Assuntos aleatórios 2 (Sobre família e parentes)

Como a vida seria mais fácil se, mesmo antes de nascer, ainda no útero de nossas progenitoras, pudéssemos anunciar a elas nossas condições para vir ao mundo. “Eu quero ser loiro, eu quero ter dinheiro para quando crescer, eu quero ter um cãozinho…”. Claro, os pedidos podem variar sempre. Mas se esses não fossem atendidos, ao menos dois vitais podiam ser gentilmente considerados: o nome e os parentes.

Se nada fosse atendido não sairíamos de lá. Faríamos protestos e barricadas, queimaríamos pneus, e somente com a chegada do médico negociaríamos.

Porque, poxa, imagina o quão infeliz deve ser a vida de alguém que tem algum desses nomes: Amim Amou Amado, Carabino Tiro Certo, Céu Azul do Sol Poente (todos verdadeiros e registrados em cartório), Aricléia da silva, Washingtom (Uáxingtom), Waldisney (tirado de Walt Disney, e falado Valdsnei). Ou um daqueles nomes que mais parecem tirados de novela mexicana: João Guilherme, Pedro Henrique da Fonseca, Marcus Vinícius Brasil…

Tudo bem que hoje em dia nós podemos facilmente trocar de nomes (é só ir ao cartório e solicitar uma troca), mas seria bem mais fácil para todos se nós, baseados em nossos gostos, os escolhêssemos. Seria até mesmo melhor se todos nós tivéssemos apenas nomes genéricos até termos idade suficiente para escolhermos nós mesmos. Podíamos ser numerados ou algo do tipo. Com certeza seria bem melhor do que ser chamado de Anacléto.

Ao menos, não é mais permitido colocar nomes estranhos em crianças, como os que foram listados primeiro. Incrível é a capacidade do brasileiro de ferrar com o outro. Porque muito certo que uma criança que se chamasse Céu Azul do Sol Poente seria atazanada por todas as outras crianças durante um longo período. E ela seria uma séria candidata há um dia entrar em uma escola com uma carabina a atacar as pessoas que estão por lá, alegando que está na verdade destruindo seus laços com seu passado horroroso.

Tem gente por aí que tem nome que parece saído de um filme de Hollywood… É tanta sorte ter pais que pensam não só no seu futuro acadêmico, mas também nos futuros problemas que um nome estranho pode ocasionar.

Meu nome, por exemplo. Eu até estou satisfeito com ele, tive sorte. Ele é em homenagem a um grande amigo de meu pai, quase um irmão para ele, que morreu ainda na juventude. É um nome forte, mas que também já me ocasionou frustrações por ter diminutivos completamente infelizes e ser também o nome de um famoso cantor “calliente” que vem desses países lá da America central.

E quanto aos parentes?

Putz, certo é que você sempre vai ter parentes realmente estranhos e vai ficar pensando com seus botões se na verdade você não acabou sendo adotado por esta família. Eu faço o tipo reservado, distante, e meus parentes parecem um bando de foliões e prolixos faladores de porcarias ininterruptas.

E todo mundo que vive nesse nosso Brazilzão tem algum tipo de parente estranho, algum tipo de louco, aquele tio que faz piadas completamente sem graça e fica achando que você é burro e não entendeu a piada, por que você não riu, quando na verdade você está realmente pensando em o quanto você pode machucar ele com um prato. Aquela tia barraqueira, que chega à sua casa fazendo escândalo e alertando os vizinhos quanto a sua presença. Aquele primo sequelado, mano do Rap, que se acha o bonzão. Talvez mais um tio que vai lá e coloca comida no seu prato sem que você veja, e quando você pergunta, ele com a maior cara de pau diz “Nah, capaz, porque eu ia fazer isso?”, sendo que ele faz isso desde que você tem 4 anos de idade. Tem também a avó que vem e te dá um daqueles beijos completamente desnecessários e aperta as tuas bochechas dizendo “Como tu tá grande, parece que foi ontem que eu limpei as tuas fraldas”. Tem também um outro tipo de tio, o pior deles, mas também o mais engraçado, que fica desesperadamente tentando se enturmar com você e com seus amigos, quando vocês somente querem ser deixados sozinhos e sem nenhum tipo de contato com alguém muito mais velho que vocês.

Nossa família serve para muitas coisas. Na maioria das vezes só para nos constranger diante da maioria das pessoas e nos fazer parecer com cara de idiotas diante de nossas namoradas, mas eles sempre estão aí pra te ajudar. Porém, seria bastante útil se nós tivéssemos uma espécie de entrevista pré-concepção, para firmarmos um contrato e escolhermos os nossos parentes. Isso com toda a certeza nos pouparia de milhares de situações constrangedoras ao longo da nossa vida e nos pouparia de chacotas ocasionais.

~ por Legião em Março 3, 2008.

Deixe um comentário