Confissões de um Devorador de Pessoas.

Creio que uma parte de minha personalidade, que eu nunca quis aceitar, é a parte em que realmente eu sou um completo filho da mãe.

Acontece que eu sou um devorador de pessoas. Não, seu doente, não como nos filmes do George Romero e tal, nada a ver com zumbis comedores de carne. Muito longe disso. Muito embora um bom churrasco ainda me agrade.

O que acontece é que desde os meus 15-16 anos eu venho notado que realmente poucas pessoas ou poucas coisas tem sido estáveis na minha vida. Realmente muitas coisas passam, mas poucas realmente ficam ativamente em minha vida.

O que acontece é que eu sou um estudante em primeiro lugar. Há pessoas que estudam arte, há pessoas que estudam metafísica, há pessoas que estudam educação física (aff). Eu estudo pessoas.

Eu estudo as relações e reações das pessoas nas mais diversas situações, sob os mais diversos ângulos possíveis.

No sentido de estudar a pessoa, de conhecê-la, posso dizer que realmente eu sou um amante do ser humano. Eu entro ávido em uma nova relação, como algum gordinho que não come há três dias e, por assim dizer, devoro a pessoa em poucas semanas ou meses. Eu vasculho cada canto escuro de seu ser, cada poro seu me interessa, cada pensamento, cada palavra. Eu a faço ficar exaurida após cada sessão.

Eu analiso suas experiências, histórias, jeitos, fala… tudo. Eu traço um perfil, como se cada uma dessas pessoas em meu depósito mental tivesse uma caixa na prateleira que vai sendo preenchida conforme os estudos sobre ela avançam. E quando por fim a caixa esta cheia, eu simplesmente a guardo no lugar e avalio o que eu consegui tirar de tudo isso.

Sendo assim essa pessoa realmente não é mais vital ao meu ser como era em alguns momentos antes. Por isso eu posso simplesmente descartá-la e passar para a próxima.

Não é que, no fim, eu seja um completo imbecil com essas pessoas. Eu simplesmente perco o interesse por elas. E, por fim, as deixo de lado. Como qualquer um de vocês faz com qualquer pessoa hoje em dia, só que eu faço isso com um objetivo, e não somente por que eu sou um idiota. Para mim, depois que eles são estudados eles são como aquele filme que já foi visto, aquele jogo que já foi completado. Simplesmente entediantes.

De certo, o que eu faço não é diferente do que os médicos para a cabeça fazem, só que eu simplesmente não passei anos da minha vida sentado em uma classe ouvindo como fazer isso. Eu aprendi o que sei através da experiência prática. In the Battle Field.

Se formos analisar o meu caso, eu posso dizer de que de certa forma eu passo a viver a vida delas. Cada detalhe fica vívido em minha mente, pronto para ser usado em algum momento propício.

Assim como o escorpião que morreu afogado com o sapo por tê-lo picado, eu digo: É apenas a minha natureza.

Você ficou espantado. Não seria o primeiro, mas é como eu digo. Você queria a verdade ou uma coisa bonita? E olha, que por experiência eu posso dizer: A vida não é nada bonita.

The Big Brother.

~ por Legião em Maio 12, 2008.

3 Respostas to “Confissões de um Devorador de Pessoas.”

  1. oh, babe, isso foi tão ’sacável’ desde sempre.

    The Big Sister (ah tri idiota)

    _
    na verdade eu já escrevi sobre isso, talvez mais indiretamente (foi num dos últimos posts). e quando a gente falava da história de ser parede isso aí conta bastante. e eu acho tão compreensível, mas meeesmo.
    as garrafas esvaziam e as caixas enchem tão depressa. o.o
    :*

  2. achei suas palavras por acaso, estou na faculdade em pesquisa sobre a música rosa de hiroshima, mais foi surpreendente…se vc gosta de desvendar as pessoas, pense no pq alguém busca segamente a si mesma?e pq não desejaria viver?

  3. Olha Patrícia, quanto ao não desejar viver, eu diria, ao menos em tese, e baseado em minha experiência com pessoas que tem depressão, e com mais alguns emos que há de ter um grande trauma sentimental por tr´pas disso.

    Porque afinal, ninguém acorda de manhã em seu estado normal de conscência pensando:
    “bem, vou tomar meu café, dar uma corridinha na acadêmia e acho que antes do almoço sobra tempo ainda para uma tentativa de suicidio ou algo do tipo”.

    Eu lembro sempre que nossos sentimentos são nossos grandes alaidos, e o que nos diferencia dos animais quanto a raça, e também o que nos molda como sociedade, mas por outro lado também são nossos grandes inimigos. São eles que fazem com que nós machuquemos a nós mesmos e aos outros.

    Sendo assim, continuo a dizer que uma experiência traumática, como uma grande desilusão ou o caceta a quatro, pode levar a pessoa a no fim ( motivado pelos sentimentos, já que eles sempre se sobressaem sobre a razão) possa vir a pensar que aúnica saida da situação em que se encontra no momento seria essa. A morte.

    Eu por exemplo sou totalmente desiludido com o mundo atual, com as banalidades, com a massificação dsad coisas, com pessoas razas e de pensamento banal, mas de forma alguma eu tiraria minha prórpia vida por qualquer coisa, ou qualquer pessoa. Eu prefiro enfrentar tudo, e buscar uma solução a ser covarde e puxar a alavanca de emergência.

    Mas como eu disse, sentimentos vão sempre vencer a razão, e isso é o mais perigoso de tudo em nossa vida.

    Agora quanto a buscar a si mesmo loucamente, eu sonceramente não vejo nenhum problema com isso. Claro, se eu entendi bem o que tu quis dizer né.

    Eu gosto de conhecer as pessoas, porque no fundo, eu passei bastante tempo me conhecendo, e sabendo do que eu sou capaz. Não feri ninguém no processo claro.

    Mas acho que a explanação pra isso fica para uma outra hora, ou outro post, porque meu comentario parace que já vai estar grande o bastante.

    Boas perguntas.

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