
- Eu estava pensando em como nós mesmo com toda a nossa tecnologia e avanços em todos os malditos campos que existem no mundo, ainda conseguimos ter medo do escuro. Porque se você pensar bem o escuro contém exatamente os mesmos itens que estão ali durante o dia…
- Exceto que durante o dia não tem ninguém escondido atrás de uma árvore pra te esfaquear ou assaltar né…
[Risos]
- É cara, pode ser, mas pensa bem, é tosco.
- Ah meu, o medo do escuro tu pode encara como uma metáfora para o desconhecido. Tu não vê todos aqueles filmes de ETs e de super heróis, tá fora aqueles em que tá todo mundo nu, mas naqueles em que os caras escondem as identidades exatamente porque a raça humana tem medo daquilo que desconhece?
- É assim cara, nós temos um medo primitivo, um medo de tudo aquilo que não conheçamos. Garanto que se tu pudesses, carregaria um 38 para a rua a noite né? Viu, isso demonstra corretamente o que eu quero dizer. Nosso medo irracional né. Mas eu não creio que é por isso que o Bush ataca o oriente médio…
[Risos]
- É por isso que o Aranha sempre esconde a identidade dele. Porque se não, tem um lunático que nem tu que vai encher ele de bala na primeira oportunidade.
[Risos]
- Cara, o Aranha não. Ele é tri. Eu ia pedir pra ele tirar uma foto minha e dele, já que ele é fotografo e tal…
- E depois cê ia pedir pra ele repetir a cena do Filme né? Aquela do beco…
[Risos]
- Idiota.
[Risos]
- É incrível como mesmo depois de quase cinqüenta e lá vai pedrada anos, os caras ainda conseguem fazer história do Aranha saltando por New York cara. É muito tempo meu, eu acharia que por agora não teria mais o que contar.
- Ah, mas e não tem mesmo, pouca coisa vale a pena nas histórias de hoje. Muito é reaproveitado de histórias antigas adicionando-se um vilão novo aqui, uma gostosa ali, um clone, sei lá os caras são duentes meu.
- Por isso também a rotatividade de roteiristas. Pra que eles tenham alguma idéia diferente e consigam vender alguma revista decente.
- Ah, eu prefiro as Graphic Novels cara. Muito mais conteúdo, e com começo, meio e fim. Assim que é tri. Tem gente que não sabe quando parar meu, ou se vende. Vê o Miller cara, ele escreveu 300, fez filme e depois de sentir o gostinho do poder (e da grana) ficou lunático meu. Ele vai fazer uma continuação pro 300. Tipo, isso parece os 101 dálmatas. Não pode ter continuação cara, vai ficar uma droga e vai macular a obra.
- Ah meu, mas por sei lá, 5 milhões que seja eu escrevia qualquer merda que eles me pedissem…
[Olhar feroz]
- Cara, não é bem assim. Ele tem que pensar nos fãs, na obra em si, e não nas verdinhas cara. Tipo o Alan Moore. O cara fez muitos trampos, tipo a Liga Extraordinária, V de Vingança, Constantine, e depois os caras fizeram filmes disso (que ficaram uma merda diga-se de passagem), mas daí foram pagar ele pelo troço, dar a parte do autor, e ele disse ” Fodam-se, esses filmes não são sobre meus personagens, não tem nada a ver, e eu não quero esse teu dinheiro, dá pro desenhista se quiser.”
- Tá, não foi bem assim, mas tu entendeste a idéia do troço.
- Ih cara, tu já viu uns vídeos no Vocêtube do Moore e tal? Mindscape of Alan Moore?
- Ih não cara.
- Ah, é parte de um documentário sobre o cara. Meu, ele deve ter uns dois metros, ele parece o Hagrid do Harry Potter meu…[Risos], e cara, ele fala sobre o tempo, e sobre quantidade de informação durante os anos.
- Tipo ele diz que nós podemos calcular…hum…a nossa evolução através do quanto de informação é de certa forma adquirida durante um certo período de tempo. Digamos assim, de maneira mais simples, é só pegar certo período de tempo, tipo, de 1000 A.C até 100 D.C, e depois calcular quantas coisas foram descobertas durante esse período de tempo. Depois é só ver quanto tempo demora para que essa quantidade dobre em um outro espaço de tempo. Sacou?
- Putz.
- É doido cara, e ele tava dizendo que em alguns anos, poucos, a nossa quantidade de descobertas por assim dizer vai aumentar semanalmente, depois diariamente, e aumentando exponencialmente em números absurdos cara.
- Ah meu, mas de que adianta descobrir um monte de joça e continuar se matando por ai? Os caras ficam se matando por ai meu, e criando cada vez mais armas alegando que é em busca da paz mundial. Que paz cara? Se não houvesse armas não teríamos tanta violência cara. Parece Dragon Ball. Nós inventamos uma arma exterminadora de chineses, e no outro dia a Rússia cria uma arma anti-arma exterminadora de chineses, e nós criamos uma arma-anti-anti-arma exterminadora de chineses, e isso se segue infinitamente. Um criando algo mais forte que o outro cara. Cê sabia que agora, com as bombas atômicas no mundo, nós poderíamos destruí-lo 23 vezes?
- Putz que merda, e eu perdendo tempo com putaria…
[Risos]
- Cara, eu to falando sério mesmo. Nós somos o vírus da terra cara. Somos nós que não devíamos estar aqui ainda cara. E nós vamos definhar sabe como os dinossauros, só que com a diferença que nós vamos levar o resto do planeta junto.
- Seleção natural cara. O homem sobreviveu apesar de não ter garras e tal (fora o Wolverine e a sua irmã) por causa do cérebro desenvolvido cara. É por isso que a gente tá aqui.
- Que baita cérebro né o animal. Se a gente continuar nessa rota a única coisa que vai acontecer é a gente morrer depois de ter destruído a terra.
- Ih meu, tu parece àqueles mendigos que ficam pregando o apocalipse nos filmes cara…
[Risos]
- Tá cara, eu sei que é serio o troço, todo aquele papo de aquecimento, de falta de água e comida, e das mulheres dominando o mundo, mas que se há de fazer? O que tu vai fazer? Hein? HEIN?
- Ah cara, sei lá. Eu chamaria o Quarteto.
[Risos]
- É cara, a humanidade tem medo do desconhecido, mas vai tolerar um cara que se estica que nem borracha, um cara de 2×2 feito de rocha sólida, outro que pode atingir a intensidade de calor superior a super nova, e uma garota invisível que faz paredes mortais, também invisíveis…
- Uma garota Hot invisível que faz paredes mortais.
[Risos]
- Cara, cê é um tarado. Tu sabes que ela é só um desenho né?
- É? Puuutz!
[Risos]
- Cara, tu já leu o Apanhador né?
- Ih meu, não é aquele livro que todos os psicopatas leram e tal?
- Cara, é. Mas muito mais pessoas já leram o livro e não mataram ninguém.
- Ainda…
[Risos]
E assim foram os dois amigos caminhando lentamente pelas vielas e ladeiras de um centro de cidade lotado, em um dia frio.
As pessoas ignoravam os dois transeuntes como se fossem apenas mais alguns da massa, e seguiam suas vidas sem prestar atenção as discussões que tomavam conta da conversa.
O vento, o frio e no fim um cappuccino quente.