta sentado em uma cadeira de metal. Sua postura lembra a de um oficial do exercito. Empertigado, ereto, silencioso. Em sua mão direita ele tem um alicate, de onde algumas gotas de sangue caem em direção ao chão, já bastante imundo, e marcado por mais alguma “reuniões” anteriores. Em sua mão esquerda ele tem uma pequena marreta com ponta de metal.

A sua frente, uma mesa também de metal, exibe alguns instrumentos interessantes. Uma Mauser C-96, 9 mm, algumas peças de xadrez, dispostas sobre um grande tabuleiro de marfim branco e ébano, e uma pequena caixa de metal, cheia de gelo, onde jazem dois dedos recém amputados.

A moça continua a gritar de dor enquanto sente o sangue saindo de mais um dos seus dedos amputados. Dessa vez foi o anelar da mão esquerda. Seus olhos estão cobertos de lágrimas e sua cabeça inundada de pensamentos acerca do motivo de tudo aquilo. Só se lembrava de ter estado em uma festa à fantasia e ter bebido alguma coisa com um jovem rapaz. E depois disso, só a escuridão, até ser acordada por ter seu dedo arrancado com um alicate. Mas não antes de ter o mesmo esmagado pela marreta nas mãos de seu captor.

- Eu sou rica – disse ela, a voz quase em falsete, se esvaindo, quase um esforço titânico a cada palavra que ela cuspia da boca – Meus pais podem pagar tudo pra você, só me deixe ir. Por favor. Eles pagam qualquer quantia de resgate, eu garanto.

- Não.

- Por que!? Porque esta fazendo isso comigo!? O que você quer!?

- Primeiro, eu quero terminar a nossa partida.

Ela olhava atônita para ele. A sua frente estava um louco, um ensandecido homem que a havia escolhido aleatoriamente para torturar e depois matar. Ela chorava copiosamente e tremia, muito, tendo quase convulsões. E se tudo continuasse como estava, em breve ela entraria em choque.

- Sua vez – Disse ele após movimentar o cavalo para a posição D6 – Xeque.

Ela não podia acreditar, ele realmente queria que ela continuasse jogando naquelas condições. Ela começou a se lembra então do filho de dois anos, e dos pais, de quem agora mais uma vez era inquilina. Voltaria ela a abraçá-los mais uma vez, a sentir o perfume das rosas no jardim, a brincar com sua cria?

O rosto impassível do outro lado da mesa somente dava a impressão de que era capaz de qualquer coisa. E ao perceber a inércia dela, a mão com o alicate lentamente começou a se movimentar e direção ao braço esquerdo dela, mais precisamente a sua mão, que estava estendida sobre a mesa, amarrada e ainda sangrando. Ela soube o que ele ia fazer.

- Não, não, pera, pera – E pegou então o bispo branco e movendo-o para a posição do cavalo inimigo, pôde garantir um pouco mais de tempo a si mesma.

Rapidamente as mãos do homem voltaram à posição inicial e ele largou a marreta no chão, pensando no próximo movimento. A moça tremia a sua frente, suava frio, e o olhava com pavor tremendo.

- Pessoas como você garota, sempre pessoas como você que me dão o trabalho. Sempre me fazendo fazer esse tipo de coisa.

- Do que você está falando? Eu não sei do que você esta falando, cara!!!

- Ah, mas você sabe sim. Seu ex-marido. Você o traiu com quem mesmo? Ah com o melhor amigo del,e não é mesmo?

- Você então tá a serviço do Alex? Mas…

- Sua vez – e colocou então a rainha em posição, bem a frente do rei adversário, mas do outro lado do tabuleiro – Xeque.

Ela estava parada atônita. Mas para quem ele trabalhava? Não conhecia ninguém que pudesse ter algo contra ela. Pelo menos, que ainda estivesse vivo. Tremia mais do que nunca, mas o choro havia cessado. Pelo menos agora ela sabia que ele trabalhava para alguém.

- Vamos, não me faça obrigá-la a jogar. Você, mais uma vez, não vai gostar nada.

Ela então pôs a torre branca bloqueando o caminho da rainha negra. E7.

- E depois do caso com o Arthur, quem foi? Ou melhor, quais foram os seguintes? Eu contei sete, quantos você pegou de verdade? Diga-me, eu realmente fiquei curioso.

Ele se apoiou nos cotovelos, e ficou a olhar para ela, como se realmente esperasse uma explicação de sua parte. Mas como ele sabia dessas coisas? Talvez um deles tenha ficado com ciúmes, e voltou querendo vingança. Mas quem? E a quanto tempo ele já estava a observá-la.

- Xeque-mate – Ela ouviu as palavras saindo da boca de seu vilão, com um tom de humor negro muito característico, quase como se ele estivesse gostando dessa situação, assim como ela gostava de jogar golfe, por exemplo.

Sua mão estava sangrando ainda, e sua visão começava a ficar turva. A dor nem mais importava tanto, já havia diminuído um pouco, bastava não mexer muito. Mas logo, com a falta de sangue, ele iria desmaiar se não pior.

– Você perdeu garota – E ele disse isso como se ela realmente tivesse perdido muito mais do que uma simples partida. Ela sabia o que isso significava, mas não queria que tudo acabasse ali mesmo, não agora. Havia recém comprado uma casa aos pés do letreiro de Hollywood, e iria finalmente sair da casa dos pais.

- Seu merda, o que você quer de mim afinal!!??? Pra quem você trabalha, caralho?!

Ele andava pela sala, parecia estar à procura de algo, algo que parecia não estar lá. Procurava na escuridão, em meio a prateleiras lotadas de coisas invisíveis aos olhos cansados da moça. Jogava coisas no chão, mas parecia que realmente o que procurava não estava ali.

- Fique aqui – Disse ele com um sorriso no rosto, e então saiu pela porta para a escuridão do corredor. Ela somente ouvia seus passos se afastando. Então ficou tudo um silencio completo, exceto pelo pinga-pinga das infiltrações. Seus pensamentos já estavam totalmente desfocados, assim como seus olhos, e a mão voltava a doer, assim como sua cabeça. Uma dor lancinante e terrível. Olhou para a caixa a frente, seus dois dedos arrancados jaziam ainda no gelo, talvez pudessem ser colocados de volta no lugar. Era só pagar um bom cirurgião, que tudo daria certo. Só tinha que acertar com esse homem uma maneira de libertá-la. Só isso. Ela o ouviu entrar novamente no recinto, em suas mãos uma serra elétrica, do tipo que os marceneiros usam para cortar pequenas toras de madeira, e seu coração quase parou ao olhar para aquilo. A lamina estava negra, o que indicava que ele já a havia usado antes.

- Espera, eu posso lhe dar qualquer coisa, qualquer uma. Tudo, eu te dou. Eu transo com você, o quanto você quiser, te dou dinheiro, carros, tudo. Mas me deixa sair daqui. Eu não sei pra quem você trabalha, e nem quero saber, eu só quero sobreviver. Por favor – Suas palavras engasgavam com o choro que mais uma vez voltava, assim como a dor, ainda mais forte. Ela gritava xingava, desesperada, enquanto o homem estava ainda parado a sua frente. Agora não mais com uma expressão tão séria, mas entrecortada por um breve sorriso.

– Eu quero ver meu filho, meu pais, todo mundo, por favor, por favor!!!

- Garota, você viveu uma vida de pecados, de luxúria. É por isso que você vai morrer. Se te deixa mais tranqüila, eu não vou matar mais ninguém da sua família no momento. Eles ainda não merecem, mas você sim. Você fez de tudo para destruir as vidas das pessoas ao seu redor, e isso eu não posso tolerar. Você é o tipo de animal, que não pode viver em sociedade, e por isso foi caçada, e agora retirada da convivência do resto da população. Por isso que agora eu vou fazer você gritar tanto, e tão alto, que sue pulmões vão explodir. Vou fazer você sentir tanta dor, e você vai assistir a tudo de camarote, enquanto eu corto pedaço a pedaço do seu corpo, até que por fim sobre só o suficiente para que você ainda esteja consciente o bastante para que sinta os ratos vindo devorá-la. E não se preocupe com o sangue, nós temos o bastante por sorte, eu tenho feito um estoque.

Ela não podia acreditar tudo que ela havia levado anos para ter. Agora seria tudo perdido para ela, tudo, em apenas alguns segundos. Seu rosto estava pálido ainda, as palavras não saiam direito de sua boca, enquanto tentava protestar contra seu algoz. E quando ouviu o barulho da serra sendo ligada, seu pavor aumentou mais ainda. E conforme ele começou a se aproximar, e também a serra, ela começou a balbuciar palavras ininteligíveis, suas últimas palavras, emboladas com lágrimas e sangue…

 

 

I’ll put i sign in my mind

“Manipulated only by authorized personnel

And careful girls.”

 

Eu me peguei então pensando sobre sentimentos, e como eles tendem a avacalhar com a nossa simples vidinha. E acabei por chegar a conclusão de que o amor e a loucura são irmãos, se não a mesma coisa. Pois que não é a loucura a capacidade de nos machucarmos e de machucar outras pessoas? E o amor também não se descreve assim?

Então quem ama é louco, não é?

Pois qual pessoa em sã consciência iria agüentar as coisas que um enamorado agüenta? Faria as coisas que faz? Abdicaria das coisas as quais ele abdica? Seria capaz de se machucar e também de machucar as pessoas ao seu redor (não tanto fisicamente, mas mentalmente falando)?

Loucura, só pode ser.

Você vê esses loucos hoje por todos os lugares, em bancos de praça, comprando cachorros quentes, conversando com sue pais. E, na maioria das vezes, não há como saber quem é louco ou não, pois eles todos parecem normais a primeira vista. Apenas quando conversamos com eles a fundo é que percebemos o quanto estão envolvidos dentro dessa loucura, e assim imaginamos “Nossa, isso pode acontecer comigo um dia, eu posso ser pego por essa loucura. E aí, o que eu faço?”.

Pois é, ninguém é imune a esta loucura, a esta doença, que é transmitida pelo ar, pelo olhar, pelo toque, pela trova via telefone, skype ou até mesmo MSN, quem diria. Estão por aí os potenciais loucos de hoje em dia.

Mas há quem fuja dessa loucura a primeira visão de algum sintoma em seu parceiro. Assim como todos tem um amigo advogado, um tio tarado, um amigo galinha, eu também já tive um amigo louco. Louco por uma garota que ele conheceu pelas sendas deste pago que é o Rio Grande. E eu avisei a ele, preveni-o de que não deveria revelar essa loucura para a garota, a menos que ela mesma se revelasse primeiro. Afinal, essa é a lei da selva. Mulheres são como gatos ariscos, que saltam e fogem o mais rápido possível assim que percebem o perigo. E um louco é perigoso. Ah, como é.

Eu o avisei, três vezes ou mais. Disse-lhe que não o fizesse, pois muitos loucos já caíram por causa disso. Mas ele, descartando meus pedidos, foi lá e entregou-se a loucura e soltou as palavras para cima da garota que, como um bom gato, fugiu para nunca mais voltar.

E esse amigo por muito tempo passou aos prantos em busca de reparar seu erro, de mascarar sua loucura.

Homens loucos, isso sim. Pois sim, porque as mulheres, apesar de serem mais perigosas, também são mais vivas quanto a essa doença. Mais preparadas para suportar os problemas que podem vir do advento de espalhá-la para o parceiro. Já o homem não. A loucura o invade, e ele não sabe mais o que fala, não nota mais o que faz. Tudo um grande teto, que só vai se perceber meses, talvez anos após o inicio da loucura, quando o amor terminou, ou se recebeu um chute na bunda.

Cura? Não, não há cura. Há apenas um pouco de razão adquirida com os anos, um pouco de resistência aos efeitos. Assim como um alcoólatra que por muito tempo fica sem beber, também é o homem que acha que está curado, mas basta um gole mais afoito, e ele mais uma vez cairá no abismo de perdição que é essa loucura.

Atire a primeira pedra aquele que um dia não pensou nessa loucura, ou não foi quase seduzido por ela, ou até mesmo aquele que um dia se entregou a ela, e como meu amigo, a revelou e não foi correspondido, e hoje jaz um moribundo, a procura de um pouco mais dessa droga, só mais uma dose, e chega.

Sabe, ontem eu estava a olhar alguns sites, e a ouvir alguma musicas, e comecei a pensar em todas as pessoas que formaram o meu caráter, influenciando (mesmo que sem saber) a formação da minha personalidade. Estava tentando formular uma lista das pessoas que me ajudaram a ser a pessoa que sou hoje.

Claro que eu jamais conheci nenhuma dessas pessoas. Algumas já morreram, outras estão para morrer, algumas outras talvez num futuro muito distante eu conheça. Então, aí vai um top 10 das pessoas que criaram o mostro, de uma forma ou de outra. E mesmo que vocês não consiga ver qualquer ligação entre o criador e a criatura, eu ainda assim lhes asseguro, ela existe, mesmo que obscura.

10. Steve Ray Vaughan.

Esse cara eu conheci a pouco tempo (questão de 2 ou 3 anos) quando comecei a me interessar mais pelo Blues, e rock’n blues, e de longe ele é um dos artistas do gênero que eu mais aprecio. Na primeira vez que vi o cara na TV, ele já havia morrido há mais de 10 anos. Era um vídeo de arquivo de um programa americano chamado Saturday Night Live, e ele estava tocando com sua banda por lá. Eu peguei a música já no meio do solo principal, ele tocando com uma guitarra totalmente destruída, o corpo não tinha nenhuma parte de pintura, somente a madeira crua toda arranhada, como se tivesse sido manuseada demais. Aquilo ali chamou minha atenção, e ouso dizer (me desculpem, amantes do Hendrix), que esse cara era tão bom, ou melhor, no que fazia, do que o Jimmy. Dadas as diferenças de época e feitos, é claro.

Boa música dele: Steve Ray Vaughan e Joe Satriani – Little Wing (que por sinal é do Hendrix)

9. Rubin “Hurricane” Carter.

Tá, esse tem poucas pessoas que sabem, ou como eu só ficaram sabendo por causa do filme, mas que com certeza já haviam ouvido a música do Dylan em sua homenagem. Esse foi o boxeador negro que gerou um enorme protesto nos EUA após sua prisão, que era considerada injusta e tendenciosa devido à sua cor. Protesto na qual diversos artistas participaram, incluindo Bob Dylan e Janis Joplin. O cara ficou preso durante quase vinte anos, antes de ser solto de volta ao mundo.

O filme com certeza é também tão emocionante quanto à história verdadeira do cara. Hoje ele trabalha em uma instituição em defesa dos presos injustamente. Vive em Toronto, no Canadá, e tem 71 anos de idade. Grande cara.

Bom filme e boa música: The Hurricane, com Denzel Washington, e a música Hurricane, de Bob Dylan.

8. Steven Spielberg.

Ah para! Sobre esse, eu só preciso dizer que ele fez os filmes do Indiana Jones, Jurrassic Park, Tubarão, E. T – O Extraterrestre e foi produtor dos Goonies. Mais do que isso. Bah! Assista aos filmes citados acima, cara.

Esses filmes com toda a certeza foram os que mais me divertiram nas tardes tediantes do meu bairro, nos dias em que eu não estava vandalizando ou avacalhando em nada. Quem nunca imitou a musiquinha tema de Indiana ou gritou “Slort Chocolate” ou “Slort amigo do Guurdo”?

Diversão garantida, cara, ou seu dinheiro de volta.

7. Ed Benes.

Esse eu aposto que quase ninguém conhece, mas esse cara me influenciou de uma maneira diferente dos acima citados. Ele influenciou a maneira como eu desenho, como eu boto no papel as minhas idéias. Esse cara é um dos desenhistas brasileiros que eu mais admiro, por seu estilo muito detalhado e vivo. Não há como não olhar para um desenho do cara e não dizer “uau, que foda”. E, além disso, assim como alguns outros brasileiros, ele é um exemplo para mim por ter conseguido entrar para o mercado de quadrinhos mundial. Mercado que um dia eu almejo entrar também.

Boa revista do cara: Atualmente ele está desenhando a revista da Liga da Justiça, então vale uma conferida nela por aí. Nem que seja apenas para olhar na banca e obrigar o dono a te falar que ali não é biblioteca.

6. Frank Sinatra.

Esse Senhor não é admirado por muitos por pouca coisa. Ele tem (tinha, né) uma das vozes mais expressivas da música, um repertório inigualável, e uma ligação nunca explicada com a máfia italiana dos anos cinqüenta. Todo mundo conhece ele, todo mundo o admira, todo mundo já cantou “New York, New Yoooork”, e muito provavelmente já o viu na TV em dos mais de cinqüenta filmes que ele participou durante sua vida.

Teve uma época em que o canal Multishow exibia todos os dias ao meio dia um show dele, e sem falta, todos os dias após chegar da escola, eu ia lá para comer meu almoço e escutar a voz deste grande cantor, que infelizmente faleceu.

Bom filme e boa música: Onze Homens e um Segredo (1966), e a música September of my years.

5. H.P Lovecraft.

Apesar de ter Love no nome, nada tinha suas histórias de amor. Se hoje em dia todo mundo treme com as histórias de Stephen King (tá, nem tanto), ontem, o próprio Stephen tremia na base ao ler Lovecraft. Autor esse que é celebrado como o maior autor de terror/suspense do século XX.

Seus livros tratavam não somente do horror externo, aquele que nos espreita na escuridão, mas também de nossos demônios internos, de nossos medos, angústias e por vezes de nossa sanidade. Talvez por isso seus livros sejam tão influentes, porque nos pegam por nossa mente, nos identificando com o personagem principal e também com suas dúvidas.

O primeiro livro que eu li deste cara foi o Estranho Caso de Charles Dexter Ward. Livro que eu só lia durante o dia, e que prendeu minha atenção (durante muito tempo) e que também me fez ter sonhos bem estranhos.

Bom Livro: O Grande Cthulhu.

4. Clint Eastwood.

Tá, eu nem sou velho ou coisa parecida, mas esse cara é o cara. Sabe aquele tipo de herói durão, que mata todo mundo em silêncio e termina com uma sacada genial? Você pensou em quem? Chuck Norris? Wolverine? Não, esses dois chorariam feito menininhas diante do olhar do Eastwood. Os filmes dele da antiga eram, em sua maioria westerns, em que ele era um anti-herói muito doido, que chagava na cidade e acabava com todo mundo. Tudo muito divertido e nada construtivo, mas ainda assim muito divertido. Atualmente o cara esta mais conhecido, e reconhecido, por filmes que divide os postos de diretor e também de ator. Um bom exemplo disso é o ganhador do Oscar, Menina de Ouro.

Mas quer ver um bom filme do cara? Vai aí, então: Dirty Harry.

3. Bruce Lee.

Poxa cara, esse era bem óbvio que eu ia dizer em algum momento. Eu gosto do Chan e tal, mas esse foi o cara que nos apresentou as artes marciais. E que nos apresentou aos gritinhos gays e a pancadaria total e nonsense onde ele arrebentava todo mundo, inclusive o Chuck Norris, e saía quase completamente ileso.

Eu sempre admirei esse cara tanto por sua luta, quanto por seu caráter e disciplina. Comecei a fazer artes marciais por causa dele (muito embora eu tenha parado). Até hoje, quando eu vejo algum filme dele, ou alguma foto, me dá realmente uma vontade incrível de voltar a fazer kung-fu e tentar ser tão bom quanto ele.

2. Alan Moore.

Mais uma vez muitos podem não conhecer este cara, eu também não conhecia até um amigo me apresentar. Mas me basta dizer que suas histórias foram as que influenciaram filmes como: A liga extraordinária, V de Vingança, e o ainda não lançado Watchmen. Todas adaptações de revistas em quadrinho que ele escreveu, e que se tornaram grandes sucessos, mas que ele simplesmente diz que não quer tomar parte de alguma forma, pois as adaptações não refletem de forma alguma as coisas que ele escreveu em suas histórias, e também não aceita nenhum tipo de dinheiro vindo de qualquer lucro dessas adaptações, repassando a grana para seus desenhistas e o resto do staff envolvido.

Eu realmente não encontrei ainda nenhuma história dele que eu tenha lido e que tenha sido ruim de alguma forma. Parece que tudo o que ele faz ée circundado por um campo de magia e misticismo, que faz com que absolutamente tudo o que ele faça se torne um sucesso de alguma forma. Se ele escrevesse em um rolo de papel higiênico, ainda assim ele seria melhor do que qualquer livro do Paulo Coelho.

Vale à pena conferir o Monstro do Pântano, V de Vingança, e segundo um grande amigo, o livro a Voz do Fogo também é ótimo.

1. Mary Quant.

Essa mulher foi a inventora de algo que realmente mudou a sociedade e que hoje é algo indispensável na vida de muitas pessoas. Eu realmente digo que não sei como seria a vida sem ver o que ela inventou. Talvez seriamos pessoas mais chatas e travadas, mas vai saber.

Mary Quant foi inventora do milagre chamado: Mini-saia.

Pois está aí a lista das dez pessoas que eu mais admiro atualmente. Eu acho que poderia fazer um top20, um top 30, mas com certeza, só esses dez já valem a conferida.

See ya Later Folks.

Eu sou melhor que você (moreno e mais dois)


Todo mundo acha que pode, acha que é pop, acha que é poeta

Todo mundo tem razão, vence sempre e na hora certa

Todo mundo prova sempre pra si mesmo que não há derrota

Todo homem tem voz grossa e tem pau grande e é maior do que o meu, do que o seu, do que o de todos nós

Todo mundo é referência e se compara só pra ver que é melhor

Todo mundo é mais bonito do que eu, mas eu sou mais que todos

Todo mundo tem suingue, é feliz, é forte e sabe sambar

Todos querem, mas não podem admitir a coexistência do orgulho e do amor por que

Eu sou melhor que você

Eu sou melhor que você, mas, por favor, fique comigo que eu não tenho mais ninguém

Todo mundo diz que sabe e quando diz que não sabe é porque

é charmoso não saber algo que as pessoas já sabem como é

Todo mundo é original, é especial, é o que todos queriam ser

Não basta ser inteligente, tem que ser mais do que o outro pra ele te reconhecer

Todo mundo ganha grana pra dizer que ela não vale nada

Todo mundo diz que é contra a violência e sempre dá porrada

Todos querem se apaixonar sem se arriscar, nem se expor e nem sofrer

Todas querem vida fácil sem ser puta e com reputação se reprimem e começam a dizer

Eu sou melhor que você

Mas por favor, fique comigo que eu não tenho mais ninguém…

Qual a diferença básica entre uma mentira e uma verdade?

É, a pergunta pode parecer bem simples. Se olhássemos no Aurélio, ou qualquer outro lugar, provavelmente teria alguma coisa do tipo:

Mentira ou mentir consiste apenas em uma não-verdade. A passagem de informações falsas a um espectador.

Tá, talvez não esteja bem assim por lá, mas deu pra entender a jogada. Mas, se for assim, então me diga o que é uma verdade? Quando você sabe que é uma verdade?

Pois é, não temos como saber se o que as pessoas nos contam é verdadeiro ou não, a não ser que tenhamos presenciado o acontecimento. Mas, sendo assim, então não haveria a necessidade de sabermos pela boca da pessoa o acontecimento. De outra forma, não há como saber. Você pode dizer “ah, eu sei quando alguém está mentindo”. Mas eu te digo: não, tu não sabe não, senão não estarias me falando uma coisa dessas. É impossível saber 100% das vezes que alguém está mentindo. Assim como também é estatisticamente impossível acertar todas as vezes o lado da moeda que vai cair para cima.

Assim como existem bons jogadores de futebol, existem bons artistas, existem também bons manipuladores de informação.

Então, o que eu quero dizer é que até mesmo a maior das verdades tem potencial para ser apenas uma boa mentira, pois não há como avaliar a sua veracidade.

O que na vida real diferencia uma verdade de uma grande mentira é apenas a forma como o interlocutor a expressa ao ouvinte, e apenas isso. A pessoa tem que, de alguma forma, em sua cabeça acreditar no que está falando para fazer com que o ouvinte também faça o mesmo. Eu vos digo que as melhores mentiras e também as mais criveis são aquelas na qual há simplicidade. É realmente bem difícil que o seu chefe acredite que um carro bateu no seu ônibus, e matou um cachorro, e destruiu um posto de gasolina e… daí você se atrasou. Seria bem mais simples dizer apenas que você se atrasou porque tinha um engarrafamento impedindo a passagem ou que, por causa da volta as aulas, tinha mais pessoas no ônibus e, consequentemente, mais tempo se leva de parada em parada. Quanto mais simples melhor. Less is more.

Dizem que mentiras tem perna curta. Mas uma informação manipulada, e bem manipulada, tem pernas compridas e sabe correr muito.

Manipuladores de informação são as pessoas que vendem sonhos, vendem imagens, tanto de si mesmos, quanto de lugares e até mesmo pessoas ( podemos chama-los também de Estudantes de Publicidade). Mentir com certeza todo mundo já mentu na vida. Seja para não lavar a louça, para matar aula ou até mesmo para pegar aquela garota linda que você conheceu em algum lugar. Nós usamos desse artifício sempre, mesmo que não admitamos isso. Manipulamos as informações que chegam aos ouvidos alheios na maioria das vezes para nos deixar em posição melhor na cabeça de nosso ouvinte.

É aquilo de você dizer que lutou contra quatro caras e estava com as mãos doendo, e por isso você apanhou. Ao invés de falar que você apanhou miseravelmente de dois anões porque você luta que nem uma mulherzinha.

Somos humanos, para melhor ou para pior. E somos também seres egoístas, egocêntricos, e narcisistas. Por isso, adoramos escutar as opiniões alheias sobre nós, e adoramos saber o quanto as pessoas nos apreciam, e estamos sempre tentando fazer com que, na cabeça delas, nós sejamos o máximo. E não falo apenas de trovar aquela garotinha linda do MSN. Falo de mostrar ao seu chefe que você é alguém confiável, de fazer seus amigos o verem como alguém altruísta, as garotas o verem como um grande homem, os emos o verem como um exterminador de franjinhas…

Nós estamos, de certa forma, trovando as pessoas para que elas acreditem na versão que nós gostaríamos que fosse a verdade. Estamos sempre tentando provar a nossa superioridade diante dos outros, seja física ou mentalmente. Então porque não treinar com alguém que você nunca viu na vida?

Uma coisa que acho que muita gente não chega a pensar, é exatamente que tudo no mundo é permitido (até algum brigadiano vir e começar a bater em você, mas isso dificilmente acontece). Não digo você sair por aí vandalizando nada, longe disso, mas experimente, por exemplo, fazer um sotaque estranho quando estiver falando com o cara que vende cachorro quente, ou inventar um tique no olho quando estiver fazendo compras e aquela moça vier lhe perguntar se você deseja alguma coisa. Invente um nome falso, irmãos, deficiências, profissões, o cacete a quatro.

Quem poderá dizer que você está mentindo?

Ninguém. Exatamente porque ninguém sabe absolutamente nada sobre você. Garanto que vai ser um exercício muito divertido, além de também muito libertador. Aí você vai ter uma nova percepção sobre as coisas que as pessoas falam para você. Não digo que você vai virar um grande cínico ou um paranóico, mas com certeza não vai se deixar enganar tão fácil. E além disso vai perceber como é fácil enganar as pessoas desse mundo, de forma simples e rápida. Talvez, se todo mundo soubesse esse tipo de coisa, o Brasil não tivesse tantos problemas com mensalão e cartões de créditos na mão de parlamentares.

Veja bem, mais uma vez eu digo que não estou incitando ninguém a fazer algum tipo de fraude ou ser um manipulador compulsivo. Apenas estou alertando para o comportamento de massa que nós temos, e que nos permite ser quem quisermos, falar da forma que bem entendermos, a qualquer momento, desde que, de alguma forma, possamos estar ligados à fantasia que criamos. Pois não há maneira alguma de enganar alguém com uma ilusão, se nós mesmos não cremos nela.

 

If there is no prision of my thoughts

I am just a fool

Prisioner of my own illusions

Forever sign to be a blind man

 

If there is no desert on my mind

I am just an artist

Seeking for my passion

My Monalisa

 

If there is no dream

I am just a poet

a lover

a sinner

 

If there is no you

Then I am just a shell

a loner

a rider

a ranger

a dead man

 

 

 

 

 

Essa galeria de imagens na verdade são imagens criadas por mim, e não tiradas da internet. As figuras abaixo são alguns esboços, e na verdade um tanto antigos, de alguns desenhos meus, incluindo uma página de quadrinhos. Dentro em breve, eu estarei postando algum desenho mais atual, afinal, o estilo de desenhar muda constantemente, assim como o artista.

 

 

 

 

Cilaaadaaa!!!!!

Você sabe o que é uma cilada? Bem, segundo meu querido dicionário, a definição seria a seguinte:

1 lugar oculto onde se aguarda o inimigo ou a caça. 2. Emboscada, armadilha.

Mas para mim, cilada significa uma situação (além de um baita programa do Multishow) onde, por algum motivo qualquer, você tenha se metido e tenha de alguma forma se ferrado. Eu já tive muitas dessas. Muitas festas falidas em locais totalmente duvidosos, muitos “programas de índio” para o domingo a tarde, muitas idas à redenção em dia de briga punk.

Sabe aquelas vezes em que você está em casa, totalmente tranqüilo, e alguém vêm a sua casa e o convida para dar uma volta, e quando você pergunta sobre o lugar dessa volta, a pessoa só diz assim:

- Ah, não te preocupa, o lugar é garantido…

Com certeza vai ser uma grande cilada. Você provavelmente vai ficar na fila durante umas duas horas, vai tentar azarar algumas garotas e só vai levar toco, vai perceber que a maioria das garotas do lugar está acompanhada (por outras garotas) e que a maioria dos homens do lugar está acompanhado por homens (de olho em você).

Após todo o tempo em que você ficou parado na fila (e no qual provavelmente choveu, com a sua sorte), você vai chegar ao balcão, falar com a bela atendente e vai pedir uma entrada. Ela vai pedir sua carteira de identidade e você prontamente põe a mão no bolso e percebe que a esqueceu em casa. Então você volta triste, sem mulher, sem ingresso e muito puto da cara com o seu amigo que te convidou para esta cilada.

Ciladas são episódios na qual Murphy simplesmente decidiu prestar atenção em nós e, por conseguinte, decidiu avacalhar totalmente com as nossas vidas. Esses dias em que ele está do nosso lado são aqueles dias no qual tudo dá errado. São os dias nos quais você bate com o dedo mindinho na quina do armário, dá com a cabeça em alguma porta de guarda-roupas, deixa queimar o miojo (e quase a casa), descobre que a sua garota é lésbica, deixa cair o seu pente na privada, a tampa do creme dental dentro do ralo, descobre que sua garota não era lésbica, aceita ir passar um fim de semana com a família…

Pois bem, foi assim que começou uma grande cilada de fim de semana, na qual, por algum motivo qualquer, eu decidi que seria realmente interessante passar um fim de semana com meu pai e sua família. O cronograma seria: no sábado eu daria aula e à tarde iria para a casa dele, onde nós ficaríamos vendo TV, conversando, falando mal dos vizinhos e no domingo iríamos para um churrasco na casa de um amigo do meu pai.

Sábado eu acordei com muito bom humor. Já eram sete horas da manhã, eu tinha um compromisso às oito com uma mulher que queria ajuda com um site próprio, então rapidamente eu fui me arrumar para sair. O dia estava lindo, céu azul, minha coroa estava também de bom humor, abri a porta e meu cachorro veio me recepcionar abanando o rabo com aquela cara de idiota que ele tem. Eu pensei comigo mesmo: “Bah, mas que dia lindão esse, bem que eu queira ficar dormindo mais um pouco”. Quem me dera eu tivesse feito o que queria. Mas ao invés de voltar para a cama e dormir até ficar com dor de cabeça, eu saí de casa e fui pegar um ônibus para ir até o prédio da mulher.

Não houve nenhum problema no caminho, nenhum sem noção balançando moedinhas no busão, nenhum falso cegueta que tanta agarra os seios das garotas quando está “pedindo” grana, nenhum garoto doente dando pancada na minha perna.

Fui para a sala da mulher, fiz o que tinha que fazer por lá, então me dirigi até a sala onde dou aula, me preparar para o início da mesma. E lá estava meu progenitor a me aguardar (ele também dá aulas lá). Conversamos por alguns instantes planejando o dia e ele me disse que me pegaria de carro na parada do ônibus, já que a parada fica um pouco longe da casa onde mora. E eu então pensei “Ah, ótimo, pelo menos eu não vou ter que caminhar por 10 quadras para chagar lá. Moleza”.

A aula transcorreu tranqüila, e terminada ela eu me dirigi até a parada do ônibus para que eu chegasse o mais rápido possível onde meu pai mora. Então, eu fiquei lá esperando, e esperando, e esperando… e esperando…e…

Sei que eu fiquei lá plantado por mais de meia hora a espera do maldito ônibus, antes de ver qualquer sinal da maldita plaquinha que indicava a direção para onde ele ia. Subi então. E tão logo eu subi, subiu também aquele maldito enganador “cegueta”, que distribui alguns papeizinhos para as pessoas (que eu nunca li) e fica passando a mão nas mulheres desprevenidas.

Depois dos acontecimentos do dia, Carpe Diem. Eu já estava meio que acostumado com imprevistos e coincidências. Mas depois desse dia, eu fiquei sabendo que não existem coincidências, existe Murphy. Ferrando a nossa vida.

Pois bem, eu desci do ônibus e fiquei no aguardo de meu criador vir me buscar com sua característica Caravam cor ouro.

Após alguns minutos, eu então escuto o barulho do motorzão V8 da Caravam a dobrar a esquina e, tão logo o carro se aproximou, eu saltei para dentro (como no seriado Dukes of Hazzard) e falei pra por o pé no acelerador (tá, eu não falei isso, mas seria bem legal).

Os problemas começaram por aí.

Dados uns cinco minutos andando de carro, dava para se perceber que o carro parecia meio pesado, e já era a terceira vez que meu pai reclamava que o carro tava puxando para um lado. Foi então que chegamos à brilhante conclusão de que o Pneu estava furado.

Descemos do carro, somente para olhar o pneu dianteiro esquerdo arriado no chão, como um gordinho depois do rango. E foi então nesse momento que eu pai decidiu que já estava na hora de eu aprender a trocar um pneu de carro. Deu-me as ferramentas, o estepe, um tapinha nas costas, e se escorou no carro. Só faltou ele gargalhar malignamente.

Quase quinze minutos depois, sujo de graxa, machucado no dedão e muito envergonhado com a minha atuação (e com as piadas do meu pai), eu finalmente consegui colocar aquele maldito pneu no lugar onde deveria estar.

Então fomos à procura de um borracheiro para que ele arrumasse o pneu e o colocasse no lugar, já que o estepe também não estava em bom estado. Rodamos por mais uma meia hora pela cidade a procura de algum lugar aberto e por fim o encontramos. Uma borracharia bem comum. Sujeira por todo o lado, empregados sujos de graxa, calendários com mulheres em posições “sensuais” na parede e um tio gordinho que parece estar usando uma baby look, com aquela pança peluda e nojenta.

Conversamos com o cara e acertamos um precinho camarada para ele remendar o nosso pneu (sabem aquela propaganda de canos e tal, que tem um macaquinho que fica em cima das pessoas que estão sendo engrupidas, pois é…). O cara foi lá fazer a sua mágica e, alguns minutos depois, veio com a má noticia de que a câmara do pneu estava toda furada e que não valia o concerto. E disse que se quiséssemos, ele podia nos vendar uma, já que tinha algumas ali sobrando.

Mesmo cheirando a fumaça, nós compramos a câmara, fizemos com que ele trocasse o pneu estepe pelo “novo”, e saímos do local com 20 pila a menos na carteira. E foi durante o trajeto de volta para casa que descobrimos por que estávamos certos sobre o cheiro de fumaça. O pneu furou. De novo.

Pelo menos dessa vez não fui eu que troquei, foi meu pai. E em cinco minutos, se isso, estávamos indo de volta a borracharia, atrás do gordinho sacana. Brabos, sem dinheiro no bolso, e ainda com um pneu furado, o obrigamos a nos dar um pneu novo e trocá-lo, com a ameaça de que se tivéssemos que voltar, ele não acharia de formal alguma agradável.

Fomos para casa então, e já era quase três horas da tarde. Eu não havia almoçado nada, estava varado de fome. Ranguei que nem um bóia fria e depois me deitei no sofá, pensando em como colocar a rede entre as duas arvores nos fundos da casa. E quando eu já estava quase com força de vontade o bastante para me levantar, meu pai vem e me diz que um vizinho está reformando a casa e nos deu algumas (mais de mil) telhas. Com o detalhe que nós dois teríamos que carregá-las da casa em reforma até a nossa (três casas de diferença). E mais uma vez, por forças maiores que eu, fui levado a fazer esforços totalmente indesejáveis.

Sei que no final do dia, eu parecia uma daquelas pessoas que saíram da fumaça do 11 de setembro. Com as mãos todas raladas, a roupa suja de poeira e coisas que eu preferi não tentar identificar. E com um humor totalmente ruim e ácido.

O domingo parecia, então, um dia feliz. Iríamos para um churrasco, só teríamos que arrumar uma decoração para uma festa infantil antes de ir para rangar. Coisa de duas, talvez três horas, no máximo.

Dormi que nem uma pedra. E no outro dia pela manhã, as sete já estava de pé mais uma vez. Carregamos o carro com todo o material necessário para a decoração do lugar e fomos tirar o carro do pátio.

Mas ele não ligava.

Nesse momento, eu já estava quase certo de que eu era alvo de algum tipo de pegadinha. Não podia ser sério. Muita coincidência.

O que ocorreu foi que o arranque do carro estragou. E só havia uma maneira de fazê-lo pegar. Empurrando.

Então fomos eu, meu pai e o enteado dele empurrar uma Caravam de mais de meia tonelada de puro ferro. E depois de alguns minutos de muito stress conseguimos por final fazer aquela piece of crap funcionar. E nos dirigimos então até o local do trabalho.

Era uma espécie de CTG (Centro de Tradições Gaúchas), um lugar enorme, onde tínhamos que montar a decoração, que consistia basicamente em por no lugar alguns desenhos nas paredes, alguns arcos de balões e outras frescurinhas que alguma garota exigiu que fossem feitos. Parecia moleza, mas mais uma vez eu estava enganado.

O que era para ser uma ou duas horas, acabou se transformando em um trabalho de quase seis horas de trabalho ininterrupto em um salão sem ar-condicionado, onde apenas alguns ventiladores estavam ligados (mas não pegavam onde eu estava). Onde tivemos que encher mais de dois mil balões de aniversário para montar a decoração e onde eu conheci a caseira do lugar, que parecia a irmã perdida do Jason e provavelmente teria me atacado se eu não estivesse acompanhado.

Trabalhamos arduamente para fazer aquele lugar ficar totalmente magnífico. Um trabalho que me deixou seriamente exausto, com fome, sujo (porque uma hora faltou luz, eu tive de encher os balcões com bombas manuais) e completamente certo de que eu era alvo de Loki.

Depois de toda esta senda, fomos finalmente para o tal churrasco. Comemos, comemos, bebemos, comemos, rimos um pouco, e eu dormi em uma confortável rede entre duas árvores.

No fim do dia, eu estava pior do que o Rocky Balboa depois de uma luta. Só queria ir para casa e dormir um pouco um merecido e aguardado sono depois de uma maratona de desventuras em série.

Agora passado um dia, eu agradeço por ter sobrevivido a tal experiência sem danos maiores (e sem nenhum tipo de seqüela). E agora eu sei que Murphy merece o devido respeito e que festas de criança e encontros de família são as piores ciladas que alguém pode se meter (além, claro, do famoso “visitar os pais da namorada”).

Como eu queria…

Por essa, eu realmente não esperava. Um china por aí, que por algum motivo não estava colhendo arroz, criou uma empresa. E até aí tudo bem, afinal os chineses estão cada vez mais fazendo com que a economia do país cresça. Mas esta empresa é diferente. Nela, você paga cerca de 40 reais (+ ou – 130 yens), e esse china vai lá e termina o seu namoro por você.

Meio Hitch ao contrario.

O criador comemorou na semana passada um ano de atividade, e diz que já atendeu sete clientes (putz) e que todos ficaram muito satisfeitos com o resultado. Pois ele vai lá, fala com a guria ou com o guasca e dá todos os motivos para o termino do namoro. E ele ainda encoraja a parte que leva um pé a continuar com sua vida, a seguir em frente.

Segundo ele, seus clientes são pessoas tímidas que não tem coragem de dizer que está tudo acabado.

Olha, tudo bem que o cara tenha um serviço como esse, afinal, se até mesmo o Inter foi campeão mundial, porque ele não poderia fazer um troço desses. Mas o que eu acho é o seguinte: poxa, como é que um homem pode ir até um cara desses para terminar um namoro? Honestamente, eu acho muita covardia, pois é muito fácil falar as coisas sem ter que ver a pessoa, sem ter que notar o olhar de tristeza. Também porque não dá chance nenhuma da pessoa te xingar, tentar te bater ou até mesmo jogar alguma coisa em você. E, por fim, não lhe da a chance de ter sexo de fim de namoro (tá, esse foi brincadeira, mas o resto não).

Eu realmente não considero isso com uma opção viável, a não ser que você seja um covarde insensível. Mas é só a minha opinião.

 

I never seen you looking so lovely as you did tonight

I never seen you shine so bright…mm hmm

I never seen so many men ask you if you wanted to

dance

Looking for a little romance

Given half the chance

 

I have never seen that dress you’re wearing

Or the highlights in your hair…they catch my eye

I have been blind

 

Lady in red is dancing with me…cheek to cheek

There’s nobody here

It’s just you and me

It’s where I wanna be

I hardly know

This beauty by my side

I’ll never forget the way you look tonight

 

I’ve never seen you looking so gorgeous as you did

tonight

I’ve never seen you shine so bright

You’re amazing

I never seen so many people want to be there by your

side

And when you turn to me and smile

You took my breath away

I have never had such a feeling

Such a feeling of complete and utter love

As i do tonite

 

Lady in red is dancing with me…cheek to cheek

There’s nobody here

It’s just you and me

It’s where I wanna be

And I hardly know

This beauty by my side

I’ll never forget the way you look tonight

 

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