Julho 2008


O céu cor de ferrugem abriga um mundo que não e mais o mesmo. A natureza retomou grande parte daquilo que era seu por direito, e hoje os filhos mais jovens de um Deus caótico vivem como podem em uma terra selvagem.

O dinner na beira de um grande desfiladeiro lembra filmes dos anos 50 na qual jovens se reuniam em frente a tais estabelecimentos para logo depois saírem em uma descontrolada corrida descendo os vales próximos.

No interior do local uma mulher assustada olha para o cano de um enorme e prateado logotipo da Smith & Wesson, sabendo que o próximo projétil pode não ser apenas para assustar, e ao invés de quebrar o vidro da porta da geladeira de bebidas, pode espelhar um liquido muito mais denso que o mais venenoso destilado.

- Ria comigo gracinha…porque você não esta rindo? Não acha engraçado que eu tenha perdido tudo aquilo que eu tinha? Ria!!!!!!!

A porta se abre fazendo aquele irritante barulhinho de conchinhas para avisar que um novo consumidor chegou a casa.

Os quatro homens olham de imediato o magro jovem que acaba de entrar com seus fones na cabeça, e parece nem ao menos notar o que esta a acontecer.

- Hey, seu idiota!!! Você não esta vendo o que esta acontecendo aqui?

[Somente o som que emana dos fones é ouvido em resposta]

- Hey seu monte de merda, você não esta me escutando?

O homem sorridente se aproxima apontando a arma e rapidamente é puxado por sobre a prateleira de bolachinhas recheadas. Ele olha atônito e se vê sendo atirado de um lado para o outro por algum animal feroz, indo parar sobre o corpo de outro de seus companheiros. Os projeteis começa a vorá para tudo o que é canto, como mendigos, procurando algum local para se alojarem.

Uma mulher grita.

Um dos projeteis disparados por um homem negro e alo a atingiu no meio da perna direita. O homem procura por seu alvo que sumiu em meio ao mar de comida congelada. Seus olhos vasculham o perímetro, e vêem somente a enorme bandeja de peixe congelado vindo em sua direção.

Seus olhos sentem o gelo se partir, assim como o próprio nariz, somente para rapidamente serem esquentados em uma maquina de café expresso.

Ele grita pelas queimaduras de segundo grau na face e é nocauteado por um chute.

- Parado ou eu mato a velhinha!!!

O jovem de cabelo rastafári parece estar realmente falando a verdade, e pelo olhar em sua face ele não iria sentir nenhum tipo de remorso em fazer às vezes de Pollock com a senhora presa em seus braços.

- Você me ouviu seu Hippie de merda? Eu mato essa velha!!! Larga a arma agora!!!

A voz sai calma, quente.

- Eu acho que você se enganou garoto. Eu não estou aqui fazendo caridade. Eu não salvo pessoas, nem tiro gatinhos de cima de árvores. Isso aqui para mim é trabalho.

- Seu idiota sem coração – Brada a Sra. Bradley.

- Seu cowboy filho da mãe! – Grita o rastafári.

Ele empunha a arma como os velhos samurais empunhavam suas katanas, e o som alto, e curto do disparo é ouvido. Mas quem cai no chão é o Rasta. Atingido em cheio na mão. E depois mais uma vez no ombro.

Tudo acabou.

A velha observa o corpo ofegante caído no chão.

- Hey, ele te chamou de cowboy. O que diabos é você?

O som da bebida se esvaindo pelo chão.

- Apenas um humilde caçador de recompensas.

O que dizer quando se não tem mais nada a dizer? O que se pode falar a alguém que não mais quer escutar?

Quando as palavras já se tornaram pedras, e a alma uma muralha intransponível não há mais nada que se possa fazer neste mundo.

Apenas esperar, e esperar.

Pois até mesmo agir em certos momentos não se torna a reação apropriada. Pois assim como Sun Tzu uma vez disse, é necessário reconhecer a derrota, pôr a espada na bainha, e se preparar para um outro dia, uma outra batalha onde os números sejam mais favoráveis.

Sharp like an edge of a samurai sword
the mental blade cut through flesh and bone
though my mind’s at peace, the world out of order
missing the inner heat, life gets colder
oh yes, I have to find my path
no less, walk on earth, water, and fire
the elements compose a magnum opus
my modus operandi is amalgam
steel packed tight in microchip
on my arm a sign of all-pro
the ultimate reward is honor, not awards
at odds with the times in wars with no lords

a freelancer,
a battle cry of a hawk make a dove fly and a tear dry
wonder why the lone wolf don’t run with a klan
only trust instincts and be one with the plan

some days, some nights
some live, some die
in the way of the samurai
some fight, some bleed
sun up to sun down
the sons of a battlecry

look, just the air around him
an aura surrounding the heir apparent
he might be a peasant but shine like grand royalty
he to the people and land, loyalty
we witness above all to hear this,
sea sickness in the ocean of wickedness
set sail to the sun set no second guessing
far east style with the spirit of wild west
the “quote-unquote” code stands the test of
time for the chosen ones to find the best of
noble minds that ever graced the face of
a hemisphere with no fear, fly over

the blue yonder
where the sky meets the sea
and eye meets no eye
and boy meets world
and became a man to serve the world to
save the day, the night, and the girl too

- Então, me diga porque você é assim?

- Assim como?

- Assim você sabe, um idiota completo com as outras pessoas?

- Hey, o que isso quer dizer hein?

- Você é burro, ou só não lavou as orelhas hoje?

- Ah, vai toma no c*!!!

[...]

- Você não sabe muito bem lidar com as pessoas não é mesmo, e nem com criticas. Porque isso hein?

- O que você faia se eu dissesse que vou enfiar meu pé tão fundo na tua bunda que tu vai sentir ele coçando o teu nariz?

- Viu é isso que eu quero dizer. Você simplesmente usa a violência verbal, e física como melhor argumento quando nenhum dos seus outros argumentos funciona.

- Que tipo de resposta tu espera me fazendo esse tipo de pergunta?

- Sei lá, talvez alguma confissão, alguma coisa profunda e íntima? Vai saber, eu só faço as perguntas e não as respostas.

- Eu não lido bem com as pessoas cara, porque…

- Porque você as despreza, porque você nãos as acha no mesmo nível que você? É isso?

- Talvez seja isso sim cara. De certa forma eu desprezo 90% das pessoas por seus olhos fechados, por suas bocas abertas, e por suas mentes vazias. Talvez seja mesmo porque eu conseguiria ter uma conversa mais interessante com uma maçaneta do que com esse tipo de pessoa. Esse tipo de massa, esses tipo de ser acéfalo.

- Nossa, um tanto quanto elitista da tua parte não é mesmo? Você Não quer também matar alguns judeus, ou pregar algum tipo de raça superior?

[...]

- Tosco.

- Mas é um tanto quanto uma opinião dura para alguém que diz que odeia pessoas intelectuais e afins…

- Pode ser cara, eu só sei daquilo que eu gosto, e das coisas que eu odeio, e nada mais.

- Isso tem a ver com a tua família?

- O que tu quer dizer com isso?

- Ah, ce sabe, a tua relação com eles talvez tenha feito com que tu te sentisse de alguma forma, um outsider, um estranho no resto do mundo onde todas as outras pessoas pareciam felizes…

- …

- Talvez toda essa tua atitude ácida e maligna seja para afastar as pessoas, como se aquelas que conseguissem passar por esse tua barreira fossem os dignos de confiança. Pessoas que não iriam te magoar, ou alguma coisa frutinha desse tipo?

- EU realmente acho que tudo isso que tu tá falando é um monte de merda pseudo intelectual vinda da boca de alguém que não sabe absolutamente de merda nenhuma sobre o meu ser, e acha que com filosofias baratas saídas da porta de um banheiro masculino qualquer pode vir aqui para me dizer algo sobre as coisas que me movem.

- …

- Eu só sou melhor do que o resto, e sei disso.

Let’s put a smile on that face of yours.

Hoje foi um dia que realmente marcou, porque hoje eu assisti junto a um amigo o tão aguardado Batman The Dark Knight.

Admito que eu não estava levando fé em todos os comentário de jornalistas e blogueiro que já haviam visto o filme em sessões fechadas a algumas semanas, e diziam que ele deixava no chinelo qualquer outro filme de super herói deste ano. Eu vi Hulk, vi Homem de Ferro, e achei ambos muito bons. Principalmente o Homem de Ferro, cuja história, armadura e tudo mais ficou muito bom. Digo, Boa.

Acompanhei alguns virais do Bat por diversão, liguei inclusive para um dos números de telefone indicados em um dos sites (e ouvi o Coringa dizer que tudo havia acabado que ele iria explodir tudo), mas confesso que ainda assim não estava achando animal. Mas o filme é muito mais do que eu jamais poderia sonhar, esperar, imaginar em toda a minha imaginação lunática. Ele é muito, muito, mas muito bom and good.

Admito para minha vergonha mais uma vez que também não levava fé em por atores de renome em filmes de heróis, mas depois de notar que eles conseguem dar uma profundidade maior aos personagens (vulgo Ledger), eu penso que devíamos chutar a bunda desse bando de pé de chinelo que faz filmes sem saber sobre os personagens (vulgo aquele magricela que fez o Super Homem).

E Ledger continua sendo o nome a qual todos nós vamos lembrar-nos durante muito tempo por causa desta película. Pois ele conseguiu fazer com que um personagem difícil, que já havia sido interpretado antes de forma no mínimo eficaz ficasse ainda melhor e even better.

O Coringa dele é um lunático sem limites e sem moral, do tipo que faz com que você mije nas calças, e grite como uma menininha pela sua mãe antes dele fazer o truque do lápis desaparecendo com você.

Não há realmente como por em palavras tudo o que eu senti dentro do cinema nessas duas horas e meia que passei dentro do mundo por eles criado. Todas as emoções, aff…tudo.

Cada uma das cenas merecia ser contada e esmiuçada, cada um dos personagens, cada uma das interpretações, cada uma das locações, das idéias… assim se segue uma lista longa.

Mas hey, eu sou fã do Bátima, e sou fã maior ainda do Coringa, e ainda mais agora fã do Ledger.

E falando mais uma vez nesse falecido guri, eu vos digo que uma das coisas que mais me atingiu durante o desenrolar do filme foi lembrara que essas eram as últimas cenas inéditas do ator que nós jamais veríamos na terra. Posso dizer para mim ele morreu mesmo não em janeiro, mas no momento em que os créditos finais começaram a subir. Foi ali que sua morte se tornou real. Claro que eu sei como isso soa estranho já que eu não conhecia o cara, nem mesmo morava no mesmo país que ele ou sei lá o que mais. Mas é que de alguma forma eu acabei me identificando com a pessoa, e com seus personagens, e ainda mais porque isso ainda me lembra de que nada continua para sempre no mesmo lugar. Realmente eu digo, e sem boiolice que vou sentir falta dessa cara.

Mas ele deixou uma marca incrível no mundo ao menos. Se não pelas suas interpretações anteriores, ao menos por essa, e pesa ainda mais saber que ele teria um futuro fodástico de ator à frente, se claro não tivesse encontrado antes a pequena irmã do Sandman.

Isso me fez pensar, e lembrar-me de como as coisas passam, o tempo passa, as pessoas passam (sem piadas com cobradores e fiscais, por favor), e de como comentar sobre algo, sem ter estado lá, sem ter presenciado torna branda a coisa.

Claro que nesse momento eu não consigo ainda ordenar meus pensamentos de forma coerente ainda. A emoção ainda esta presente e o fôlego ainda não voltou por completo. Mas o que eu quero dizer e o seguinte. Pegue por exemplo a maneira como falamos da segunda guerra hoje em dia, e de como falamos sobre aquele austríaco loco (se bem que todos os austríacos famosos eram excêntricos). É uma forma muito mais branda, mas inocente do que era antigamente, porque o tempo cura ceras feridas, faz com que certas marcas sejam esquecidas. Mas fale com alguém que esteve em Auschwitz, e ele vai lhe contar sobre horrores, e situações que fariam qualquer um de nós chorar.

Talvez ainda eu não tenha conseguido explanar tudo, mas continuo então, porque ao menos para mim faz sentido por enquanto.

Esse filme é um exemplo do que eu estou dizendo, porque atrelado a ele nós temos diversas coisa, nós temos aquele sentimento de grandeza maior, de realidade, de buzz, e isso vai se perder com o tempo, o que é lastimável. Nós hoje estamos dentro do contexto do filme, hoje ele tem o feeling (obrigado Maurício) que não vai ter na época dos nossos filhos. Que vão simplesmente olhá-lo, e dizer “Que massa…”, mas não vão saber que durante um ano nós tivemos virais do filme, e sites brotando pela net. Não vã saber que um dos maiores atores de nossa geração morreu precocemente após concluir essa que foi sua melhor encarnação de personagem. Não vão sentir o que eu senti ao ver aquele horrendo Coringa destruindo coisas, e sendo engraçado, de uma forma negra, mas ainda assim engraçado enquanto fazia essas atrocidades. Pois o feeling se perdeu, o contexto passou, o tempo correu.

Eu não espero viver para sempre, não espero nem mesmo ficar aqui durante muito tempo, mas espero poder explicar para alguém de forma coerente tudo aquilo que aconteceu dentro de seu contexto, e deixar por aqui minha marca, for good, or bad.

But then again, Why so Serious?

Eu sei que eu pdoeria continuar escrevendo sobre o filme durante mais umas duzentas linhas, e falando sobre o tempo, e saudade, mas para aqueles que me conhecem, eu sei que eles já conseguiram captar tudo o que eu queria dizer, e continuar agora seria apenas infrutifero.

Me resigno então mais uma vez a dizer que o filme é tri, o Ledger é foda, e vai fazer muita falta, e que o Coringa é assustador. Talvz outro dia eu fale sobre algo a mais.

Ps. Eu não editarei esse post, e não usei corretor ortográfico, então qualquer erro de português engula ou eu vou fazer o truque do lápis com vocês.

E as duas moças conversavam em tom quase furioso. Como as multidões insanas na idade das trevas que ansiavam por queimar alguma coisa ou alguém do qual não possuíam conhecimento algum, julgando-se superiores em todas as formas.

- Eu não acredito nas pessoas que ouvem funk.

- É, é tão tosco, aquele bando de maloqueiro dançando.

- Música de vagabunda, e de bandido. Não sei como alguém pode se divertir com aquela merda, aquelas letras sem noção.

- Esse bando de gente que não sabe nem ler e escrever certamente não esta nem ai para a letra da música, eles querem mais é engravidar no meio do salão, e depois dizer que não sabem quem é o pai do filho por que estavam de costas…

[Risos]

Com um sorriso, eu entrei na conversa.

- Vocês têm que entender que o funk é muito mais do que música para pessoas que possuem Qi abaixo de 75. É toda uma cultura envolvida na criação das músicas, é todo um suingue do gueto. No contexto da música nós podemos perceber toda uma nova linguagem da rua, um jeito de se expressar, de mostrar tudo aquilo que as cidades brasileiras, e o também os cidadãos brasileiros são.

- O Funk é a nova MPB, é música de vanguarda, apreciada até mesmo na Europa, e não somente uma hype passageira motivada por pessoas que não sabem quantas letras realmente há no alfabeto. Funk é cultura, funk é o brasil.

Com um sorriso eu terminei, e observei aquelas caras de “puta que pariu, que filho da puta doente”, enquanto elas me observavam não acreditando no que eu havia vomitado em cima delas. Logo eu que gosto de Jazz.

E eu pensei:

Sarcasm not detected.

Não enfrentes monstros sob a pena de te tornares um deles.

E se contemplas o abismo,

A ti o abismo também contempla.

- Friedrich Wilhelm Nietzsche

Sabe como eu sei que uma historia foi boa, se realmente foi bem contada?

Porque eu sinto.

É o chamado feeling. Aquilo que os músicos memoráveis têm em si, que os tornam diferentes do resto da grande massa. Aquele jeito de improvisar, aquela forma de sentir, de tocar o mundo fluindo ao seu redor. Aquele fechar de olhos no sol, para que possamos por apenas alguns momentos sentir o calor em nossos corpos. A sensação.

Pois bem, pra mim é assim. Eu sinto.

Mas não é qualquer filme de sessão da tarde que anuncia em “primeira mão” as aventuras de uma “turminha da pesada” que me fazem ter esse feeling, nem mesmo histórias tristes sobre um cachorrinho que se perdeu de seus donos durante a mudança. Não isso não. Histórias boas me fazem ter este feeling. E por sua vez o feeling se faz notar apenas quando ouço/vejo alguma história boa.

Dizem que o nosso cérebro não sabe realmente identificar uma situação real, de alguma coisa magnificamente produzida em algum estúdio de Hollywood. Por isso ficamos com medo quando vemos Jason estripar alguém, ou aquela menina que precisa de um cabeleireiro saindo do poço, ou aquela riste historia sobre a morte do marido de alguma mocinha que lhe faz alguma surpresa pós morte.

Em suma o sentimento vem em uma onda irrefreável, e acomete-me durante algum tempo, e eu me torno um com a história, absorto em seu mundo. Durante apenas alguns segundos talvez. Mas segundos estes, que já fizeram valer a pena cada palavra lida, cada cena vista, cada segundo desperdiçado.

Pois que ultimamente eu tenho me cercado de boas historias. Muito boas por sinal. A maioria claro, por indicações de amigos/ amigas, e uma até mesmo por forças maiores, ou diria eu, pessoas maiores e mais fortes.

Em primeiro lugar me veio a vontade de voltar a ver uma série que durante alguns dias foi minha obsessão, e ainda anos depois continua como a minha top 3 em qualquer lista de boas histórias.

Cowboy Bebop.

Uma ótima série, ambientada em algum futuro distante, mas ironicamente muito parecida com a nossa realidade, onde cowboys (caçadores de recompensa) vagam por ai atrás de bandidos. Toda a história tem um visual retro, talvez pulp, um pouco pop steampunk, com desenhos fluidos, e roteiro bem amarrado e adulto. Como eu gosto.

Lembra-me de certa forma uma extinta série da Fox chamada Serenity, onde um grupo de Cowboys espaciais viaja por ai fazendo as mais diversas coisas possíveis.

Mas cowboy, ou devo dizer, o criador teve o ótimo senso de timing, ou seria feeling? De fazer apenas 26 episódios, e um filme, que por sinal é tão bem feito, ou talvez melhor do que a própria série em si.

26 Episódios fizeram com que eu me sentisse um dos personagens, com que me identificasse com eles. Com que ao chegar a casa eu lembra-se de que um novo episodio eu veria, uma nova história, uma nova visita a este mundo fantástico. Mais ou menos igual à vez que li o apanhador no campo de centeio. Identificação. Foi isso que aconteceu.

Mas como o tempo não pode voltar só continuar, uma hora os episódios acabaram, de forma triste, mas sóbria. E foi como se amigos queridos me tivessem dado a noticia e que iam viajar para muito longe.

Aquela sensação de perda sabe? Aquele vazio, aquela saudade.

É isso que uma boa história nos faz sentir.

Foi então que na internet vi algum anuncio sobre uma revista que possivelmente ia ganhar o Eysner Award deste ano, uma tal de Pride of Baghadad (Leões de Bagdá). Escrita por Brian K. Vaugham, que sei eu é um ótimo escritor resolvi ler também.

Baixei o arquivo (vocês não acreditam no quanto eu economizo em quadrinhos, apenas buscando eles no Pirate Bay), e comecei a ler.

Uma história que começa devagar, mostrando a vida de quatro leões (na verdade um leão, duas leoas, e um filhote) que viviam no zoô da cidade de Baghadad na época em que os Estado Unidenses resolveram invadir em busca de seu petr… quer dizer, terroristas.

Li mais tarde que se tratava de uma historia baseada em fatos reais. Mas claro, os leões não falam na vida real, bem, ao menos não em uma língua na qual nós entendamos.

Continuei a ler sobre como eles escapam das grades e fogem das explosões, adentrando uma cidade semi-deserta em busca de alimento, e de abrigo. Como encontram uma tartaruga anciã, atormentada pelo último conflito por petróleo na região, que vitimou sua família. Como se recusam a comer um cadáver humano, citando lealdade as pessoas que durante anos lhes alimentaram.

Mais uma história que passo a passo me levou a uma conclusão surpreendente. Forte. Até mesmo brutal. Mais uma vez a identificação.

E para aqueles que eu sei que não vão baixar eu vos digo:

Assim como na vida real, brutal. Também os leões são mortos pelo exército.

Pois são assim mesmo os sentimentos. Brutais, violentos. Em boas histórias eles nos violam sem permissão (me perdoe o trocadilho com o Comediante).

Eu que desconsidero de importância muitos dos sentimentos, os encontro em páginas amarelas, ou digitais de quadrinhos, ou em frames de animes.

A citação do começo do post é de Nietzsche, mas também é encontrada na última página do capítulo VI de Watchmen, onde finalmente vemos o rosto de Rorschach, o anti-herói que simboliza tudo o que boas historias proporcionam a nós.

A brutalidade, a paixão, e nesse instante a identificação.

Ele não é só mais um personagem e alguma história em quadrinhos ridícula a que poucas pessoas ouviram falar, ou se ouviram foi de relance.

Seguindo a máxima de seu criador eu diria que no momento em que aceitamos as suas idéias, e o temos com alguma personalidade, ele existe. Em alguma dimensão fora da nossa é claro, mas existe. Como todos os nossos sonhos e pensamentos existem, se não no futuro, no passado, ou em algum lugar paralelo a nós. Como na casa de espelhos do parque de diversões, onde vemos a nós mesmos de diversas formas diferentes, de diversas perspectivas.

Eu escrevo nesse momento para que o feeling não passe por minha mente a acabe apenas em mais alguma história mental infrutífera. Eu escrevo agora para exorcizar o pensamento que me assombra, para queimar em minha mente as palavras e idéias, para que elas sejam varridas de minha mente, mas não desta realidade. Como um mago que decorou suas magias, e as dispara, esquecendo-as até mais uma vez decorá-las.

Posso eu dizer sem medo, que prefiro muitas vezes as páginas dos quadrinhos, os rostos em filmes e animes, até mesmos as histórias de minha cabeça, ás pessoas de nossa realidade. Porque por mais que um vilão seja inescrupuloso, por mais que um ato seja horrendo, ainda nos quadrinhos eles meramente fazem parte de uma boa história, de um bom conto, que vai ter alguma hora um fim. Mas a vida real é muito pior, é muito mais negra do que qualquer história, e essa não tem fim, pois mesmo que não sejamos mais personagens ela continua em uma ciranda psicótica para sempre.

Na vida real não existem super heróis espancando os vilões. Na vida real não existe bem e mal. Apenas uma grande escala de cinza, a qual todos nós nos encaixamos.

A vida real é mais cínica, negra, úmida e terrível do que o mais bem executado dos quadrinhos, do que a mais bem contada das histórias, mas ironicamente não me desperta nenhum feeling.

Ps. Comecei a ver Death Note, Comprei o primeiro livro de RPG em dois anos E um casaco muito New York.

Dentre as muitas coisas que os japoneses fazem de útil nesse mundo ( Mangá, telefones, e colegiais), eu acabei por encontrar esse pequeno vídeo muito massa.

Não é segredo para ninguém que eu adoro mortos vivos, ou melhor, filmes e livros e jogos, nada de necrofilia u algo parecido. Saca só.

Mas sério, falando em mortos-vivos, para aqueles que como eu também curtem a idéia, e o medo envolvido em algo desse tipo, e já ficou algum da pensando se conseguiria escapar de sua cidade se ela fosse infestada por esses seres, eu recomendo que procurem pela revista: Os Mortos-Vivos, ou em inglês, The Walking Dead.

Uma revista muito boa, com uma premissa simples: Cara que acorda no hospital depois de ter levado um tiro se vê rodeado de zumbis comedores de crânios. E a partir daí a começamos a acompanhar sua jornada em busca de sua família que pode ou não estar viva. Como eu disse a história é simples, e não possui nada de viagens psicodélicas tipo Resident Evil, com armas massacrantes de zumbis. Não. Toda a história é envolta da busca de paz num mundo morto (desculpa o trocadilho). Como nas histórias antigas do Homem Aranha, nós acompanhamos o cotidiano dos sobreviventes.

E para os xiitas de histórias sci-fi, não, não tem nenhuma explicação cientifica para o fenômeno.

Ruawrrr (legenda idiota)