Abril 2008


If I lay here

If I just lay here

Would you lay with me and just forget the world?

Forget what we’re told

Before we get too old

Show me a garden that’s bursting into life

Snow Patrol – Chasing Cars

 


 

 

Just some time pass by me

Just some things escapes my eyes

Just some people ignore my words

 

Just some time I spend on my own

Just some things fade from the eyes

Just someone escapes from my mind

 

Just some thoughts I would like to forget

Just some words that I regret

Just some acts I would like you never see

Just some time pass trough me.

 

Just the rain on my side

Just the sun keeps me blind

Just the silence oppress my words

Just the memory keeps my walls

Just in time, soon you see

That just one people I wanna see

 

Just no one I would like to be

Just myself

You and me

 

Just so late for me to be

The person who a really wanna be

 

Just yourself now

Away from me

 

In time we would see

That no one

Not you and me

Would come back in time

So let I be.

 

Late in time then you will see

There is no time left for me.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu os vi, vi sim. Eram sete. Todos vestidos como se fossem de algum tipo de tropa, com coletes e armas. Todos andando pelas ruas escuras da cidade. E então eles começaram a pichar aquele símbolo na parede. Foi quando eles nos notaram e começaram a atirar. O Frank e o Sid levaram tiros [som de choro]… e… e eles estavam ali gritando por ajuda, mas eu… o que eu podia fazer, eu não queria morrer.. eu tive que correr o mais rápido possível.

Eu achei que fosse algum tipo de gangue nova dominando a área, e por isso não vim aqui [som de choro]… mas, então, eu vi as noticias, e todas aquelas pichações. E eu tive de vir aqui, por eles…

Bob Thornton

Usuário de cocaína, punguista e acusado de homicídio.

Em gravação para a polícia de Chicago.

Pelas ruas o pânico tomou conta das pessoas, o caos ocorre por todo o lado, como nunca antes visto. Alguns dizem que é o apocalipse, que o fim está próximo. O governo declarou estado de emergência por todo o estado de Nevada.

Apenas as luzes de lampiões continuam acesas por aqui neste momento. É inacreditável. Todas as pessoas decidiram sair de suas casas para presenciar. As luzes agora tomam conta do céu. O dia nasce hoje a meia noite… Oh Meu Deus… O que… [estrondo].

Joshua Lee

Jornalista desaparecido durante o incidente Nevada 05.

Nós estamos nos estágios preliminares da maior batalha que a raça humana já presenciou. De diversas maneiras, a maior e última batalha que a raça humana já travou.

Eu digo a todos que neste presente momento nós não temos nada mais a oferecer a vocês do que sangue, suor e lágrimas. Nós temos a nossa frente apenas a escuridão da batalha. A nossa frente muitos meses de luta e sofrimento.

Você se pergunta qual é nosso objetivo? O que nos faz agir em um momento como esse?

Eu posso responder-lhe com apenas uma palavra: Vitória.

Vitória a todo custo. Vitória independente do quão longa ou sofrida seja a estrada que escolhemos para tê-la. Porque sem a vitória, não há sobrevivência.

Hoje, a Iniciativa se faz viva. E para todo o sempre lembrada. Se somos a raça dominante neste planeta moribundo, então devemos mostrar nosso valor, e não sermos apenas vermes se alimentando dos frutos roubados de uma árvore em decadência. Devemos, mais uma vez, fazer por merecer nossas vidas neste lugar sagrado. Devemos, mais uma vez, aprender a olhar as estrelas e não apenas as luzes. Devemos, mais uma vez, sermos humanos e não apenas humanóides.

Se é apenas através de sofrimento que nós, seres humanos, mostramos nosso valor, então, nós vos damos com prazer, o grande sofrimento.

O Projeto Manhattan tem inicio esta noite…. [chiado]

Mr. Orange.

Em comunicado a Nova York, minutos antes do Evento 0.

Por todo o vale [chiado] luzes apagando. Temos uma visão privilegiada e ao mesmo tempo aterrorizante do evento que se desfralda por todo o estado. Há alguns minutos atrás, recebemos noticias de que Washingtom declarara estado de emergência, de que Nova York fora vitimada. Há noticias chegando do outro lado do mundo relatando acontecimentos parecidos.

A chuva cai forte em toda a nossa cidade e conforme as luzes se [chiado] não temos a certeza de que um dia voltarão. [chiado]

Agora posso ver ao longe os clarões que cada vez mais se aproximam de nossas casas. A escuridão toma conta do vale agora. É questão de minutos.

Só posso dizer que agradeço a todos que estiveram comigo durante todo esse tempo. Agradeço aos meus filhos [chiado] a Paula minha esp… [chiado].

Esse foi Steve Wayne, direto de Chicago.

Que Deus abençoe a América, e que tenha misericórdia de nós…[chiado].

“… e eles criaram essa nuvem negra sobre eles que é a guerra.

E quando pingos caem sobre seus ternos eles gritam uns para os outros:

Ei, está chovendo…”

Veja também:

* A Brand New Day.

O que é ter sucesso?

Sucesso é ter grana o bastante para gastar e não se preocupar, ter tempo pra vadiar e um trabalho pra voltar, uma mulher com quem se quer estar, uma casa pra morar, um carro para andar, uma bela guitarra para tocar, folhas para desenhar e países para viajar?

Sim, é isso sim. Isso de certa forma é sucesso. Não é sucesso como o do Michel Jackson ou da Madonna, mas ainda assim é sucesso. De uma forma fútil, mas ainda assim.

Mas, no fundo todos nós somos nesse sentido fúteis. E nossas visões de sucesso, ao menos em alguns daqueles pontos, convergem para o mesmo lugar, para as mesmas palavras. Sendo você homem, mulher ou um tiozão de 50 anos solteiro.

Dinheiro, veículo, mulher.

Três palavras e apenas isso, mas que rendem muitos anos de trabalho árduo e sacrifícios. Claro, isso se você não for um príncipe do petróleo ou filho da Jolie e do Pitt.

Mas no âmago da palavra, ao menos na minha mente deturpada, sucesso significa a não mediocridade. Significa ser único, diferente, pensante, ambicioso.

Ambição e mediocridade são, claro, assuntos bem recorrentes em minha mente e em minhas conversas com amigos. Pois que não é que nossa sociedade atual preza pela mediocridade das pessoas, ajuda com isso até.

Pense bem, vamos colocar em um contexto bem simples.

Tem um garoto em sua sala de aula que é um nerd. Um cara que estuda muito, conversa pouco. Sabe aquele tipo que todo mundo jocosamente chama de CDF. A maioria das pessoas tiraria sarro desse moleque e o perseguiria durante todo o tempo, tornando a mera existência dele na mesma sala de aula de vocês um inferno.

Por quê?

Porque ele não é exatamente o protagonista da novela das sete ou o ganhador do Big Bundas Brasil. Ele nem mesmo freqüenta academia ou vai ao shopping durante uma tarde inteira para comprar as roupas da moda em uma lojinha de surf.

Vê o que eu quero dizer? A nossa sociedade preza pela massificação das pessoas, pela banalização do pensamento, pela criação de uma geração rasa e vazia. Por um povo diferente do que no século passado gritou por diretas já, se opôs a guerra, pensou na paz, lutou por direitos.

Em todo o lugar aonde vamos, em todo o canal que olhamos, em toda a rádio que ouvimos vemos essa tentativa de massificação do povo. São programas de TV descerebrados, propagandas sem sentido, sem motivo, são pessoas sem conteúdo, sem cultura.

E cultura, ou exatamente a falta dela, é que faz com que nossa sociedade atual ande com pernas resolutas, mas de olhos fechados.

Em nossa atual infra-estrutura social, o máximo de cultura que o povo busca está em páginas da revista Capricho, da Fluir ou no programa do Sr. Santos.

Claro que o meu conceito de cultura pode ser ligeiramente divergente do resto da molecada que por ai está, não é mesmo? Por que afinal pra mim, música de verdade é blues, jazz, clássica, rock, e não o monte de lixo que se ouve por aí. Pra mim, significa ler clássicos e não qualquer livro que Dan Brown ou o Paulo Coelho escrevam. É ver uma TV que possa me passar algo novo, um filme bom, ou apenas alguma sacada inteligente, e não algo que apenas mostre uma mulher cujo apelido faz referência a uma melancia, e que agora será um modelo de pessoa a se seguir pelas jovens de nosso país, muito embora ela não saiba nem mesmo quem era Alexandre, e se o conhece é o Frota.

Minha noção de cultura parece um pouco distorcida, não é?

O ponto de tudo isso que eu estou dizendo é que, ao que parece, hoje em dia não existe mais a ambição de se ampliar os horizontes, de se conhecer mais, de ser mais.

Se eu quero dinheiro e um trabalho legal? Sim, eu quero. Um carro pra andar e uma casa pra morar? Sim, gostaria muito.

Mas ainda assim eu busco o conhecimento. E é triste que eu tenha que me voltar ao passado para desfrutar de algo novo, pois não há nada no mundo atual que valha cinco minutos de minha atenção. E realmente o tanto de informação que possuímos, criadas nos dias de hoje, não compete de forma nenhuma com o que se tem no passado de nossa humanidade. Ao menos em qualidade. Aprender com professores como Sun Tzu, Freud, Napoleão, Heródoto e tantos outros é realmente bem diferente do que buscar iluminação no Zorra Total.

O que nos falta hoje em dia é ambição. Não somente daquelas três coisas citadas alguns parágrafos acima, mas mais do que isso. Falta-nos pensamento individual, nos falta deixar de lado a massa, nos falta deixar de ser iguais.

Somos nosso próprio deus, somos os atores principais de nossa história, somos o centro de nosso universo. Somos – ou deveríamos ser – únicos e não deveríamos nos contentar com os papeis coadjuvantes que tentam nos relegar, porque podemos ser mais do que isso. Podemos ser mais sempre.

Nem todo mundo vira rock star, mas isso não nos impede de comprar guitarras.

“…all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness…”

John Hancock

Sentiu um corpo trombar com o seu enquanto andava desnorteadamente entre o fluxo de pessoas da Rua Baker. Não conseguia encontra nenhum ponto de referência que pudesse lhe localizar ali, naquele caos. A rua estava lotada por todo o tipo de pessoa. Desde turistas em busca das pirâmides, passando pelos vendedores de quinquilharias que a todo o momento queriam vender alguma inutilidade que os estrangeiros achariam linda para poder se exibir diante de seus amigos burgueses, chegando até as dezenas de senhoras que vendem petiscos de todos os tipos, instaladas no meio das calçadas ou em uma das centenas de tendas que havia pela rua. O mercado árabe. Literalmente uma Babilônia aglomerada em uma única rua.

Estava desnorteada, procurando um local onde pudesse entrar para pensar por alguns segundos. Mas não sabia o que fazer. Tinha certeza de tê-lo visto, ali, a alguns metros dela, a observando atentamente, os olhos verdes em chamas. A paixão cega.

Havia saído de seu país por sua causa. Por causa da carta. Sabia o que acontecia com quem a recebesse. O triste fim que as aguardava, um fim sem nenhum tipo de pressa. Um encontro marcado. Ele era um Devorador, como ele mesmo dissera a ela em algumas das sessões. Lembrava-se das palavras, da expressão em seu rosto. Da paixão. E de como tudo aquilo ficava ecoando em sua cabeça a cada momento.

Lembrava-se de como aquela expressão serena de homem austero se transformou rapidamente em um rosto animalesco, disforme, brutal, e de como quase não escapou com vida do consultório naquela tarde.

Mas porque ela?

Não havia nada que pudesse tê-la feito entrar em sua lista, ou seja lá o que for que ele tinha em sua cabeça. Distúrbio de personalidade, lembrou ela. Foi o que disse aos médicos após o período de avaliação. Lembrou-se de ter apelado para que tomassem cuidados, para que não o mantivessem junto de outras pessoas, para que lhe tratassem como deveria ser tratado. Um homem doente.

Riram da cara dela, os policiais e seus colegas. Era apenas mais um marginal. Mais um dos milhares que havia espalhados pelas ruas, um dos desafortunados. Ela sabia que não estava errada, nunca. Não ela. Eles estavam errados, quem eram aqueles que ousavam discordar de seu laudo. Ela que era reconhecida em tantos lugares. Logo ela.

Olhou por cima do ombro e notou o chapéu, em meio à multidão, no espaço entre uma pessoa e outra, e correu, esbarrando nas pessoas, derrubando quem estivesse em seu caminho. Caiu para dentro de uma tenda, onde um homem conversava com uma jovem garota. Notou o olhar enfurecido do homem e tentou uma desculpa qualquer na língua nativa, enquanto se esgueirava por debaixo do pano que compunha os fundos da tenda.

Olhou a frente e notou as escadarias de um hotel barato e imediatamente correu para seu interior. Sentia-se um pouco tonta agora. A adrenalina corria por seu corpo. Suas mãos tremiam, sua boca estava seca, seus pensamentos velozes.

Subiu rapidamente pelas escadas de madeira, ouvindo o barulho de seus sapatos ecoando por todo o local. Tirou-os e segurou-os com as mãos. Corria ainda, mas tendo o cuidado de fazer menos barulho possível.

Terceiro andar.

Ela se escorou no corrimão para descansar por alguns segundos. Sua cabeça rodava vertiginosamente e sua visão estava um pouco turva. Não tinha almoçado e provavelmente sua pressão estava baixa. Precisava respirar.

Porque ela? Talvez por ter recusado ajudá-lo em sua caçada? Ou por ter dado seu endereço ao FBI?

Ouviu o som de sapatos subindo calmamente as escadarias. Olhou para baixo, para tentar ver alguma coisa, mas devido à luz escassa e bruxuleante somente notou o volume negro que subia as escadas. Mas sentia que era ele. Só podia ser ele. Desde o começo das sessões ela tinha a estranha sensação de ter sido escolhida por ele. Ela dentre todos. Mas não era difícil notar-se porque era ela…

Correu mais uma vez, em direção a janela aberta que dava diretamente para o prédio ao lado. Dava graças a deus pelos arquitetos de terceiro mundo fazerem prédios tão próximos. Soltou os sapatos e saltou para a varanda próxima.

Sentiu a vertigem atingi-la em cheio enquanto ainda estava no ar entre os dois prédios. Sentiu suas mãos falharem ao segurar o corrimão da varanda e seus olhos escurecerem no momento em que sua cabeça atingiu o chão já dentro do prédio ao lado.

Sentiu o liquido quente escorrendo-lhe pelos cabelos e viu a mancha carmesim que estava espalhada pelas lajotas brancas do banheiro.

Abriu a porta e estava agora em um corredor. Uma residência parcamente mobiliada. Apenas o necessário, pensou ela, ou apenas o que se conseguiu obter naquele fim de mundo.

Andou devagar enquanto andava pelo corredor. Seguindo em direção à escada que levava para o andar de baixo, prestando atenção para qualquer ruído.

Teria ele a incluído na lista por ela ser rica? Queria ele seu dinheiro? Não. Esse tipo de louco não está atrás disso. Lembrou-se de como ele falou certa vez sobre como ela tinha obtido suas posses e de como deveria sentir orgulho de tudo que havia conquistado com os anos de estudos e serviços prestados, os prêmios e o reconhecimento dentro do mercado.

De certo, em sua cabeça, ele pensava que ela não merecia esse tipo de coisa, esse tipo de vida. Deveria ter em algum lugar escondido em sua mente algum tipo de comunista revolucionário ao extremo.

Seus joelhos tocaram o chão, ela sentiu mais uma vez as mãos falharem. Estava fraca, deveria ser por causa da exaustão e da falta de sustento. Ouviu um barulho vindo do andar de cima e então acordou.

Tentou se apoiar em um criado mudo que estava próximo, mas só conseguiu fazer com que ele virasse junto dela quando caiu no chão. O barulho deve tê-lo alertado, pensou ela. E então cambaleando ela se dirigiu para uma porta próxima. Podia ouvir seus passos descendo as escadas, em segundos estaria aqui. Tinha algo prendendo a porta. Ouviu do outro lado alguém falando alguma coisa, mas não conseguia entender. Gritou por socorro. Ele agora deveria estar nos últimos degraus, já podia senti-lo olhando para ela. E foi então que viu um clarão.

Notou os pedaços de madeira que subiam acima de sua cabeça. Os buracos feitos na porta, os olhos aterrorizados da mulher do outro lado. E os olhos furiosos do homem com uma espingarda.

Ele deu mais um tiro. E ele caiu no chão a algum metros da porta.

Ele devia ter fugido pensou ela, quando ouviu o grito da mulher. Deve ter sido isso. Mas agora ela estava protegida, ele não podia mais pegá-la. Não. Agora tudo ia ficar bem.

Tudo ia ficar bem.

The first time is the most difficult.

Every time is the most difficult.

Sin is small black larvae,
squirming among the vegetables,
maybe in the mashed potatoes.
perhaps among the green beans.

It is slimy, dark and fast.

It is sightless, but still searching,
even at the end, for a host.

It can be trapped with a fork,
captured with a spoon.
It should never be sliced with a knife.

Sin has no taste.
The sin you eat for others,
for those recently deceased,
it has no taste.
It does, however, have texture and movement.

After you have eaten,
do not think upon what you have done;
Don’t fear being alone.

Remember no one is without sin,
no one, not even you.

Na ciência, os opostos se atraem

No horizonte, os paralelos se encontram

Na vida, olhares apenas se cruzam

Eu não quero ser nada mais

Apenas tudo o que eu posso ser

Eu não quero nada além

De tudo o que eu quero ter

Mas quando cada buraco parece um abismo

Desistir é fácil

Difícil é viver a vida e o seu oficio

Sedutor é ser quem vemos no espelho

É fazer palavras realidade

Mentiras sinceras

Ou verdades ociosas?

Where do we go, who knows?

But each day gets better

I just can’t let her go, oh no

Each kiss gets sweeter

I just can’t leave her, no

I’ll write a song

I thought about it for far too long

But I’ve never had someone to sing about

Until I met her, now each day gets better

Nobody knows, nobody sees

Nobody else understands me like she

Now that I know what true love means

I just hope she stays with me

Eu acabo de assistir a dois filmes. Sim, sessão direta. 3 horas e um pouquinho deitado assistindo a dois filmes. Dois pontos de vista, duas histórias diferentes, com protagonistas diferentes, mas com um mesmo tema, o amor.

Claro que falar de amor é sempre falar de um tema bem clichê, batido. Que serve principalmente para fazer com que raparigas achem que você é sensível e os caras te achem um babaca.

Mas os filmes em questão, não só tratam de amor, mas ainda por cima tratam de outro grande tema, outro grande pesadelo. Eu diria ainda outra Grande Muralha da China, o casamento.

Pra mim esses dois assuntos são como as tábuas da lei. Algo que supostamente deveria existir, mas que de certa forma a gente não liga muito, sabe como é.

Minha posição quanto a esses assuntos é a de que o amor em si é insano e de que o casamento é uma prisão. Um barco no meio do pacifico a 300km da costa, com um furo no casco e cercado de tubarões tigre que não comem há três semanas.

Eu penso dessa forma com relação ao casamento hoje em dia, sem claro levar em conta o amor, a loucura. Porque ela muda tudo. Ela é o caos, o imprevisível de nossa vida. Ela é aquela garota legal da livraria que te convida pro café, é a viagem a um outro país para as férias. No amor até mesmo o mais bravo dos espartanos baixa a guarda, e onde o mais invicto dos garanhões treme na base. Até mesmo Conam, o Bárbaro se rendeu ao amor certa vez. Claro que ele não deixou de decapitar pessoas, roubar cavalos e salvar donzelas seminuas, mas ele estava ali, pronto a fazer qualquer coisa por sua rapariga.

E esses filmes me fizeram pensar um momento sobre o que eu estava falando todo esse tempo. Sobre a minha posição claramente cimentada em um lado não a favor do casamento. E de como Murphy pode achar extremamente engraçado me fazer sofrer por causa dessa minha opinião. Porque afinal, como eu disse algumas vezes, nada no mundo é escrito em pedra (tá, tem até algumas coisas e tal, mas deu pra entender).

Nenhuma posição é sempre a mesma para sempre, nenhuma opinião é firme o bastante para resistir aos ventos de mudança. Não estou dizendo que mudei de opinião, veja bem. Ainda acho que o casamento é a maior braça furada de todas, a única festa que tu sabe que no fim tu vai se dar mal de alguma maneira.

Mas imagine que você ama alguém tanto que chega a doer só de pensar em estar em outro lugar, com outra pessoa. Gosta tanto que não queria fazer outra coisa se não estar ao lado dessa pessoa, mesmo que para fazer bosta nenhuma, e essa pessoa sente o mesmo. Você com certeza gostaria de passar o resto da vida com essa pessoa. Claro.

O problema disso tudo é que “para resto da sua vida” realmente pode significar muito tempo (e nunca tenham uma sogra chamada Esperança). E quando as coisas ficam do mesmo jeito durante muito tempo (leiam de novo um parágrafo acima), elas tendem a mudar (não necessariamente para algo bom), a desgastar e por fim a ruir (vide Roma, a Trilogia Star Wars e a revista do Hulk).

Quando a instituição do casamento foi criada, sei lá a quantos séculos atrás, era com certeza mais fácil ser casado (tá, tirando que a noiva não escolhia nada, nem o marido). Porque naquela época as pessoas viviam até no máximo 30 e poucos anos, ou seja, “o resto da sua vida” ou o “até que a morte nos separe” realmente era bem aceitável, porque não era realmente muito tempo.

No nossa sociedade atual, essa instituição de casamento deveria ser reestruturada. Deveríamos ter algum tipo de inovação, sabe? Sei lá, vai que alguém por ai resolva fazer que nem os clubes fazem com jogadores, comprem os contratos durante algum tempo, primeiro para teste, e depois se estiver tudo bem, eles continuam renovando os contratos e tal. Mas, se no fim do tempo de contrato não der certo, todo mundo sai cada um por uma porta e volta a viver a sua vidinha normal, em busca da nova contratação.

“…quando algo pode dar errado, dará errado.

Quando algo não pode dar errado, dará errado.

Das coisas que tem a mínina chance de darem errado, algumas darão”

Se para você sobreviver durante três dias em casa, sozinho, com nada mais do que R$ 30,00 na carteira é fichinha, você deve estar querendo partir para o próximo nível na escala dos solteiros que fazem gambiarras em casa, a famigerada e feliz: Festa da casa liberada pelos seus parentes sequelados o bastante para deixar a chave da casa na sua mão.

Mas você tem que saber que, assim como passar um finde em casa solito, fazer uma festa na sua casa, na qual a policia não vá bater e que não faça ninguém alertar os parentes para a barulheira que está ocorrendo, exige certa habilidade. Financeira, eu digo.

Imaginemos que, da mesma forma que no post da sobrevivência, você tem exatos R$ 30,00 para passar o finde e para fazer a tal festa acontecer. Sua estrutura então vai ter que atender a alguns pré-requisitos básicos antes que você possa passar para o planejamento em si do seu apocalipse feito em casa.

Pré-requisitos para a festa:

* Ao menos R$ 30,00 pila sobrando de grana no finde.

* Uma casa com ao menos um banheiro, um quarto e uma sala espaçosa ou jardim.

* 4 amigos que deverão ficar sóbrios.

* A garantia de que seus parentes não irão voltar bem no momento em que você conseguiu fazer com que aquelas duas gêmeas chinesas sigam para o quarto com você.

* Uma câmera digital.

Tendo ao menos os requisitos acima preenchidos, você poderá partir para o próximo passo, que é: Dividir as funções dos seus amigos sóbrios.

Cada um desses seus amigos deve ser escolhido a dedo para cumprir uma função dentro da festa. E também para contribuir com as eventuais despesas que possam aparecer.

Seus amigos:

1- O homem dos contatos;

Se você mesmo não possui todos os contatos necessários para que a sua festa lote de pessoas ensandecidas, esse é o homem que vai te ajudar. Ele é o tipo de pessoa que tem 999 amigos no Orkut, que não entra online no MSN para não ser assediado, e que tem dois celulares para não ter incomodação com a namorada.

2- O homem da condução;

Sua importância se deve ao fato de que você, em uma eventual crise (vulgo, falta de bebida), vai ter que rapidamente ir até o supermercado para comprar alguma coisa bastante etílica para saciar os ébrios presentes em sua festa. Também servirá para o leva e traz de suprimentos pré-festa.

3- O porta;

Poderíamos chamá-lo também de leão-de-chácara, pois este é o cara que vai garantir que o caos não se instale na sua festa por causa de uma eventual briga entre pinguços ou porque você acidentalmente assediou a namorada de um professor de jiu-jítsu.

4- O vassoura;

O mais menosprezado de todos, mas que tem uma importância tão grande ou até maior do que a de todos os outros. Pois esse é o cara que vai no outro dia, logo de manhã, te ajudar a dar uma geral na casa, a limpar os cacos de vidro e vai varrer o vômito que se infiltrou por debaixo dos móveis, porque algum lunático resolveu embebedar uma garota muito sensível, que por sua vez resolveu que o seu quarto serviria muito bem de latrina (triste, mas já aconteceu).

Pronto. Agora também com nossa tropa escolhida por critérios meticulosos podemos, por fim, prosseguir até a parte mais esperada por todos os bêb… quer dizer, amigos presentes: A visita ao supermercado.

Essa visita é uma das partes mais críticas de todo o planejamento e exige muita calma, concentração e força de vontade, pois todos nós sabemos o quão atrativos podem ser todos aqueles rótulos brilhantes e todas aquelas garrafas com cores e líquidos diferentes.

Todos nós sabemos quão tentador pode ser gastar R$ 15,00 em uma garrafa de Orlof e mandar o resto se virar com aqueles vinhos de caixinha com nome de padre ou frei escritos na frente… Tá, talvez não todo mundo.

Na hora da compra das bebidas, você deve levar em conta qual é o objetivo da festa. Se você quer que todo mundo fique louco, vá até a atmosfera em cinco minutos e depois passe a noite inteira caindo pelos cantos e/ou se catando. Ou se você prefere uma festa onde todo mundo vai dar uma bicada aqui, ali, acolá e ali de novo, mas poucos vão ficar doidos e dançarão pelados no jardim, mas que muitos estarão sóbrios o bastante e ainda mais suscetíveis a trovas fracas e convites maliciosos.

Se você escolher levar adiante a primeira opção de festa, meu conselho é que você compre destilados e coisas com alto teor alcoólico, tais como: Vodka (^.^), Whisky, Absinto (não o verde, por favor), Gim, Rum, cachaça e qualquer coisa que custe de R$ 7,00 até R$ 12,00. Abaixo desse valor por qualquer bebida destilada você vai beber puro álcool etílico. E isso nunca é bom, vai por mim. Nunca beba doses de vodka que custem 2 reais, nunca.

Agora, se você escolheu o segundo tipo de festa, não há erro, pois a coisa que mais vai render e que agrada mais pessoas no Brasil é a cerveja. Então é só você comprar bastante cerveja, calculando em média (tirando os seus amigos pinguços), 3 cervejas para cada indivíduo e isso lhe dará uma margem boa de quanto deve ser comprado. Você não deve esquecer ainda que existem pessoas que não gostam de cerveja e preferem algo um pouco mais forte, então você deve ter em seu estoque ao menos uma ou duas garrafas de algum destilado qualquer.

Em ambos os tipos de festa, você não deve esquecer de que tem de comprar algum refrigerante para que possam ser tomados junto com alguma bebida mais forte, para aqueles que não bebem nada alcoólico ou para aqueles que já tomaram tudo o que você tinha em casa menos a água da máquina da lavar e precisam agora de alguma coisa que não os deixe mais alucinados.

Bom, terminada mais essa etapa da sua missão, você deverá então estocar as coisas em algum lugar onde caibam todas e que possa ser acessado rapidamente por você ou por seu braço direito. E deverá por fim iniciar a preparação da casa para receber os seus convidados.

Mas, antes disso, você deve pegar a sua câmera digital e tirar fotos de todos os cômodos da casa e da disposição de todos os móveis lá presentes. Assim como todos os enfeites, cortinas e badulaques que possam haver no local.

Depois disso, você deverá dar uma geral na casa. E eu não estou falando de limpar o chão, de por papel no banheiro (embora seja essencial) ou de limpar o pátio. Mas, sim, de retirar toda e qualquer coisa que possa ser engolida, introduzida, quebrada, mordida, lambida, quebrada e até mesmo afanada por alguma pessoa mais entusiasmada que freqüentar o local.

Seguidos todos esses passos, você já deve então ter uma casa pronta para receber todos os seus convidados. Deverá ter bebida gelada para mantê-los e também a segurança de que sabe onde colocar todas as coisas que você retirou de lá, sem que seu avô pergunte por que o pingüim que ficava no topo da geladeira agora está na estante. E ainda tem o Staff necessário para fazer com que isso não se torne um caos doméstico fora de controle.

Dicas adicionais:

* Sempre tenha alguma bebida de reserva guardada em algum local escondido de todas as mãos trêmulas.

* Não deixe nenhum tipo de instrumento pontudo ao alcance de algum dos seus amigos bêbados.

* Não chame menores de idade para a festa com o perigo de ser processado depois, pelo pai advogado de alguma delas.

* Sempre tenha um saco de café em casa, pois além de ser bom para manter acordado, também serve para você jogar por cima dos dejetos de um regurgitador, pois seu cheiro abafa o cheiro nojento de vômito que possa ficar.

* Retire os lençóis das camas também.

* Ter uma pessoa adicional no seu Staff que saiba fazer algum tipo de drink também não é nada ruim.

Eu estava aqui tentando dormir, sozinho em trevas.

Foi quando um som cortou o véu negro da noite.

As sombras do tempo me abatiam mais uma vez…

Um olhar surgiu, embora eu o tenha ignorado.

Alguma coisa já não era mais a mesma naquela hora.

Hora maldita! Hora em que eu buscava por respostas.

Em todos os vãos e em cada vácuo.

Aquelas sombras insistiam em atrapalhar meu raciocínio, afinal de contas, já não era mais possível distinguir o real do abstrato.

Isso me perturbara.

Minha cabeça doía.

Como se cada fio de cabelo tivesse feito uma revolução.

Eu os sentia crescer no passar de cada segundo.

Tempo esse que tomava forma gradualmente.

Uma forma humana envolta em um vazio.

Senti um calafrio no espírito. Aos poucos as coisas tomavam luz.

E o meu medo se escondia outra vez.

À medida que as coisas se iluminavam mais, me faltava algo.

De repente eu estava pesado, sem cor e sem brilho como uma pedra no fundo de um poço.

As saídas eram as mínimas possíveis (como se houvesse saída…).

Ao que, surpreendentemente a luz me sorriu.

Meu corpo, já rubro e podre, então sentiu o hálito da morte, cujos dentes amarelos preparavam-se ansiosamente para me abraçar para todo o sempre.

Perguntei-me naquele instante… O que fui eu?

Por Maurício

Hoje eu acordei

E olhei o mundo ao meu redor

E nada era igual ao que parecia

Cada palavra tinha um significado oculto

Cada gesto tinha uma quarta intenção

Cada pensamento, um objetivo

E assim fico eu

Em meio às pessoas e às palavras

Aos gestos e pensamentos

Um tolo

Sem alento, sem sustento

Inerte, quase ébrio

Indiferente e diferente

Um tolo, mas só em pensamento.

Cara, como eu tenho certeza que muitas mulheres nesse momento devem estar pensando em como ter uma bula com formas de precaução, compostos químicos e contra-indicações facilitaria elas na lida diária com homens, na hora de escolher um parceiro, ou seja lá cargas d’água o uso que vocês possam dar para algo desse tipo.

Outras, no entanto, com a qual eu simpatizo mais acham que ter algo desse gênero facilitaria demais à coisa, que deixaria sem aquele gostinho de mistério, de medo, de ansiedade…

E existem aquelas mulheres que não se preocupam tanto com esse tipo de coisa, pois dizem que nós homens somos todos iguais, farinha do mesmo saco… e estas estão em parte corretas.

Sim, ora. Nós homens somos como computadores comprados todos na mesma loja. Saímos com a mesma programação inicial, mas com o tempo que se passa, cada um é modificado com as experiências que o mundo lhe proporciona (mijar em pé, destruir coisas com mais de duas peças, desarrumar tapetinhos, não saber usar a maquina de lavar… etc).

Se você observar durante ao menos cinco minutos, verá padrões nos comportamentos masculinos e conseguirá ver o padrão que é sempre seguido, verá os instintos básicos que religiosamente respeitamos.

As duas coisas que movem os homens hoje em dia basicamente são o sexo e o dinheiro (não necessariamente nessa ordem).

Vocês podem estar dando uma risadinha e pensando “ah, eu já sabia disso”, mas a verdade é que vocês acreditavam que nós éramos movidos por algumas coisas a mais do que isso ao longo da nossa vida. Que nós de alguma forma tínhamos algum tipo de nobreza, ou sei lá o que suas cabecinhas podem ter pensado sobre nós.

Mas pense bem, observe aquele seu amigo bem próximo e os padrões no comportamento dele. Tente observar através de alguma superfície reflexiva ele olhando a sua retaguarda quando você se vira. Tente notar para onde ele olha quando está de óculos escuros e você de decote. Leia novamente aquela frase no MSN que você achou engraçadinha e você verá a triste verdade sobre nós homens, finalmente.

Que até mesmo aquele seu amigo que dorme com você só de pijama, e que você considera um eunuco, quer também tirar uma casquinha de você. E ai daquele homem que vir aqui e disser que isso é mentira. Eu não posso mais ser silenciado. E no fundo, você sabe muito bem que é verdade. Você sabe que seus instintos animais são o que guiam você. São eles que fazem com que você se aproxime meigamente de alguma garota. São eles que fazem você entrar no MSN toda noite. São eles que fazem com que você vá à padaria quatro vezes ao dia para comprar pão e disfarçadamente “trovar” a guria da padaria. São eles que fizeram que você imaginasse se o perfume Avanço funcionava e fazem com que você queira ter os poderes de controle mental do professor Xavier. São eles que fazem com que você finja ser religioso para se apro…err… quer dizer, tudo tem limite.

Então, para os homens, eu digo: comecem a admitir a verdade na frente de vocês. E, para as mulheres eu digo: comecem a ler os padrões. E mais uma coisa, o meu MSN está na lista de contato.

It’s good to be back.

Você já se sentiu sem poder algum? Sentiu como se nada do que você fizesse interferisse de alguma maneira no mundo a sua volta? Você já se sentiu impotente sob a opressão que todos os dias eles nos impõem?

Nós todos nos sentimos assim.

Tivemos que nos esconder, nos disfarçar durante anos, para que pudéssemos passar despercebidos entre toda a multidão, entre toda a falange na pensante que nos cerca, que nos oprime a cada segundo.

Durante anos fomos tratados como se fossemos nada mais do que párias, perambulando pelas ruas ou escondidos em nossos refúgios. Durante anos, o ódio e a indiferença recaíram sobre nós. E muitos se perderam em meio à confusão e a dissolução de nossos ideais. Perdemos nossa unidade política. E logo nossa união espiritual e ideológica também.

Você possui uma herança não material, mas que fez de você diferente desde o momento em que você nasceu. Você nunca se enquadrou neste mundo, sempre sentiu que havia algo ali, após a esquina, mas por muito tempo você, com medo, só aguardou.

Você pode estar pensando que não tem nada a ver com isso, que não sabe nada sobre nenhum de nós. Mas você é um de nós.

Você sabe que no fundo você veio ao mundo para que pudesse realizar grandes feitos, não para que passasse despercebido na multidão. Veio para ser grande, não mais um número em algum registro nacional. Veio para comandar, não para ser mais um animal, em meio a uma grande manada, manipulada, dissecada e decadente.

Os sinais estão aí para você ver. Eles, por meio da loucura e políticas venenosas, nos tornaram uma nação devastada e fraca. Mas é neste momento baixo, em que nos sentimos como se o peso do mundo estivesse em nossas costas e que pode nos esmagar a qualquer momento, que nós recebemos o apoio daqueles que também acreditam no mesmo futuro que nós acreditamos. Pessoas que da mesma forma se sentiram impotentes diante dos desafios do mundo e que quase desistiram, assim como você.

Nós somos uma família, uma nação. E da opressão, ódio e indiferença nasce a nossa união. Nós somos a noite, os prédios, somos a maquina viva que move o mundo mais uma vez, as estrelas que cobrem os céus e a mão que forja a espada.

Somos os gritos das ruas, os sons da noite, a brisa gélida e a neblina que encobrirá os pensamentos. Somos o caos, a inconstância de todas as coisas. Mais uma vez e pela última vez.

Eu estou lha dando uma oportunidade, mas eu só posso fazer isso, mostrar-lhe a porta. O resto depende exclusivamente de você.

Então, você gostaria de ver algo incrível?

Estou sempre nas ruas. Estou sempre nas noites. Sempre dentro de você. Quando você menos espera, eu apareço. Naqueles momentos em que você quer mandar todo para os ares. Ou quando surge à sua frente o seu mais profano amor. Se você anda naquela rua sem luz e as pedras do chão reluzem molhadas de chuva e ao longe você vislumbra uma silhueta.

E você pensa: somos apenas dois nessa rua. E você não tem idéia da besteira que acabou de pensar, pois eu leio os seus pensamentos. Eu também estou aqui. Estou num lugar onde você não pode me ver, mas pode me sentir…

Você se segura o que pode. Tenta pensar em nada. Mas quanto mais se esforça pra esvaziar a mente, mais as suas pernas tremem e o seu sangue corre rápido. Você me vê no escuro. Você me ouve no silêncio, mesmo quando fecha os ouvidos. Você me sente no grito do seu assassino, que brande a arma com convicção até que minha gêmea venha lhe buscar…

Você ignora a minha existência. Mente sobre mim. Chama-me de prudência. Humanidade, cautela, solidão… Mas como falar de mim, sem sequer conhecer a si mesmo…

Sou sereno, calmo, vingativo. Atuo com o instinto (a sua falta de instinto). Minha fúria é implacável e, acredite, eu tenho a faca pra cortar os cordões da tua significância.

Sou a mais profunda verdade. Por mais que você me esconda, eu sempre te surpreendo. Torturo-te por dentro e te aprisiono em pesadelos, te tiro o sono, te furo a alma…

Estou em cada lágrima tua. Em cada grito teu. Em cada suspiro que é empurrado de teu peito..Tranco tuas veias e o teu ar…travo os teus sentidos. Sinta-me e me faça feliz…

Não quero a tua dor, nem o teu sofrimento. Eu só quero a parte de mim mesmo que mora dentro de ti. Exala-me! Expele-me em teu suor e me beija! Traz-me de volta à tuas entranhas para que eu possa despertar outra vez…

Por Maurício



Sentada ela observava horrorizada a tela da televisão. Não poderia acreditar no que estava vendo. O que significava aquilo tudo. Quem tinha a ganhar com uma coisa como aquela. E como ela não notou nada de estranho.

Suas mãos tremiam diante do perigo que aquelas imagens significavam se fossem levadas a um tribunal. Ninguém suspeitava que ela, uma doce dama da alta sociedade, pudesse ter feito uma coisa daquelas. E com o próprio marido.

Desligou o televisor então. Atirando com fúria o controle remoto contra a parede e jogando no chão o aparelho de DVD, que se fez em alguns pedaços.

Observava agora os itens que haviam vindo junto com o DVD. Uma caixa de 2 metros de altura, por 1,5 de largura, de madeira lacrada e fortemente presa. E também uma faca de caça, enorme e aparentemente usada, por causa das marcas negras em sua lâmina e pelo desgaste do cabo.

Tentara abrir a caixa antes, sem sucesso. Então foi que ligou o DVD e assistiu ao conteúdo que a deixou quase em torpor.

Agora permanecia parada em frente à grande caixa, ponderando o que poderia ser feito, como poderia impedir esse DVD de chegar às mãos de mais pessoas. Talvez fosse apenas um chantagista atrás de dinheiro. E ela o daria. Isso e um pouco mais. E haveria o troco, em algum momento.

Ouviu então o momento em que a vidraça da janela a seu lado se quebrou, deixando entrar uma pequena bola de metal de cor escura. Durante alguns segundos, ela permanecera imóvel. Somente quando a granada começou a soltar gás lacrimogêneo foi que ela começou a correr para fora da sala.

Chegando ao corredor, olhou para trás. Notou uma forma escura assomando para cima da janela e espatifando o resto que havia sobrado da mesma.

Começou a correr para a escadaria do segundo andar em busca da porta que dá acesso ao escritório e à biblioteca de seu falecido marido. Entrou e imediatamente fechou a porta atrás de si.

A sala era aconchegante, lotada de livros de economia e direito por todos os lados. Uma lareira crepitava acesa à direita, enquanto à esquerda notava-se uma grande escrivaninha de carvalho negro.

Da sala podiam-se ver aos lados e abaixo a enorme biblioteca, que também servia como salão de troféus. A sacada do escritório dava acesso direto para essa para área adjacente, onde ficavam enormes prateleiras fixadas na parede, que compunham o segundo andar da biblioteca.

Correu em direção ao telefone para poder chamar sua segurança, mas notou apenas o silêncio que vinha da linha. A internet também não funcionava. Tampouco havia lembrado-se de pegar o celular no momento em que a vidraça se espatifou.

Notou o som de passos vindo pelas escadas e ficou imóvel observando a maçaneta da porta, calculando os passos de seu atacante, a espera de seu próximo movimento.

Lembrou-se do estande de armas que seu marido guardava no andar de baixo da biblioteca, e então se voltou para correr. Foi quando notou, do outro lado da sala, em mesmo nível que ela, um homem alto, de chapéu e com uma máscara de oxigênio no rosto. Usava um impermeável de couro negro totalmente surrado. E estava parado observando-lhe.

No momento em que ela fez menção de se mover em direção à escada que dá para a biblioteca, ele começou a correr em sua direção pela área da lateral do “mezanino”. Corria em uma velocidade incrível, mas não o bastante para conseguir pegá-la antes que já houvesse descido.

Ela agora corria em direção a um grande estande de armas de época, que ficava logo atrás de enormes prateleiras da biblioteca. Chegando ao local, notou que todas as armas estavam dentro de um grande armário, protegido por um espesso vidro fumê.

Esmurrou o vidro como quem estivesse zangada não com ele, mas consigo mesma.

Observou em volta, buscando algo que pudesse ser usado como arma de combate. Haviam por lá algumas facas e réplicas de espadas orientais, além de alguns tipos de lanças vindas da África.

Pegou uma pequena espada leve que encontrou repousando na bainha de um manequim samurai. E se pôs a andar cautelosamente, a procura de algum movimento que denunciasse seu perseguidor.

Postou-se ao lado de uma grande prateleira de livros e ficou a ouvir.

Notou o barulho de botas, calmamente andando na direção do estande, e então começou a fazer a volta por onde sabia que sairia atrás do homem mascarado.

Cautelosa e metodicamente ela foi. Passo a passo, centímetro por centímetro, até chegar a ver as costas do homem, alguns metros a sua frente.

Então ela começou a correr, empunhando a espada na direção do homem, para desferir-lhe um ataque mortal, mirando seu crânio.

Mas ele se virou. E ela notou em suas mãos uma pistola calibre 45, a mesma que ela e seu amante haviam utilizado no fatídico dia.

Ela sentiu então a dor e o sangue invadindo seu corpo. Cambaleou e caiu para frente. Não sentia mais o pé direito, apenas notava o sangue jorrando por onde a bala havia trespassado-lhe o tornozelo. A espada caira a alguns metros. E a chance de sobreviver, agora começava a diminuir. Tentou se apoiar em uma perna para se levantar, mas a dor fez com que desistisse da idéia no momento em que sentiu que iria desmaiar.

Ele então calmamente começou a andar em sua direção. E, com um sorriso no rosto, começou:

– Não queremos que você desmaie, queremos? Você perderia o mais interessante de nossa festinha. A parte em que eu faço com que você assista a mim, tirando as suas tripas, conforme você entra em choque, para depois não sentir mais nada, além do torpor que precede a morte.

Ele se aproximou mais e a pegou pela perna que havia tomado o tiro. Começou a arrastá-la em direção a porta que dava novamente a um corredor do primeiro andar e depois ao cômodo onde a bomba de gás havia explodido.

Ela começou a gritar no momento em que ele a tocou, pois a dor que sentia era excrucitante. A perna latejava e o sangue escorria por todo o lado. Seus olhos se enchiam de lágrimas e sua cabeça de ódio.

Foi então que ela notou um atiçador de lareira, próximo a porta da biblioteca. E no momento em que o homem passava arrastando-a pela porta, ela segurou em suas mãos o instrumento. Desferiu com fúria um golpe bem no meio das costas de seu algoz.

Ele vergou para frente, e imediatamente ela se arrependeu de tal ato, pois com um urro gutural, ele saltou em cima de seu corpo no chão, atirando o atiçador para um canto qualquer, e começou a desferir-lhe golpes diretos na cabeça. Em menos de um minuto, ela não enxergava mais nada. Apenas a escuridão tomava conta de seu corpo.

Acordou com um grito, saído de sua própria garganta, pois sentia o ferro quente a queimar-lhe a perna. Observou com lágrimas nos olhos, o momento em que o atiçador vermelho, por ter sido esquentado na lareira próxima, se afastava de seu tornozelo.

O homem jogou mais uma vez o instrumento para longe e se sentou em uma poltrona próxima a ela. Calmo como um psiquiatra, com a diferença de que uma grande pistola jazia em eu colo, brilhante e mortal.

- Eu não podia deixar você morrer por perdas de sangue. Qual seria o objetivo de fazer isso? – Disse ele.

- Objetivo? Você é louco por acaso? O que você quer de mim? Você veio me chantagear? Matar? O que você quer?

- Eu só quero que você me dê o endereço de seu namoradinho para que eu possa fazer-lhe uma visitinha após eu sair daqui. Pois assim como você, ele também está metido nisso até o pescoço.

- Quem é você? Você foi enviado pela família do Edward? É isso? Eu sabia que aquela vadia não estava acreditando.

- Não, eu não sou da família dele. E tampouco conheço essa que você chama de vadia. Mas como eu disse: o endereço de seu namorado, por favor. Ou você já fez com ele o mesmo que fez com o seu marido? Ah, desculpe. Ex-marido. Pois creio que pessoas falecidas não contam muito bem como cônjuges ativos, não é mesmo?

- Seu… – ela sentiu a dor voltar mais uma vez, como uma rubra onda que invadiu todo o seu corpo, e a fez quase perder os sentidos.

- Eu não tenho… Nenhum namorado, seu monte de merda.

- Nunca é uma boa estratégia tentar tirar do sério um homem como eu. Pois sabe como é, nós não temos muita paciência… Ou pena. E eu acho que você não necessita das pernas para me falar nada, não é mesmo? Ou seja, eu posso removê-las se eu quiser.

- Eu sei que você tem um namorado. Sei até mesmo o nome dele, ao menos o nome que ele deu a você. Sei também que vocês dois mataram o seu marido para que você pudesse ficar com toda a fortuna que ele arrecadou com todos os anos de trabalho duro. E sei que você não quer morrer nas mãos de um psicopata. É só me dar o endereço que eu vou para lá estripá-lo.

Ela o observou durante alguns segundos, tentando decifrar o rosto do homem que agora a ameaçava com uma faca. Não conseguiu ver nada. Talvez pela dor que sentia, talvez pela perda de sangue, ou talvez porque não tivesse conhecido ninguém tão perverso e insano nesse mundo. Alguém que ela não podia analisar.

- Você… Vai me deixar sobreviver…? Você só quer matá-lo? Não a mim?

Ele sorriu para ela por alguns instantes e se sentou novamente na poltrona, cruzando as pernas e acendendo um cigarro. Estava quase satisfeito.

- Sim, eu vou matar apenas ele. Eu prometo que, se você me entregar o local onde ele mora, apenas ele sairá morto essa noite.

- Eu… Eu… Se eu contar, como eu saberei que você não vai me matar? Você pode muito bem simplesmente me dar um tiro logo depois… – Ele sacou a arma, retirou o pente, entregou-o nas mãos dela, e puxou o cano da arma, fazendo com que a bala na agulha saltasse para fora do tambor. Puxou a faca de caça e a entregou também a ela.

Ela ponderou se não poderia fazer nada com as armas que agora possuía. Mas sabia no fundo que, contra alguém assim, esse tipo de coisa não faria muito efeito. E no estado em que estava não poderia tentar nada.

- Ora vamos, eu sei que você provavelmente já havia mandado matá-lo mesmo. Você tem muito a ganhar com sua morte também, afinal não terá que dividir o dinheiro com ninguém mais.

- Tu… Tudo bem… Eu conto. Contanto que você o mate de forma rápida.

Ele começou a rir de uma forma muito sombria. Parecia que ele estava zombando dela naquele momento. Viu quando ele se levantou, passou por ela e foi até a grande caixa de madeira. Em seguida puxou a faca que estava cravada na madeira e também um controle do bolso. A caixa então se abriu, mas ela não conseguia ver seu interior. Mas quando ele levantou de lá um grande saco preto e com a faca o cortou na borda, revelando um rosto familiar, ela entendeu o motivo.

O assassino tirou a fita que prendia a boca do homem que estava anteriormente preso dentro da caixa. Seus olhos estavam vermelhos de lágrimas e fúria. Ele não podia acreditar que a mulher que amava, a mulher pela qual ele havia matado, agora descartava a sua vida como se descarta um cão sarnento.

Ela olhava para ele em choque. Então o assassino sabia de tudo: do endereço de Shane, do plano, do dinheiro. E mesmo assim, em um retoque sombrio, a fizera concordar com a morte de seu amante.

Com a faca então, as cordas que prendiam as mãos foram tiradas e o homem se levantou.

- Sua… Sua vadia. Você ia dar meu endereço, minha cabeça a esse homem? Eu não acredito. Eu amei você. Fiz tudo o que você quis. Matei por você. E agora isso…

Ele ignorava o homem que agora circundava ambos, e que apenas observava os acontecimentos, como um jogador que já fez sua jogada.

- Você tinha mandado me matar já, como ele disse?

- Shane… Eu… Eu…- começou a chorar então, e começou a se afastar em direção a poltrona, para longe do amante.

- Fale-me, é verdade ou não?- ele pegou a faca que estava caída no chão- Vamos, me diga, eu quero saber!!!

- Shane, sim é verdade… – ela então pegou a arma que havia sido esquecida pela assassino no sofá, pôs o pente e então deu diversos disparos. Mas não antes que o homem tivesse saltado para cima dela com a faca em punho.

O sangue pintou o chão de vermelho. Ele caiu para o lado, em cima do colo dela, com três tiros certeiros no meio do peito. E ela agora via tudo escurecer devido a lamina que trespassava-lhe o ventre. Sentia o abraço doce da morte e a dor de perder tudo o que havia conquistado em anos, em apenas algumas horas. Seu marido, seu amante, seu dinheiro, sua vida. A ira e o egoísmo, agora nada significavam. De mãos dadas iam em direção a infinita escuridão.

Satisfeito, ele tirou a máscara e sorriu. O trabalho estava quase completo.