Junho 2008



“[...] Há duas classes de homens, os homens livres e os escravos; o homem nasce escravo de suas necessidades mas pode libertar-se pela inteligência. Entre os que são libertos e os que o não são ainda a igualdade não é possível. À razão compete reinar, aos instintos obedecer. De outro modo, se derdes a um cego outro cego para conduzir, cairão ambos no abismo. A liberdade, não o esqueçamos, não é a licença das paixões libertas pela lei. Esta licença seria a mais monstruosa das tiranias. A liberdade, é a obediência voluntária à lei; é o direito de cumprir o seu dever e só os homens razoáveis e justos são livres. Ora, os homens livres devem governar os escravos, e os escravos são convidados a libertar-se; não do governo dos homens livres, mas desta servidão das paixões brutais, que os condena a não existir sem senhores.”

Eliphas Levi

O livro da Lei.

Eu admito cada um dos meus defeitos, e me apego também a eles com afeto. Não sou exatamente o tipo de pessoa que fica se lamentando por ser assim ou assado. Simplesmente somos.

Mentiroso? Sim, podemos dizer que sim. Mas creio que tal época já tenha ficado para trás ao menos. O engraçado em falar isso, é que se em primeiro momento eu admito uma coisa dessas, possivelmente a afirmação de que não vejo motivo em mais ser assim, vai também ser tomada como uma breve omissão da verdade.

Nós homens mentimos sim ( grande novidade), e mentimos na maioria das vezes por causa de sexo ( ou mais especificamente para consegui-lo). A famosa trova.

Mas enfim, o que eu realmente estou tentando visualizar mesmo, é o quanto uma verdade pode ser tão duvidosa quanto uma mentira mal contada.

Mas qual a diferença entre uma verdade e uma mentira?

Bem, creio que eu já tenha cansado de falar,( inúmeras vezes para mim mesmo), que não existe realmente para um ouvinte uma prova que sem duvida ateste veracidade de um fato.

Tudo mesmo se resume a pericia do locutor, sua desenvoltura ao falar.

Já contei mentiras de diversas formas, e de diversas formas diferentes elas foram 3ncaradas como verdades,então posso com certeza atestar minha própria afirmação.

Mas algumas vezes, ao contarmos alguma coisa que realmente aconteceu, devido a forma de contarmos, e os meios também usados, ela pode parecer a mais descarada e mal executada mentira. Falcatrua.

Porque eu digo isso.

Bem, vejamos. Hoje eu me lembrei duma história logo cedo, de quando eu trabalhava para um terrível e inescrupuloso provedor de internet ( Terra), e tinha acesso a dados muitíssimos importantes de empresas e de pessoas físicas ( CPF, RG, endereço, telefone, Cnpj, numero do cartão, conta em banco…), e por causa disso, certa vez um tio meu me chegou com a proposta de que eu lhe passasse os dados de algumas pessoas ( tipo, umas dezenas de pessoas), para que ele pudesse usar os dados de alguma forma. E para me convencer ele me disse o seguinte: Cara, com esses dados a gente pode até tirar uma moto zero pra ti.

Óbvio que o que ele quis dizer foi: “Cara, com os dados de outra pessoa, nós podemos fingir ser ela, e comprar alguma coisa, e no fim a conta vai para ele, já a moto a gente trampa pra ti.”

Não preciso dizer que eu ando de ônibus, pois mesmo admitindo que por muitas vezes eu sou um canalha amoral ( como me disse um amigo ) eu jamais faria algo desse tipo, pois de forma alguma eu gostaria de prejudicar outra pessoa por minhas ações, sem que ela merecesse.

Enfim. Ma então eu contei essa história para uma pessoa, mas depois eu fui me lembrar da historia, e da forma como eu repassei para a pessoa e percebi que ao menos ao meu ver, aquilo foi a maior mentira inventada para se gabar de alguma coisa aleatória.

Irônico não é?

Que uma verdade possa ser tomada como uma mentira dessa forma tão ingênua.

Não quer dizer que a outra pessoa tenha achado que o que eu contei foi uma mentira, mas ao menos para mim, que sou uma pessoa desconfiada das coisas, devido a maneira mal executada que a história foi contada ela já seria tomada dessa forma.

Isso demonstra exatamente a minha afirmação de que não existe uma diferença palpável, apenas a habilidade, ou nesse caso a falta dela.

Eu minto, tu mentes, ele mente, nós mentimos, todo mundo mente, até a sua avó.

Mas algumas vezes ( e mais uma vez digo isso por experiência) mentir é mais fácil do que dizer a verdade.

Eu não estou falando daquele monte de porcaria de ferir os sentimentos de outra pessoa e tal, mas sim de como algumas vezes as pessoas preferem acreditar mesmo em uma mentira, do que encarar a verdade. Porque as vezes não somos “nozes” (lembra? Arverezes?) que criamos as nossas máscaras, mas sim as pessoas ao nosso redor.

Você sabia que o nosso cérebro demora menos de 10 segundos para criar um pré-conceito de uma pessoa que você acaba de conhecer? Isso é a primeira impressão. E como dizem, ela realmente fica durante muito tempo. O que quero dizer então é que de certa forma nós muitas vezes somos enganados por nosso mais fiel (não o de todo mundo) amigo (não o cachorro), o cérebro.

Viu? Todo mundo mente.

Mas digo que o exercício de enganar as pessoas só é valido mesmo, quando não tentamos enganar a nos mesmos também.

Você pode inventar por diversão para o pipoqueiro que você veio de Berlim ( e pode fazer aquele sotaque alemão tosco), e isso vais ser algo que você vai poder contar à alguém e rir. Mas se você começa a inventar um super-herói de si mesmo, é melhor você saber que no fim do dia não importa se você foi Bruce Wayne, Bruce Lee ou Bruce Dickson, você alguma hora vai ter que voltar para a sua vidinha miserável, a sua realidade, de onde você nunca vai sair porque não tem coragem de mudar. O fundo do poço é escuro e cheio de anti depressivos.

Lembrei de uma frase que há muito tempo não vinha a minha cabeça:

” Seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo” ( eu sou o rei das frases de porta de banheiro)

Nossa, texto pra baixo. Bem, acho que já chega de discutir meu defeitos por essa semana. Nas semanas seguintes passaremos para o mau-humor, sarcasmo, humor negro.

Ps. Não vou editar esse texto.

Nego que te amo

Mas nego em silêncio, para que não me ouças.

Porque quando te amo

Amo baixinho, ao pé do ouvido.

Pois meu amor é como a brisa

Que farfalha as folhas das árvores no inverno

Passageiro, mas queima, arde

Fugaz, assaz, furioso.

Como uma tempestade em dia de verão

Que dura dias, talvez horas

E nada mais.

Feliz nesse momento.

20.000 visitas Weeeeeeeeeeeeeee

Para o alto, alééééém.

Muito embora o dia dos namorados já tenha passado, ele com certeza marcou a todos nós independentemente de termos uma namorada (ou namorado, vai saber).

Os que possuem namorada nesse momento devem estar sentindo uma leveza, a falta de alguma coisa. E na grande maioria das vezes se deve a falta de pelo menos 50 reais se você for um namorado que gosta de mimar a sua garota, 50 se você gosta de sair com ela e de fazer alguma coisa romântica, ou 10 reais se você pensar que nem eu. Alguns outros tipos de homens podem ainda sentir essa leveza por alguns meses a mais do que os outros, no que chamamos de prestação. O que de qualquer forma não é recomendado fazer.

Por quê?

Ora, porque digamos que você vai lá e escolhe algumas coisinhas que você vai gostar, e outras que você acha que ela vai gostar o que dificilmente acontece, a não ser que você compre o que ela quer, o que também raramente acontece. O fato de não comprarmos o que vocês querem é porque n maioria das vezes nós não estamos prestando atenção ao que vocês dizem e acabamos concordando com tudo. E claro, esse tipo de atitude pode gerar inúmeros problemas, como o fato citado acima, da sua garota não gostar do presente, passando por algumas situações constrangedoras envolvendo lingerie e a sua garota (ficou claro quem vai estar na lingerie?), e fugas de igrejas.

Mas enfim, continuando.

Você então foi lá e comprou aquelas coisinhas legais que um pé rapado que nem você só poderia comprar em trezentas vezes de X R$ e acabou dando tudo pra ela acreditando que sue amor estaria feliz, e que vocês ficariam juntos pelo resto da eternidade, e caminhariam ao pôr-do-sol, andariam de pedalinho na redenção, comeriam algodão doce no parcão…

Beeeeeeerrrrr…errado.

Duas semanas depois vocês entram em acordo e acabam o namoro. Ela entra com o pé, e você com a bunda. Então daí você percebe que ainda tem um zilhão de prestações para pagar daquelas tranqueiras que você comprou pra ela, mas quem na verdade vai aproveitar mesmo aquela outra “coisinha” que você comprou é o Ricardão ali do lado (sem trocadilhos, por favor).

Sacou o que quis dizer?

Não que eu ache estritamente necessário algo especial nessa data. Afinal é apenas mias uma daquelas datas inventadas para fazer com que você gaste aquele seu precioso dinheirinho que você economizou para aquela edição especial de GTA IV em alguma coisa bonita, cara e que provavelmente não vai ficar com você.

Claro que é bem difícil de convencer as garotas desse ponto de vista, principalmente se elas acabaram comprando alguma coisa para você. Então a não ser que você se garanta com algum tipo de desculpa (ou faça como um amigo meu que terminou o namoro uma semana antes, e depois de passado o dia voltou com a garota (Juro *)) vale apena dar uma passadinha no 1,99 ou no camelô mais próximo.

Claro que o dia dos namorados não se resume a presentes. Como todos os outros dias ele também é sobre:

Sexo.

Claro, para todas aquelas pessoas arroz com feijão hoje é um dia especial. Mas se você realmente comemora esse dia como um dia especial ele ainda é mais do que isso, ele é um dia onde você vai pensar apenas naquela outra pessoa que faz com que sua grana suma, com que sua conta de telefone aumente, com que sua mãe brigue para que você saia do PC, e com que você comece a saber como são ruins os atrasos. A sua namorada. Ah tri.

E para as pessoas solteiras o que sobra?

Sobra um dia de mau-humor, maldições, dor de cabeça, raiva reprimida e no fim algum filme com a Julia Roberts, ou a Sandra Bullock. Ou se você escolher pelo lado que ignora esse dia como data festiva (o que te obriga a ignorar também a Páscoa, Natal e o dia das crianças dependendo da sua idade), você pode simplesmente escolher ir beber em algum lugar lúgubre e acordar no outro dia abraçado na privada, ou com alguma coisa deitada do seu lado. Grandes opções.

A verdade é que se você tem alguém que realmente gosta, não deveria celebrar isso apenas no dia dos namorados, e sim em todos os dias possíveis. Se você não tem namorada, compre Crysis e seja feliz.

Crysis.

Eu não sou tão velho assim, mas de qualquer forma eu me lembro de algumas coisas as vezes que fazem parecer. E os trapalhões é uma delas com certeza.

Talvez o único programa da televisão brasileira, sem ser da TV a cabo, ou a TV colosso, que eu realmente gostei de assitir quando era moleque. Talvez até mesmo por isso eu tenha gostado tanto. Porque eu era moleque.
Bons tempos creio eu. Um tempo onde o Didi era engraçado, e onde as pessoas ainda não estavam saturadas dessas porcarias humorísticas que estão soltas por ai.

É velho, talvez brega, mas é clássico. Bem, ao menos pra mim.


(Foto roubada)

Why do you want me to be what I could never be?
Why do you want me to act like I was another man?
You always say I’m crazy, then why do you stay with me?
Oh, tell me why…

Julie delpy


Cínicos? Sim cínicos, isso é o que nós somos. Claro além do costumeiro egoísmo e ambição, e em alguns casos, mente pequena.

Seres humanos, ou quase isso já que nem sempre somos tão humanos assim, mas isso não me cabe discutir nesse parágrafo.

Eu já falei tantas vezes sobre nossas máscaras e sobre a nossa ignorância, sobre a nossa massificação e sobre nossas mentes pequenas, mas todas elas, assim como essa foram muito mais um exercício de revolta mental do que realmente um grito a plenos pulmões para que todos ouvissem.

Pois afinal em uma país em que a grande maioria da população não lê nem mesmo um livro por ano, não posso eu esperar que vão ler ao menos uma linha desta escrita torta e por vezes tortuosa.

Poderia se dizer que eu estou pregando moral de cueca, pois afinal eu admito ter todos os tipo de vícios que um ser as vezes humano tem durante a sua vida. Every single one.

Esses dias, dentre todas as coisas na qual eu observava sobre as nossas relações humanas, posso dizer que uma chamou mais a atenção de meu pensamento do que as outras. Foi a nossa capacidade de sermos cínicos uns com os outros. De certa forma é algo com a qual convivemos no nosso dia a dia, algo com a qual estamos acostumados, mas como bons seres humanos, e bons cidadão, e para alguns bons cristãos, é totalmente impensável assumir que façamos algo desse tipo. Pois afinal todo mundo é bom, todo mundo é certo. Por isso que as cadeias estão cheias não é mesmo?

Orgulho? Sim, também. Aquele balãozinho que fica do nosso lado, e cresce conforme as pessoas puxam o nosso saco, ou aquela garota linda dá mole. Mais um pecado, mas o que é um dentre um exército?

Mas continuando, eu estava me lembrando da forma como nós nos tratamos, todos aqueles “bom dia, como vai você”, sendo que nem mesmo queremos saber nada da pessoa, todas aquelas conversas sobre como vai a família, como vai a vida, o famoso “será que chove?”.

Entendem aonde eu quero chegar?

A frente das pessoas nós as amamos, mas por trás fincamos facas, bloqueamos coisas internetescas, viramos a cara e fingimos que não vimos.

E porque tudo isso? Não seria mais fácil simplesmente chegar e dizer algo para nos afastarmos? A verdade uma vez na vida?

Claro que não seria. Falar a verdade na sociedade onde vivemos é apenas a saída de emergência, quando nada mais funciona. Hum, será que somente eu vejo o problema nessa afirmação acima? Só eu acho que há algum tipo de inversão de idéias na nossa sociedade.

Talvez sim, talvez não, mas como eu disse: Apenas um exercício de revolta mental, não um grito a plenos pulmões.

Talvez isso fique entre mim e o blogue, ou entre mim e você, ou talvez isso ultrapasse nós dois. Quem sabe?

Isto é a História de uma longa conversa. Contínua e eterna enquanto os que nela dialogarem forem iguais aos de agora.

Ares está na sala, dorme o merecido sono dos inocentes. Asmodeus está no quarto, tenta descobrir o último nome de Deus. Relaxa os dedos das teclas da velha máquina. Confuso e exausto, acende um cigarro e fecha os olhos. Pouco depois, o som da máquina de escrever interrompe o silêncio:

“Esta letra A será escrita exatamente agora:”

“A”

De repente, A cresce. Treme desconfortavelmente e cresce. Em um instante já cobre as outras letras com seu tamanho, até que descola da página e infla, toda preta e triangular.

Aeu, Asmodeus, atônito, ando até a ala. Alá! Antevendo Aleph ali, acordo Ares. Assustados…

Os dois saem da casa moderna e miram a hipnótica A. Sua ponta quebrou um lado da casa, felizmente, porém, foi contida pelo concreto armado em ferro. Passado o perigo, Asmodeus e Ares continuam o diálogo:

- A fumaça helênica chega em todos os lugares, caro Ares. Invade toda fenda, através do tempo. Ela queima. Palavras são engolidas, músicas emudecem: a informação borbulha virtualmente e estupidamente, evaporando do mundo real.

- Informação é poder, revolução contra-apocalíptica, as cidades vazias previstas não serão construídas.

- Construída será então a barbárie, camarada. O poder deve ser evocado do passado, estabilizado. Autoridade terrena não manda no meu terreno.

- Ipsis litteris, comerciante oriental, mas não entenda mal. Não haverá barbárie, ela será sufocada. Amemos o conhecimento e esperemos. Fique com seus irmãos e seu Deus – os escravos são meus.

- Virtus et fortuna? Chega! Nego-me a ver teu deus. Em um tempo ao Oeste já fomos irmãos, isto não é lógico?

Param. Asmodeus apaga o cigarro. Olha a lua. Olha Ares. Este olha para a casa. Olha os chifres do Alpha e sente por um instante um delírio. Seria o início o fim de algo, e este fim um novo início? Se assim for, este algo é o único? Talvez então uma coisa seja todas as coisas. Um homem, todos os homens.

Meu nome é Thomas, e esta é a primeira vez que eu escrevo para um blog. Um amigo meu há bastante tempo tem um e vive me falando de como é bom ter um para poder se livrar de alguns pensamentos que ele não ousaria dirigir aos ouvidos de ninguém.

Eu acabo de me mudar para a cidadezinha de New Haven em função do inicio das aulas de verão. Estou cursando o terceiro semestre do curso de física. Nem bem eu desempacotei minhas coisas nesse pequeno hotel e eu já estou escrevendo.

O hotel onde estou vivendo nesse momento é o local mais barato que eu encontrei em toda a região, e ainda por cima tem uma grande vista de um pequeno bosque em meio a um vale. Eu vivo no que vocês podem chamara de sótão do local. Mas na verdade é realmente um quarto que não era usado há bastante tempo por nenhum hóspede.

Dizem que neste hotel as bruxas refugiadas de Salém viveram durante certo período, mas o que veio a acontecer a elas depois disso ninguém parece saber, ou ao menos não parecem muito inclinados a compartilhar.

Eu fiquei sabendo do local através da internet quando procurava por acomodações baratas na cidade já que não tenho família por aqui e a faculdade no momento não dispõe de quartos extras. Foi então que conheci Denise.

Ela é filha da dona desta pousada e me enviou algumas fotos do local para que eu pudesse avaliar melhor.

Começamos então a conversar através da internet e eu conheci então minha atual namorada. Ela é uma garota incrível e sem inibições. Fez-me todo o tipo de pergunta que uma pessoa normal acharia embaraçosa de responder. Linda, extrovertida, simpática… realmente eu não posso poupar adjetivos quanto a falar sobre esta garota.

Há, eu possuo um cão chamado Marley. E não, não é em homenagem ao cantor de reggae ou ao cachorro daquele livro, mas sim ele é um labrador. Um alegre e desastrado labrador que no momento acaba de abrir uma caixa com as minhas coisas.

Mais tarde eu volto a escrever sobre como é o local e o pessoal daqui.

- Sabe cara eu estava pensando nas pessoas.

- Como assim?

- Ah sei lá. Sabe no quanto as pessoas gostam de estar no escuro sabe, de nãos saber das coisas. É aquilo de que algumas vezes é melhor ignorar certas coisas em função da felicidade. E de certa forma só somos felizes se formos ignorantes, como se o conhecimento trouxesse a infelicidade.

- Por isso que o Brasil é o país da alegria né?

[Risos]

- É cara, e isso me indigna muito, pois as pessoas daqui têm valores completamente diferentes do que seria o coerente de se ter. Parece que a única coisa que importa para eles é: Carro, grana, e bunda, e não cultura e conhecimento, que de certa forma podem lavar você a ter qualquer uma dessas três coisas.

- É cara, inteligência é um afrodisíaco né? Por isso que ce é um gatão disputado.

[Risos]

- Idiota.

- Ah cara, tu tem que entender que cultura é relativa para as pessoas sabe. Veja bem, o que eu quero dizer é que o que pode ser útil para você pode não ser para outras pessoas cara. Por exemplo, toda essa sua mente esta cheia de regras de RPG, histórias em quadrinhos e nomes de sites pornográficos cara. O que com certeza pode ser considerado inútil para outras pessoas. No nosso mundo tudo depende de um ponto de vista. Uma coisa pode parecer ruim para você, diria até mesmo abominável, como a comida da sua mãe, mas para outras pessoas pode parecer maravilhosa, como para você. É tudo uma questão de ponto de vista. Não existe somente o preto e o branco no nosso mundo, não estamos dentro de um gibi da Marvel, ou de um filme de duas horas de duração. Não, na vida é tudo uma grande escala de cinza.

- Nós seres muitas vezes humanos somos estranhos mesmo. Tipo, eu não entendo todo esse nosso cinismo cara sabe?

- Tipo, o jeito como lidamos uns com os outros cara. Nós fingimos que gostamos das pessoas e na verdade não gostamos metade do que realmente aparentamos e mais do que gostaríamos. Todos os sorrisos, os “bom dia”, os acenos e conversas sem conteúdo. Sabe, eu não entendo porque nós não somos simplesmente verdadeiros e ficamos só com as pessoas que nos interessam.

- É por esse tipo de coisa que te chama de anti-social cara.

- Ah meu, o que as pessoas não entendem é que eu não sou anti-social com todo mundo. Apenas com elas.

[Risos]

- Ah cara, é que eu não suporto ter que falar de frivolidades com alguém que eu não quero conhecer.

- Cara, por pior que pareça a nossa sociedade se baseia apenas no cinismo, ambição e egoísmo. Nós todos fingimos que somos amigos, fazemos planos com outros para ganhar alguma coisa, mas pensando em guardar no fim, todo o lucro para nós mesmos.

- Se todo mundo fosse que nem o Capitão América ou o Aranha cara, o mundo ia ser uma completa chatice. Tudo muito calmo, tudo igual, da mesma forma não teríamos sobre o que conversar cara em algum momento. O que nos faz nos dar bem um com o outro, eu acho, é que somos na verdade seres marginalizados. Não da forma “Ei mano, eu sou d gueto…porque nois aqui da quebrada se juntemo…”, mas de certa forma marginalizados por aceitarmos outro tipo de cultura e conhecimento do que a sociedade que nos rodeia considera pertinente.

[Risos]

- Ah cara, sabe. Nós quadrinhos é que os nerds que nem nós sempre se dão bem meu. Tipo o Capitão, o Aranha, o Hulk… Todos eles eram nerds cara, mas se tornaram os mais tris heróis.

- É cara, concordo com o Capitão e o Aranha cara, mas o Hulk meu? Tipo cara, ele é verde. Verde… e burro.

- Mas ele pode destruir uma cidade meu.

- Mas pra que? Tipo, o capitão é super forte e é um símbolo de justiça e tal, o Aranha é o cara simpático, forte, o amigão da vizinhança, e ambos podem usar os poderes para impressionar as garotas, e sei lá, salvar a cidade. Mas cara, eu não acho que se tornar gigantesco, burro e verde seja uma das coisas mais sexys do mundo…

[Risos]

- Mas a Bettie Ross é gatona cara, e é apaixonada por ele.

- Aff.

- Tu falou sobre o símbolo que é o Capitão cara, e sabe eu me lembrei duma coisa que eu tava pensando sobre o conceito dele.

- Tipo, o cara tinha uma vida lá em 40, na época em que ele foi convidado a tomar o soro do super-soldado. Então ele fez parte do experimento e passou de nerd da qual nós falávamos a maior arma americana contra os chucrutes. Virou esse símbolo e depois “morreu”.

- Então ele voltou à vida novamente uns 50 anos depois cara, em uma época totalmente mudada, diria até mesmo em um mundo novo. A era da inocência já havia passado, e o que sobrou foi somente a nossa sociedade. Egoísta, cínica e ambiciosa, sempre atrás de lucro, e tendo como o seu maior império capitalista destruidor de mundos, o seu país de origem, pela qual ele lutou por tantos anos na segunda guerra.

- E?

- Tipo, o cara representa um mundo que não existe mais cara. Tudo o que ele é tudo pelo que ele lutou um dia morreu cara. O país pelo qual ele lutou se tornou um dos maiores vírus para o planeta em que vivemos. Imagina como ele deve se sentir todos os dias em que acorda cara, sabendo que ele é apenas uma arma de anteontem, que os ideais pelo qual ele luta já foram extintos? Ele tem tudo para ser uma das pessoas mais amarguradas e ranzinzas cara, mas ao invés disso ele resolve se levantar todo o dia e lutar. Ainda vestindo a bandeira do país que abandonou ele. É por isso que eu o admiro meu. Não porque ele veste as cores da América, mas porque ele é um herói de verdade. Ele é o tipo de cara que tu sempre vai olhar e pensar “puta que pariu cara, ele tá aqui mesmo!!!”.

- É cara, o Capitão é o cara. Eu casava com ele.

[Risos]

- Ce é um doente cara. Tu deve ser tipo o Sergei que é pansexual e fez sexo com uma palmeira meu. Seu doente.

[Risos]

- Isso me lembrou o clipe do The Darkness cara, em que aquele vocalista que eu juro é igual ao Robert Plant quando não era gordo estranho, fica se secando depois de sair do banho em um cara vestido de urso.

[Cara de "puta merda?"]

- Cara, tu precisa de uma namorada, e urgente…

[Risos]

- Um expresso e um capuccino por favor.

A moça os olhou como se fossem apenas mais dois lunáticos excêntricos. Mais dois jovens transviados que passam por ali todos os dias fazendo anarquias e por isso mandou o segurança ficar de olho neles. Mas o dia ainda iria continuar calmo. Alguns dias, talvez alguns anos.

I know that in time i’m not right

In a blink will all be history

Cause time is restless

And sun will shine

This moment is the sweetest thing

But now I’m far and gone

Into the fog of your memory


Fly me to the moon

Let me play among the stars

Let me see what spring is like on

Jupiter and Mars

In other words, hold my hand

In other words, baby, kiss me

Fill my heart with song

And let me sing forever more

You are all I long for

All I worship and adore

In other words, please be true

In other words, I love you

Sr. Sinatra

Cão, verme, blasfemador, adultero?

Fui chamado de todas essas coisa por vós, homens de boa fé, cristãos, quadrados provincianos e de mente pequena. Fui chamado assim, insultado por vossa inteligência e raciocínio falho.

E porque?

Por ter entrado furtivamente em seus quartos quando vocês saiam e ter satisfeito suas mulheres por toda a vida em apenas uma noite? Por tê-las feito gemer meu nome a seus ouvidos enquanto tentavam esquecer que eram vós em seus braços e não eu? Por ter acariciado cada seio, cada curva, como se nada mais importasse no mundo? Por tê-las feito tremer ao meu toque? Por ter exaurido suas forças? Por ter as tornado também adulteras sobre minhas mãos e falo?

Por isso?

Se é assim, de bom grado eu entrego minha cabeça a vós homens de boa índole. Pois sei eu qual nome será lembrado nas noites frias deste inferno branco que chamam de cidade, e minha alma se conforta no calor das pernas e no ardor dos lábios de suas senhoras para sempre em minha lembrança.

Uma vida inteira eu as amei em uma noite. Vocês podem dizer o mesmo?

- Você tinha que fazer isso? Eu te amei desde o dia em que te vi, e eu te disse isso seu canalha!!!

-Eu fui tudo o que um cara espera de uma garota, fui sua amiga, sua companheira, sua amante, mas mesmo assim você tinha que fazê-lo.O que mais você queria de mim? O que eu fiz de errado?

-Eu não acredito. Todo esse tempo, eu devia saber. A sua mãe bem que me avisou. Sua mãe, sua própria mãe tentou me avisar e isso devia significar alguma coisa, mas não, eu preferi acreditar que ambos estivéssemos começando do zero depois de tudo o que fizemos. Eu estava, e achei que você estava. Mas você é um mentiroso, sempre foi um bom mentiroso, so que eu achei que comigo ia ser diferente…

- Eu fui sua, só sua em todo esse tempo. Mas depois de tudo, tudo, de todo o esforço eu descubro o quanto você não era somente meu, mas de todo o resto do planeta. Três anos sendo enganada por você, achando que você era tudo aquilo que eu achava que para mim não existia. Eu que não acreditava em nada, acabei acreditando na única pessoa em quem não se podia confiar.

-Seu filho da pu#@. Eu te amo seu miserável e você me retribui assim? Seu monte de merda, eu devia ter te traído até por debaixo da língua. Por que é isso que pessoas que nem você merecem não é mesmo? Eu não te dei o direito de me machucar seu filho da mãe!!!!

- Você não vai falar nada seu cretino?

- …amor, olha me descul…

- CALA A BOCA E ENTRA NO BURACO!!!!!

Ele se entrou, eu peguei a pá.

Hoje é o dia do Piores clipes do mundo.

Sim, para você que se lembra de ter visto esse programa, e rido como eu ri quando era mais novo, eu digo que nós éramos pessoas mais felizes, ao menos uma juventude mais feliz e com melhor entretenimento. Com uma MTV de maior qualidade ainda que duvidosa em alguns pontos( quem lembra das propagandas sem sentido deles levanta a mão o/).

E um dos seus melhores produtos que surgiram dessa era da ouro foi o Piores Clipes do Mundo, comandado por um Mion ainda em começo de carreira, e totalmente engraçado e acompanhado pelo “Tucky” ( que decia ser o Tchucky, mas que por causa de uma carta enviada a ele dessa forma o apelido pegou), e  claro, do Fanti e do pá de pano.

Sem mais demoras e citando os Mamonas:

Jáááá…jááá, já vai.

I hurt myself today

to see if i still feel.

I focus on the pain,

the only thing that’s real.

The needle tears a hole;

the old familiar sting,

try to kill it all away,

but I remember everything.

what have I become,

my sweetest friend?

Everyone I know,

goes away in the end,

Johnny Cash – Hurt

Roubei este da Srta Bottan, que por sua vez pegou do Frufru, que pegou do…

Essa é a capa do disco da minha inexistente banda Jeanneney e o seu disco Instead of Under Observation. Uma grande seleção de músicas próprias e alguns covers de Eric Clapton, Ray Vaugham entre outros. A Banda toca um tanto de Jazz e conta com um suingue de blues do delta do Mississipi misturado com muita vodka, uísque e pessoas desafinadas.

Viajei? Ah, mas pelo menos a capa ficou tri. Reacendeu minha vontade de tocar.

Não entendeu nada? Segue o link.

- Eu estava pensando em como nós mesmo com toda a nossa tecnologia e avanços em todos os malditos campos que existem no mundo, ainda conseguimos ter medo do escuro. Porque se você pensar bem o escuro contém exatamente os mesmos itens que estão ali durante o dia…

- Exceto que durante o dia não tem ninguém escondido atrás de uma árvore pra te esfaquear ou assaltar né…

[Risos]

- É cara, pode ser, mas pensa bem, é tosco.

- Ah meu, o medo do escuro tu pode encara como uma metáfora para o desconhecido. Tu não vê todos aqueles filmes de ETs e de super heróis, tá fora aqueles em que tá todo mundo nu, mas naqueles em que os caras escondem as identidades exatamente porque a raça humana tem medo daquilo que desconhece?

- É assim cara, nós temos um medo primitivo, um medo de tudo aquilo que não conheçamos. Garanto que se tu pudesses, carregaria um 38 para a rua a noite né? Viu, isso demonstra corretamente o que eu quero dizer. Nosso medo irracional né. Mas eu não creio que é por isso que o Bush ataca o oriente médio…

[Risos]

- É por isso que o Aranha sempre esconde a identidade dele. Porque se não, tem um lunático que nem tu que vai encher ele de bala na primeira oportunidade.

[Risos]

- Cara, o Aranha não. Ele é tri. Eu ia pedir pra ele tirar uma foto minha e dele, já que ele é fotografo e tal…

- E depois cê ia pedir pra ele repetir a cena do Filme né? Aquela do beco…

[Risos]

- Idiota.

[Risos]

- É incrível como mesmo depois de quase cinqüenta e lá vai pedrada anos, os caras ainda conseguem fazer história do Aranha saltando por New York cara. É muito tempo meu, eu acharia que por agora não teria mais o que contar.

- Ah, mas e não tem mesmo, pouca coisa vale a pena nas histórias de hoje. Muito é reaproveitado de histórias antigas adicionando-se um vilão novo aqui, uma gostosa ali, um clone, sei lá os caras são duentes meu.

- Por isso também a rotatividade de roteiristas. Pra que eles tenham alguma idéia diferente e consigam vender alguma revista decente.

- Ah, eu prefiro as Graphic Novels cara. Muito mais conteúdo, e com começo, meio e fim. Assim que é tri. Tem gente que não sabe quando parar meu, ou se vende. Vê o Miller cara, ele escreveu 300, fez filme e depois de sentir o gostinho do poder (e da grana) ficou lunático meu. Ele vai fazer uma continuação pro 300. Tipo, isso parece os 101 dálmatas. Não pode ter continuação cara, vai ficar uma droga e vai macular a obra.

- Ah meu, mas por sei lá, 5 milhões que seja eu escrevia qualquer merda que eles me pedissem…

[Olhar feroz]

- Cara, não é bem assim. Ele tem que pensar nos fãs, na obra em si, e não nas verdinhas cara. Tipo o Alan Moore. O cara fez muitos trampos, tipo a Liga Extraordinária, V de Vingança, Constantine, e depois os caras fizeram filmes disso (que ficaram uma merda diga-se de passagem), mas daí foram pagar ele pelo troço, dar a parte do autor, e ele disse ” Fodam-se, esses filmes não são sobre meus personagens, não tem nada a ver, e eu não quero esse teu dinheiro, dá pro desenhista se quiser.”

- Tá, não foi bem assim, mas tu entendeste a idéia do troço.

- Ih cara, tu já viu uns vídeos no Vocêtube do Moore e tal? Mindscape of Alan Moore?

- Ih não cara.

- Ah, é parte de um documentário sobre o cara. Meu, ele deve ter uns dois metros, ele parece o Hagrid do Harry Potter meu…[Risos], e cara, ele fala sobre o tempo, e sobre quantidade de informação durante os anos.

- Tipo ele diz que nós podemos calcular…hum…a nossa evolução através do quanto de informação é de certa forma adquirida durante um certo período de tempo. Digamos assim, de maneira mais simples, é só pegar certo período de tempo, tipo, de 1000 A.C até 100 D.C, e depois calcular quantas coisas foram descobertas durante esse período de tempo. Depois é só ver quanto tempo demora para que essa quantidade dobre em um outro espaço de tempo. Sacou?

- Putz.

- É doido cara, e ele tava dizendo que em alguns anos, poucos, a nossa quantidade de descobertas por assim dizer vai aumentar semanalmente, depois diariamente, e aumentando exponencialmente em números absurdos cara.

- Ah meu, mas de que adianta descobrir um monte de joça e continuar se matando por ai? Os caras ficam se matando por ai meu, e criando cada vez mais armas alegando que é em busca da paz mundial. Que paz cara? Se não houvesse armas não teríamos tanta violência cara. Parece Dragon Ball. Nós inventamos uma arma exterminadora de chineses, e no outro dia a Rússia cria uma arma anti-arma exterminadora de chineses, e nós criamos uma arma-anti-anti-arma exterminadora de chineses, e isso se segue infinitamente. Um criando algo mais forte que o outro cara. Cê sabia que agora, com as bombas atômicas no mundo, nós poderíamos destruí-lo 23 vezes?

- Putz que merda, e eu perdendo tempo com putaria…

[Risos]

- Cara, eu to falando sério mesmo. Nós somos o vírus da terra cara. Somos nós que não devíamos estar aqui ainda cara. E nós vamos definhar sabe como os dinossauros, só que com a diferença que nós vamos levar o resto do planeta junto.

- Seleção natural cara. O homem sobreviveu apesar de não ter garras e tal (fora o Wolverine e a sua irmã) por causa do cérebro desenvolvido cara. É por isso que a gente tá aqui.

- Que baita cérebro né o animal. Se a gente continuar nessa rota a única coisa que vai acontecer é a gente morrer depois de ter destruído a terra.

- Ih meu, tu parece àqueles mendigos que ficam pregando o apocalipse nos filmes cara…

[Risos]

- Tá cara, eu sei que é serio o troço, todo aquele papo de aquecimento, de falta de água e comida, e das mulheres dominando o mundo, mas que se há de fazer? O que tu vai fazer? Hein? HEIN?

- Ah cara, sei lá. Eu chamaria o Quarteto.

[Risos]

- É cara, a humanidade tem medo do desconhecido, mas vai tolerar um cara que se estica que nem borracha, um cara de 2×2 feito de rocha sólida, outro que pode atingir a intensidade de calor superior a super nova, e uma garota invisível que faz paredes mortais, também invisíveis…

- Uma garota Hot invisível que faz paredes mortais.

[Risos]

- Cara, cê é um tarado. Tu sabes que ela é só um desenho né?

- É? Puuutz!

[Risos]

- Cara, tu já leu o Apanhador né?

- Ih meu, não é aquele livro que todos os psicopatas leram e tal?

- Cara, é. Mas muito mais pessoas já leram o livro e não mataram ninguém.

- Ainda…

[Risos]

E assim foram os dois amigos caminhando lentamente pelas vielas e ladeiras de um centro de cidade lotado, em um dia frio.

As pessoas ignoravam os dois transeuntes como se fossem apenas mais alguns da massa, e seguiam suas vidas sem prestar atenção as discussões que tomavam conta da conversa.

O vento, o frio e no fim um cappuccino quente.