O sucesso.
O que é ter sucesso?
Sucesso é ter grana o bastante para gastar e não se preocupar, ter tempo pra vadiar e um trabalho pra voltar, uma mulher com quem se quer estar, uma casa pra morar, um carro para andar, uma bela guitarra para tocar, folhas para desenhar e países para viajar?
Sim, é isso sim. Isso de certa forma é sucesso. Não é sucesso como o do Michel Jackson ou da Madonna, mas ainda assim é sucesso. De uma forma fútil, mas ainda assim.
Mas, no fundo todos nós somos nesse sentido fúteis. E nossas visões de sucesso, ao menos em alguns daqueles pontos, convergem para o mesmo lugar, para as mesmas palavras. Sendo você homem, mulher ou um tiozão de 50 anos solteiro.
Dinheiro, veículo, mulher.
Três palavras e apenas isso, mas que rendem muitos anos de trabalho árduo e sacrifícios. Claro, isso se você não for um príncipe do petróleo ou filho da Jolie e do Pitt.



Mas no âmago da palavra, ao menos na minha mente deturpada, sucesso significa a não mediocridade. Significa ser único, diferente, pensante, ambicioso.
Ambição e mediocridade são, claro, assuntos bem recorrentes em minha mente e em minhas conversas com amigos. Pois que não é que nossa sociedade atual preza pela mediocridade das pessoas, ajuda com isso até.
Pense bem, vamos colocar em um contexto bem simples.
Tem um garoto em sua sala de aula que é um nerd. Um cara que estuda muito, conversa pouco. Sabe aquele tipo que todo mundo jocosamente chama de CDF. A maioria das pessoas tiraria sarro desse moleque e o perseguiria durante todo o tempo, tornando a mera existência dele na mesma sala de aula de vocês um inferno.
Por quê?
Porque ele não é exatamente o protagonista da novela das sete ou o ganhador do Big Bundas Brasil. Ele nem mesmo freqüenta academia ou vai ao shopping durante uma tarde inteira para comprar as roupas da moda em uma lojinha de surf.
Vê o que eu quero dizer? A nossa sociedade preza pela massificação das pessoas, pela banalização do pensamento, pela criação de uma geração rasa e vazia. Por um povo diferente do que no século passado gritou por diretas já, se opôs a guerra, pensou na paz, lutou por direitos.
Em todo o lugar aonde vamos, em todo o canal que olhamos, em toda a rádio que ouvimos vemos essa tentativa de massificação do povo. São programas de TV descerebrados, propagandas sem sentido, sem motivo, são pessoas sem conteúdo, sem cultura.
E cultura, ou exatamente a falta dela, é que faz com que nossa sociedade atual ande com pernas resolutas, mas de olhos fechados.
Em nossa atual infra-estrutura social, o máximo de cultura que o povo busca está em páginas da revista Capricho, da Fluir ou no programa do Sr. Santos.
Claro que o meu conceito de cultura pode ser ligeiramente divergente do resto da molecada que por ai está, não é mesmo? Por que afinal pra mim, música de verdade é blues, jazz, clássica, rock, e não o monte de lixo que se ouve por aí. Pra mim, significa ler clássicos e não qualquer livro que Dan Brown ou o Paulo Coelho escrevam. É ver uma TV que
possa me passar algo novo, um filme bom, ou apenas alguma sacada inteligente, e não algo que apenas mostre uma mulher cujo apelido faz referência a uma melancia, e que agora será um modelo de pessoa a se seguir pelas jovens de nosso país, muito embora ela não saiba nem mesmo quem era Alexandre, e se o conhece é o Frota.
Minha noção de cultura parece um pouco distorcida, não é?
O ponto de tudo isso que eu estou dizendo é que, ao que parece, hoje em dia não existe mais a ambição de se ampliar os horizontes, de se conhecer mais, de ser mais.
Se eu quero dinheiro e um trabalho legal? Sim, eu quero. Um carro pra andar e uma casa pra morar? Sim, gostaria muito.
Mas ainda assim eu busco o conhecimento. E é triste que eu tenha que me voltar ao passado para desfrutar de algo novo, pois não há nada no mundo atual que valha cinco minutos de minha atenção. E realmente o tanto de informação que possuímos, criadas nos dias de hoje, não compete de forma nenhuma com o que se tem no passado de nossa humanidade. Ao menos em qualidade. Aprender com professores como Sun Tzu, Freud, Napoleão, Heródoto e tantos outros é realmente bem diferente do que buscar iluminação no Zorra Total.
O que nos falta hoje em dia é ambição. Não somente daquelas três coisas citadas alguns parágrafos acima, mas mais do que isso. Falta-nos pensamento individual, nos falta deixar de lado a massa, nos falta deixar de ser iguais.
Somos nosso próprio deus, somos os atores principais de nossa história, somos o centro de nosso universo. Somos – ou deveríamos ser – únicos e não deveríamos nos contentar com os papeis coadjuvantes que tentam nos relegar, porque podemos ser mais do que isso. Podemos ser mais sempre.
Nem todo mundo vira rock star, mas isso não nos impede de comprar guitarras.
“…all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness…”
John Hancock
~ por Legião em Abril 27, 2008.
Publicado em Graforréias e dissertações, Sarcasmo, irônia e humor-negro
Tags: cultura, dinheiro, falanje, ignorância, massa, mediocridades, mesmice, metas pessoais, povão, sucesso, sucesso pessoal


huauha
eu vou virar um rockstar.. .vc vai ver rs
“muito embora ela não saiba nem mesmo quem era Alexandre, e se o conhece é o Frota.”
hahaha muito bom.
é, eu gosto das tuas idéias.