Sono Eterno.
Eu estava aqui tentando dormir, sozinho em trevas.
Foi quando um som cortou o véu negro da noite.
As sombras do tempo me abatiam mais uma vez…
Um olhar surgiu, embora eu o tenha ignorado.
Alguma coisa já não era mais a mesma naquela hora.
Hora maldita! Hora em que eu buscava por respostas.
Em todos os vãos e em cada vácuo.
Aquelas sombras insistiam em atrapalhar meu raciocínio, afinal de contas, já não era mais possível distinguir o real do abstrato.
Isso me perturbara.
Minha cabeça doía.
Como se cada fio de cabelo tivesse feito uma revolução.
Eu os sentia crescer no passar de cada segundo.
Tempo esse que tomava forma gradualmente.
Uma forma humana envolta em um vazio.
Senti um calafrio no espírito. Aos poucos as coisas tomavam luz.
E o meu medo se escondia outra vez.
À medida que as coisas se iluminavam mais, me faltava algo.
De repente eu estava pesado, sem cor e sem brilho como uma pedra no fundo de um poço.
As saídas eram as mínimas possíveis (como se houvesse saída…).
Ao que, surpreendentemente a luz me sorriu.
Meu corpo, já rubro e podre, então sentiu o hálito da morte, cujos dentes amarelos preparavam-se ansiosamente para me abraçar para todo o sempre.
Perguntei-me naquele instante… O que fui eu?
Por Maurício



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