Não consigo deixar de pensar nela, e em como as coisas fugiram do controle. Minhas malditas costas doem por ficar tanto tempo deitado nesse maldito trem de carga. O barulho de vento faz com que eu me sinta em um livro de Lovecraft. Eu fico esperando a escuridão me engolir, para que eu suma anônimo na noite cheia de brumas. Mas ao invés disso tudo o que eu vejo pelas portas do vagão são as luzes acesas das casas nas cidades em que passamos. Como vaga-lumes iluminando a noite escura.

A bebida antigamente me fazia esquecer de todas as coisas. Todas as coisas que eu fiz, pensei em fazer ou deixei de fazer. Mas o daí seguinte sempre era pior. Aquele gosto amargo na boca, aquele mal estar no estomago, e a vergonha.

Agora eu larguei toda aquela porcaria de mão. Aulas, compromissos, amigos, família. O que tudo isso significa? Ilusões? Tudo parece um grande Almoço Nu às vezes. As coisas não fazem sentido, aceleram, ou andam mais devagar.

Acho as vezes que eu não deveria nunca mais descer deste trem de carga, a não ser para comprar comida e cumprir com algumas necessidades fisiológicas ocasionais. Viajar para sempre. Fazer dos trilhos a minha casa. Pois afinal, fora daqui o que resta? Pessoas? Ah, pessoas. Eu já tive o bastante delas. Filas de banco, almoços de família aos domingos e a hipocrisia. Maldita hipocrisia. Porque as pessoas não podem falar somente às coisas que realmente sentem umas pelas outras. Assim nós teríamos ao nosso lado apenas as pessoas que realmente gostam de nós, e não um bando de cretinos que ficam babando ovo e dizendo os famosos “oi, tudo bem, como vai você?” ‘oi, eu vou bem, como vai à família?”, “claro que sim, nos falamos em breve, te ligo”/

O certo mesmo seria explodir tudo. Pegar aquelas malditas bombas russas e americanas e fazer uma grande festival de fogos. Daí sim tudo estaria certo. Poderíamos começar tudo de novo, e tentar dessa vez fazer da maneira certa. Claro que poderia demorar milhões de anos até que voltássemos a andar eretos. Mas também, o que é o tempo? O futuro vai ser o agora. Assim como o passado foi o agora ontem.

Penso que poderia formar uma espécie de sociedade utópica sabe? Pegar os amigos e amigas mais próximos e legais, sem os puxa-sacos, e nem o proto intelectuais fajutos, e partir para algum lugar no meio do mato e construir algumas cabanas. Viver da terra ou algo que o valha.

Mas talvez mesmo, esse vagão seja o lugar certo para o meu agora, e o agora do futuro eu deva deixar para que os ventos decidam. Afinal, as coisas que mais puras, são aquelas feitas sem ambição. E minha mente cansada não consegue pensar em mais nada além de o quão gelada e dura está minha maldita bunda.


I keep a close watch on this heart of mine
I keep my eyes wide open all the time.
I keep the ends out for the tie that binds
Because you’re mine,
I walk the line

I find it very, very easy to be true
I find myself alone when each day is through
Yes, I’ll admit I’m a fool for you
Because you’re mine,
I walk the line

As sure as night is dark and day is light
I keep you on my mind both day and night
And happiness I’ve known proves that it’s right
Because you’re mine,
I walk the line

You’ve got a way to keep me on your side
You give me cause for love that I can’t hide
For you I know I’d even try to turn the tide
Because you’re mine,
I walk the line

Mr. Cash – I Walk The Line

Is this thing m my throat


This thought on my mind


The silent screams


The pain in my stomach


That keeps me awake every night


This words that don’t come out


What should I do when I can’t even think straight?


When there is a blur in my mind


Cause I just can’t forget


That the next step is an abyss of shattered glass


You know that I can use somebody


Someone like you


And all you do

Nego que te amo

Mas nego em silêncio, para que não me ouças.

Porque quando te amo

Amo baixinho, ao pé do ouvido.

Pois meu amor é como a brisa

Que farfalha as folhas das árvores no inverno

Passageiro, mas queima, arde

Fugaz, assaz, furioso.

Como uma tempestade em dia de verão

Que dura dias, talvez horas

E nada mais.

Feliz nesse momento.

20.000 visitas Weeeeeeeeeeeeeee

Para o alto, alééééém.


Bang bang, she shot me down
Bang bang, I hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, my baby shot me down.

Seasons came and changed the time
When I grew up, I called her mine
She would always laugh and say
“Remember when we used to play?”

Bang bang, I shot you down
Bang bang, you hit the ground
Bang bang, that awful sound
Bang bang, I used to shoot you down.

Music played, and people sang
Just for me, the church bells rang.

É triste me realizar só em meio a tanta gente

Pensar que a sua memória é melhor que a sua presença

Que o silêncio entre nós é mais acolhedor que suas pernas

Que meu travesseiro é mais macio que seus seios

Que o frio de minha voz é mais quente que seus abraços

Não sou eu, é você

Que me faz sentir assim

Tão diferente de tudo que já senti

Tão igual a tudo que não queria ouvir

Where do we go, who knows?

But each day gets better

I just can’t let her go, oh no

Each kiss gets sweeter

I just can’t leave her, no

I’ll write a song

I thought about it for far too long

But I’ve never had someone to sing about

Until I met her, now each day gets better

Nobody knows, nobody sees

Nobody else understands me like she

Now that I know what true love means

I just hope she stays with me

Eu acabo de assistir a dois filmes. Sim, sessão direta. 3 horas e um pouquinho deitado assistindo a dois filmes. Dois pontos de vista, duas histórias diferentes, com protagonistas diferentes, mas com um mesmo tema, o amor.

Claro que falar de amor é sempre falar de um tema bem clichê, batido. Que serve principalmente para fazer com que raparigas achem que você é sensível e os caras te achem um babaca.

Mas os filmes em questão, não só tratam de amor, mas ainda por cima tratam de outro grande tema, outro grande pesadelo. Eu diria ainda outra Grande Muralha da China, o casamento.

Pra mim esses dois assuntos são como as tábuas da lei. Algo que supostamente deveria existir, mas que de certa forma a gente não liga muito, sabe como é.

Minha posição quanto a esses assuntos é a de que o amor em si é insano e de que o casamento é uma prisão. Um barco no meio do pacifico a 300km da costa, com um furo no casco e cercado de tubarões tigre que não comem há três semanas.

Eu penso dessa forma com relação ao casamento hoje em dia, sem claro levar em conta o amor, a loucura. Porque ela muda tudo. Ela é o caos, o imprevisível de nossa vida. Ela é aquela garota legal da livraria que te convida pro café, é a viagem a um outro país para as férias. No amor até mesmo o mais bravo dos espartanos baixa a guarda, e onde o mais invicto dos garanhões treme na base. Até mesmo Conam, o Bárbaro se rendeu ao amor certa vez. Claro que ele não deixou de decapitar pessoas, roubar cavalos e salvar donzelas seminuas, mas ele estava ali, pronto a fazer qualquer coisa por sua rapariga.

E esses filmes me fizeram pensar um momento sobre o que eu estava falando todo esse tempo. Sobre a minha posição claramente cimentada em um lado não a favor do casamento. E de como Murphy pode achar extremamente engraçado me fazer sofrer por causa dessa minha opinião. Porque afinal, como eu disse algumas vezes, nada no mundo é escrito em pedra (tá, tem até algumas coisas e tal, mas deu pra entender).

Nenhuma posição é sempre a mesma para sempre, nenhuma opinião é firme o bastante para resistir aos ventos de mudança. Não estou dizendo que mudei de opinião, veja bem. Ainda acho que o casamento é a maior braça furada de todas, a única festa que tu sabe que no fim tu vai se dar mal de alguma maneira.

Mas imagine que você ama alguém tanto que chega a doer só de pensar em estar em outro lugar, com outra pessoa. Gosta tanto que não queria fazer outra coisa se não estar ao lado dessa pessoa, mesmo que para fazer bosta nenhuma, e essa pessoa sente o mesmo. Você com certeza gostaria de passar o resto da vida com essa pessoa. Claro.

O problema disso tudo é que “para resto da sua vida” realmente pode significar muito tempo (e nunca tenham uma sogra chamada Esperança). E quando as coisas ficam do mesmo jeito durante muito tempo (leiam de novo um parágrafo acima), elas tendem a mudar (não necessariamente para algo bom), a desgastar e por fim a ruir (vide Roma, a Trilogia Star Wars e a revista do Hulk).

Quando a instituição do casamento foi criada, sei lá a quantos séculos atrás, era com certeza mais fácil ser casado (tá, tirando que a noiva não escolhia nada, nem o marido). Porque naquela época as pessoas viviam até no máximo 30 e poucos anos, ou seja, “o resto da sua vida” ou o “até que a morte nos separe” realmente era bem aceitável, porque não era realmente muito tempo.

No nossa sociedade atual, essa instituição de casamento deveria ser reestruturada. Deveríamos ter algum tipo de inovação, sabe? Sei lá, vai que alguém por ai resolva fazer que nem os clubes fazem com jogadores, comprem os contratos durante algum tempo, primeiro para teste, e depois se estiver tudo bem, eles continuam renovando os contratos e tal. Mas, se no fim do tempo de contrato não der certo, todo mundo sai cada um por uma porta e volta a viver a sua vidinha normal, em busca da nova contratação.

“…quando algo pode dar errado, dará errado.

Quando algo não pode dar errado, dará errado.

Das coisas que tem a mínina chance de darem errado, algumas darão”


 


 

 

 

Chove na tarde fria de Porto Alegre

 

Trago sozinho o verde do chimarrão

 

Olho o cotidiano, sei que vou embora

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

Chega em ondas a música da cidade

 

Também eu me transformo numa canção

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

Sobrevôo os telhados da Bela Vista (1'19" - 156 KB)

 

Na Chácara das Pedras vou me perder

 

Noites no Rio Branco, tardes no Bom Fim

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

O trânsito em transe intenso antecipa a noite

 

Riscando estrelas no bronze do temporal

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

O tango dos guarda-chuvas na Praça XV

 

Confere elegância ao passo da multidão

 

Triste lambe-lambe, aquém e além do tempo

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

Do alto da torre a água do rio é limpa

 

Guaíba deserto, barcos que não estão

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

Ruas molhadas, ruas da flor lilás

 

Ruas de um anarquista noturno

 

Ruas do Armando, Ruas do Quintana

 

Nunca mais, nunca mais

 

 

 

 

Do alto da bronze eu vou pra cidade baixa

 

Depois as estradas, praias e morros

 

Ares de milonga vão e me carregam

 

Por aí, por aí

 

 

Ramilonga, Ramilonga

 

 

Vaga visão, viajo e antevejo a inveja

 

De quem descobrir a forma com que me fui

 

Ares de milonga sobre Porto Alegre

 

Nada mais, nada mais.

 

 

I’ll put i sign in my mind

“Manipulated only by authorized personnel

And careful girls.”

 

Eu me peguei então pensando sobre sentimentos, e como eles tendem a avacalhar com a nossa simples vidinha. E acabei por chegar a conclusão de que o amor e a loucura são irmãos, se não a mesma coisa. Pois que não é a loucura a capacidade de nos machucarmos e de machucar outras pessoas? E o amor também não se descreve assim?

Então quem ama é louco, não é?

Pois qual pessoa em sã consciência iria agüentar as coisas que um enamorado agüenta? Faria as coisas que faz? Abdicaria das coisas as quais ele abdica? Seria capaz de se machucar e também de machucar as pessoas ao seu redor (não tanto fisicamente, mas mentalmente falando)?

Loucura, só pode ser.

Você vê esses loucos hoje por todos os lugares, em bancos de praça, comprando cachorros quentes, conversando com sue pais. E, na maioria das vezes, não há como saber quem é louco ou não, pois eles todos parecem normais a primeira vista. Apenas quando conversamos com eles a fundo é que percebemos o quanto estão envolvidos dentro dessa loucura, e assim imaginamos “Nossa, isso pode acontecer comigo um dia, eu posso ser pego por essa loucura. E aí, o que eu faço?”.

Pois é, ninguém é imune a esta loucura, a esta doença, que é transmitida pelo ar, pelo olhar, pelo toque, pela trova via telefone, skype ou até mesmo MSN, quem diria. Estão por aí os potenciais loucos de hoje em dia.

Mas há quem fuja dessa loucura a primeira visão de algum sintoma em seu parceiro. Assim como todos tem um amigo advogado, um tio tarado, um amigo galinha, eu também já tive um amigo louco. Louco por uma garota que ele conheceu pelas sendas deste pago que é o Rio Grande. E eu avisei a ele, preveni-o de que não deveria revelar essa loucura para a garota, a menos que ela mesma se revelasse primeiro. Afinal, essa é a lei da selva. Mulheres são como gatos ariscos, que saltam e fogem o mais rápido possível assim que percebem o perigo. E um louco é perigoso. Ah, como é.

Eu o avisei, três vezes ou mais. Disse-lhe que não o fizesse, pois muitos loucos já caíram por causa disso. Mas ele, descartando meus pedidos, foi lá e entregou-se a loucura e soltou as palavras para cima da garota que, como um bom gato, fugiu para nunca mais voltar.

E esse amigo por muito tempo passou aos prantos em busca de reparar seu erro, de mascarar sua loucura.

Homens loucos, isso sim. Pois sim, porque as mulheres, apesar de serem mais perigosas, também são mais vivas quanto a essa doença. Mais preparadas para suportar os problemas que podem vir do advento de espalhá-la para o parceiro. Já o homem não. A loucura o invade, e ele não sabe mais o que fala, não nota mais o que faz. Tudo um grande teto, que só vai se perceber meses, talvez anos após o inicio da loucura, quando o amor terminou, ou se recebeu um chute na bunda.

Cura? Não, não há cura. Há apenas um pouco de razão adquirida com os anos, um pouco de resistência aos efeitos. Assim como um alcoólatra que por muito tempo fica sem beber, também é o homem que acha que está curado, mas basta um gole mais afoito, e ele mais uma vez cairá no abismo de perdição que é essa loucura.

Atire a primeira pedra aquele que um dia não pensou nessa loucura, ou não foi quase seduzido por ela, ou até mesmo aquele que um dia se entregou a ela, e como meu amigo, a revelou e não foi correspondido, e hoje jaz um moribundo, a procura de um pouco mais dessa droga, só mais uma dose, e chega.

 

É relativamente fácil falar de amor. É só por algumas palavras bonitas, rimas e afins. Mas falar de amor e transmitir os sentimentos não é para qualquer um. Quem fala de amor, sem jamais ter sentido algo do tipo, não poderia estar falando disso. Devia ter algum tipo de carteira de habilitação para se falar de amor. E só seria dada a aqueles que já sofreram por este sentimento. Pois sim, não há quem tenha amado e não tenha sofrido um dia.

Essas pessoas sim estão aptas a falar, mais do que os outros.

Por que falar de amor sem ter sentido a dor, o ímpeto, é como desenhar saem ter inspiração, como sexo sem tesão, fica aquela sensação oca de que está faltando alguma coisa. Esse tipo de texto é daqueles que a gente não se lembra, daqueles em que a gente está no décimo parágrafo e já não se lembra mais do primeiro.

Convenhamos, amor sem tesão não dá.

Mas nos dias de hoje, parece que os papéis se inverteram. Em um mundo onde nós temos garotos de franjinha (sim, eu implico com eles), mulheres cada vez mais independentes, e miguxos, parece que o papel de falar de amor se voltou para os homens.

Cada vez mais é notada a proliferação de filósofos do amor moderno. E são em sua maioria homens, que por um motivo ou outro escolheram falar sobre este tema. Não quer dizer que as mulheres não sintam nada, que se tornaram frígidas e de coração felpudo, não. Quer dizer que elas assumiram uma postura um pouco mais séria, de não demonstrar tanto os seus sentimentos em público, de ser algo mais privado, entre ela e seu amado apenas, ou por vezes também, nem para seu amado é demonstrado todo o seu sentimento, algo anteriormente típico do comportamento masculino.

E me pergunto, porque dessa mudança, essa inversão de papéis?

Seria por causa de toda a evolução social da mulher nos últimos anos? Uma tentativa de mimetizar o comportamento masculino de anos passados, em que o homem era austero quanto aos seus sentimentos, e sendo assim, sem ter tal demonstração de afeto por parte da mulher. O homem, por sua vez, resolveu mimetizar o comportamento anterior dela, se tornando o ser emotivo da relação.

Seria isso?

Pois é fato que hoje em dia, na opinião de muitas mulheres, certas coisas que eram tão aceitáveis no passado, já não são, como ser carinhoso em excesso ou “grudento demais” ou insegurança por parte masculina. O que antes eram comportamentos tipicamente femininos, agora estão se tornando cada vez mais usualmente masculinos. É só observar o movimento social caracterizado por franjinhas e lágrimas de petróleo, popularmente chamado de:

Emos.

Não há uma descrição fiel ainda de onde deve ter surgido esse movimento, mas a nossa sempre presente Wikipédia descreve dessa forma:

“… a versão mais aceita como real é a de que o nome foi criado por publicações alternativas como o fanzine Maximum RocknRoll e a revista de skate Thrasher para descrever a nova geração de bandas de “hardcore emocional” que aparecia no meio dos anos 80, encabeçada por bandas da gravadora Dischord de Washington DC, como as já citadas Embrace e Rites of Spring, além de Gray Matter, Dag Nasty e Fire Party.

Nesta época, outras bandas já estabelecidas de hardcore, como 7 Seconds, Government Issue e Scream também aderiram à esta onda inicial do chamado “emocore”, diminuindo o andamento, escrevendo letras mais introspectivas e acrescentando influências do rock alternativo de então…”

Pois é, o movimento tem uma origem bem antiga. O grunge nasceu nessa época para se ter uma idéia. Mas nós brasileiros, ao menos do que eu me lembro, fomos atingidos por esse movimento somente no início deste novo milênio. E com ele as invasões destruidoras de língua portuguesa que alguns adeptos do movimento chamam de “miguxês”, mas isso é outra história.

Esse boi tem três coisas que fazem dele emo, você sabe quais?

 

 

O comportamento desses so called emos é bem influenciado por seus sentimentos (dããã né, por isso o nome emo, né). Eles falam de amor, sofrem, choram, esperneiam, giram a baiana, sei lá, fazem o diabo. Coisas que um homem não fazia antigamente. E creio que esse tipo de comportamento já fez com que várias mulheres ficassem cansadas e agora fiquem atrás do bom e velho cara austero, engraçado, mas que não vá chorar aos pés dela quando o relacionamento acabar.

As mulheres que antes exigiam de seus homens um pouco mais de sentimentalismo, não esperavam uma reação tão extrema por parte de uma ala masculina, que chegasse a este ponto. Creio que elas apenas queriam ouvir um pouco mais de “você está linda”, “tah, nada de futebol, hoje só eu e você” ou “você está magra”(hauhauhauhuaa).

 

A meu ver um tiro que deve ter saído pela culatra…

Um pouquinho de Amy Whinehouse aí então:

You should be stronger than me

You been here seven years longer than me

Don’t you know you’re supposed to be the man

Not pale in comparison to who you think I am

You always wanna talk it through, I don’t care!

I always have to comfort you when I’m there

But that’s what I need you to do, stroke my hair!

Cos’ I’ve forgotten all of young love’s joy

Feel like a lady, and you my lady boy

You should be stronger than me

But instead you’re longer than frozen turkey

Why’d you always put me in control

All I need is for my man to live up to his role

Always wanna talk it through, I’m ok

Always have to comfort you every day

But that’s what I need you to do, are you gay?

Cause I’ve forgotten all of young love’s joy

Feel like a lady, and you my lady boy

He said ‘the respect I made you earn

Thought you had so many lessons to learn’

I said ‘You don’t know what love is, get a grip!’

Sounds as if you’re reading from some other tired

script

I’m not gonna meet your mother anytime

I just wanna rip your body over mine

So tell me why you think that’s a crime

Discorda? Concorda? Me diga porque.

 

Cuidado. Altos níveis de sarcasmo, regados com pitadas de cinismo e humor-negro.

 

Na realidade, não existem “regras” para se terminar um relacionamento, existem dicas do que fazer e do que não fazer. Como, por exemplo, nunca use uma dessas frases abaixo como pretexto ou explicação para terminar o seu namoro:

* Ai, eu bati minha cabeça, que dor… Ei quem é você?

* Eu preciso de um tempo.

* Eu preciso de espaço.

* Não é você, sou eu.

* Eu vou me mudar para a África para ajudar os nativos.

* Eu só tenho mais seis meses de vida e não quero fazer você passar por essa experiência.

Essas desculpas colam tanto quanto você chegar trêbado em casa, abrir a porta, dar de cara com sua mãe e, ao ser perguntado sobre o seu estado, você diz “Ah, isso… foi a coca-cola que me fez mau”.

Também existem alguns tipos de conduta que não devem ser lavados a diante ao se terminar com uma pessoa. Nunca termine por mensagem de texto, correio de voz, MSN, carta, tele-mensagem, sinal de fumaça ou por telefone. Qualquer uma dessas formas vai fazer com que a pessoa envolvida fique com uma tremenda raiva de você. E pelo resto da vida, os relacionamentos dela vão ser afetados por sua atitude infantil. Resumindo: você decidiu terminar? Então seja homem e fale cara-a-cara.

Vamos então abordar, de forma prática, as formas ideais de se destruir o futuro que sua parceira/parceiro construiu no seu imaginário, mas com elegância.

Vamos começar então.

Motivo da separação

 

Eu até estava a pesquisar na internet a opinião das pessoas sobre como se deve terminar um relacionamento bem, e na maioria dos casos foi falado sobre “Fale para ela sobre seus reais sentimento, e se for verdadeiro, ela vai entender”. o.Ô

Essa técnica é bem bonitinha, e vai funcionar se você for um homem em contato constante com seus impulsos femininos. Em seguida diga para ela que você achou seu parceiro ideal, o nome dele é Jorge e ele o satisfaz completamente…

Antes de tudo, você deve ter um bom motivo para terminar um relacionamento. Seja porque a relação está morna, e você acha que não vale a pena desperdiçar o tempo de ambos nesse lenga lenga, ou simplesmente porque a secretaria gostosa e cobiçada de sua empresa está te dando mole. Motivos não são como presentes debaixo da árvore de natal, que simplesmente aparecem (claro, a não ser que realmente se trate da segunda opção), em geral, são coisinhas que vão se acumulando durante o tempo e que vão desgastando o relacionamento, até que por fim chegam ao ponto que estamos abordando.

Por experiência própria, sei que dois dos maiores motivos para o desgaste de um namoro são a convivência extrema e o ciúme exagerado.

No primeiro caso, o que acontece é que ao se encontrar todo, ou quase todos os dias com sua parceira, não há tempo para se ter aquela saudade, aquela vontade de se encontrar. Acabam-se os assuntos e fica naquela coisa banal e forçada, aquela situação chove não molha. É necessário sempre manter alguma distância, dar algum tempo para que a vontade de ser ver chegue.

No segundo caso, o que acontece é que simplesmente nós homens não gostamos de nos sentir presos. Estamos namorando, mas não quer dizer que eu quero que você dê uma de Professor Xavier (X-Men) e entre na minha cabeça para saber tudo o que eu faço durante o dia.

Na hora H não importa se o que você está falando a ela é o seu motivo real, importa apenas que pareça real. Divulgar os motivos reais é opcional e na maioria dos casos desaconselhado. Tá, pode parecer cínico e cruel isso, mas na verdade não é. Pensem em todas as vezes que você deu/tomou um fora, e se lembre se em alguma você se sentiu bem com a explicação esfarrapada que recebeu da pessoa? Hum deixa ver… nunca.

O segredo nesse tipo de coisa está simplesmente em fazer com que a pessoa que toma o pé na bunda se sinta ainda feliz por você estar largando ela (mesmo que demore alguns dias para ocorrer), pelo motivo que seja. Ela tem que sentir que está ganhando alguma coisa ou que você é uma pessoa sensível que se preocupa com ela. Não se pode chegar dizendo:

- Eu estou te segurando, pois você poderia estar arruinando mais vidas nesse momento.

Isso com certeza a faria surtar. E isso nunca é bom. Principalmente se o pai dela é policial, chefe de boca ou se ela sabe lidar com armas de fogo.

 

Ação

 

Para prosseguir, você deve ter em mente que não poderá acabar com ela em qualquer lugar, não pode simplesmente ir ao mercado e no meio da sessão de verduras começar um diálogo de término:

- Hum, esses tomates estão caros… eu quero terminar nosso namoro.

Uma boa opção é sumir, por alguns dias (não menos que dois, não mais que cinco), para que a pessoa já sinta alguma coisa estranha no ar e vá se preparando mentalmente para o que pode estar por vir.

Você deve escolher também um local calmo, onde possam conversar (sim, já falamos sobre isso, nada de mensagem de texto, seja homem, honre suas bolas), onde você possa falar para ela os seus “sentimentos”. Nunca, em nenhuma hipótese faça isso na sua casa, porquê você é quem deve dominar a situação, você é quem está partindo. Se ela estiver na sua casa, às coisas ficam muito difíceis, porque você não poderá simplesmente sair pela porta e não voltar mais, você mora ali.

 

Você já tem o motivo e o lugar, então bola para frente.

Quando vocês se encontrarem, a guria já vai estar (na maioria dos casos) nervosa e esperando pelo tombo. Não enrole demais ao falar sobre o termino. É claro que ela necessita de uma explicação, mas se ficarem muito tempo a discutir sobre o motivo, a tendência é de que acabe em briga.

Vamos a um exemplo de diálogo:

- Olha (inserir nome da moça), eu realmente gostei muito do nosso tempo juntos, mas eu sei que você notou que a gente tem se afastado…

Ela vai discordar.

- Olha, eu não quero ficar como os outros casais, que ficam simplesmente se agüentando. Não podemos ficar em uma relação que não seja espontânea e, se a gente continuar, é exatamente isso que vai acontecer.

Agora vem uma parte opcional, que depende do quanto sua garota está acreditando no que você está falando. Se optar por falar as próximas linhas, é importante que você pareça o mais natural possível, pois essa é muito clichê.

- Eu quero que tu sejas feliz, mas isso não vai acontecer comigo.

Pronto. Você disse o que veio dizer, não disse algo que possa parecer bobagem. A parte em que você disse que ela notou o afastamento é verdade, e ela vai notar. Assim como quando você disse que não quer ficar em uma relação que não é espontânea vai dar-lhe credibilidade. Por fim, você está basicamente dizendo que você é um merda que não vai fazer ela feliz. No futuro, ela vai lembrar-se de todas essas coisas, mas por agora, ela vai fazer uma das quatro coisas abaixo:

1. Vai ficar lhe questionando – Você vai ter que ser duro, então, e fazer com que ela visualize que não vai mais rolar entre vocês de forma alguma. Seja firme, ao menor sinal de fraqueza sua você vai estar perdido.

2. Chorar – Dentre todas as opções, essa é a mais passível de acontecer. É normal que isso ocorra, mas você não deve se deixar ser manipulado pelo choro dela e mudar sua decisão.

3. Barganhar – Ela pode tentar o dissuadir da decisão, geralmente prometendo mudar ou fazer algo diferente para preservar a relação de vocês. Mais uma vez, você vai ter que ser firme, olhar nos olhos dela e garantir que sua decisão é o melhor para vocês dois.

 

Não deixe esses olhinhos te convencerem

4. Desdenhar/ameaçar – Essa é a mais imprevisível e perigosa, pois ela pode simplesmente falar “Você nunca vai encontrar alguém como eu” ou “Eu vou fazer você se arrepender disso”.

O mais provável mesmo, se você fez tudo certo e foi convincente, é que sua garota chore por ter perdido você. Afinal, vocês podem ter vivido bons momentos juntos, mas tudo acaba um dia. Ela vai lembrar-se de como você agiu na situação, de como você foi honesto, vai ver como o que você falou era “verdade”, e você vai estar livre para farrear com a vizinha ou sei-la-o-quê você queria estar fazendo. Ou ela vai esfaquear você quando você estiver de costas e daí é GAME OVER.

Algumas reações podem acontecer ainda depois do ocorrido. Como por exemplo ela pode ficar te ligando, pode te procurar no trabalho, na escola, na casa da vizinha… O importante nesse ponto é você se afastar e dar à ela o tempo necessário para cair a ficha e para que ela comece a se acostumar em ter apenas a sua lembrança.

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Segundo nosso bom e já um tanto velho, mas ainda aguerrido Aurélio, a definição de irritação seria essa.

 

s.f. Ação, efeito de irritar ou irritar-se. / Estado de uma pessoa irritada: presa de forte irritação. / Ação do que excita os nervos, os órgãos etc.; resultado dessa ação. / Agastamento, cólera.

Tudo bem, não é lá uma tarefa muito difícil de fazer, a não ser que seja um homem muito, mas muito calmo, ou ele seja um banana/monge castrado.

A verdade é que as mulheres têm a grande capacidade de nos deixar por vezes com a pulga atrás da orelha, ou com vontade de encenar a ultima luta do Rocky VI com aqueles corpinhos esguios (não aconselhado para quem tem namorada que luta Muay Thay, ou que tenham porte de arma).

Então, aqui, para as mulheres, vão algumas dicas infalíveis, de como deixar o seu guri, com vontade de te pôr no porta-malas de um carro bomba na frente da embaixada dos EUA.

 

1. Seja melosa;

 

 

Ah, sim, ligue dez vezes ao dia para dizer que o ama que gosta muito de estar com ele (até mesmo usando a técnica falcatrua dos três segundos no telefone para não gastar nada). Mande e-mails com mensagens em Power Point, sobre o amor, felicidade, e as vezes sobre os mortos de fome na África( com a vã esperança de que ele se emocione com as fotinhos, mas que com certeza ele vai simplesmente mandar para o lixo, e vai continuar a ler coisas importantes, como o horóscopo do terra…). Quando estiver com ele, imite um óctopus, e grude nele, não deixe que ele vá a nenhum lugar da casa, sem que você esteja ao seu lado, demonstrando a ele o quanto o seu amor é grande, assim como sua capacidade de ser inconveniente.

2. Pergunte-nos sobre nossas ex-namoradas;

 

Sim, isso é horrível. Na maioria das vezes, nós só queremos ver o nome das nossas ex-gurias no obituário, ou na pagina criminal… ( ou talvez ainda tenhamos uma “amizade” ocasional com elas, e a nossa rejeição em falar delas, se vem do fato de que nós não conseguimos não nos gabar de algumas coisas…). E no fundo no fundo, nós sabemos que falar sobre as ex, vai dar pano pra manga para perguntas ainda mais “armadilhas”, como:

- O quanto você gostava dela? (o que pode ainda gerar uma pergunta mais perigosa: “O quanto você gosta de mim?” e pode terminar em algo do tipo, “ O que você acha de nossa relação?”).

- Porque vocês terminaram? (ah nós terminamos porque eu a traí com a melhor amiga dela…).

- Você a acha mais bonita que eu? (Essa é muito perigosa, pois assim como a pergunta, “… você me acha gorda?”, a resposta errada nesse caso, vai nos agraciar com vários dias de abstinência sexual involuntária).

3. Chore, grite, se escabele, e mais importante, atire coisas fofinhas e cor-de-rosa na nossa direção;

 

Não há nada mais irritante, do que uma guria que faça O ESCÂNDALO, por causa de coisas triviais, como escolher o local pra sair, porque você esqueceu que era aniversário dela, ou porque você acidentalmente estava na cama com sua melhor amiga.

Tah, não tão extremo assim. Mas com certeza é bem irritante e frustrante para um homem quando sua garota começa a espumar, e logo após os gritos, em sua direção você vê que atiradas coisas felpudas e fofinhas, como aquela pantufa do Taz. E depois de todo o escândalo, você não se dando por vencida, apela para o emocional… você chora compulsivamente, e começa a dizer coisas aleatórias como:

- Você não me ama mais?!

- Eu não sou bonita o bastante?!

- Como assim roupa de colegial??!!!

4. Demore em se arrumar;

 

Poucas coisas dão mais nos nervos do que aguardar uma princesa se arrumando (o resultado final pode ser maravilhoso, e nos dar vontade de arrancar a roupa de vocês, mas a espera é dolorosa. A não ser que você tenha um Playstation 2 com alguns jogos de matança). Fique se olhando na frente do espelho e perguntando que tipo de roupa fica melhor, sendo que com certeza, a nossa opinião não vai influenciar em nada na sua escolha final.

Se estiver na casa dele, ao se aprontar, deixe suas coisas espalhadas pela casa, calcinhas no chuveiro, e cabelo no ralo…

5. Demore mil anos ao fazer compras;

 

Sim, porque também é um pé no saco deveras irritante dar uma de Homem-Cabide. Você fica para lá e para cá, indo de loja em loja, de provador em provador, e nós homens ficamos atrás… Irritante, a além de tudo, acarreta em que enquanto você está no provador, nós por uma raiva (sub)consciente, vamos dar em cima de todas as garotas que vendem perfumes, óculos, bijuterias, que trocam as roupas do cabide…

6. Comece a planejar o lindo e brilhante futuro a dois;

 

Isso não só nos deixa irritados, pois é um assunto que não gostaríamos de tocar, como também pode ocasionar o fim de toda a relação, pois na verdade nó queríamos apenas nos divertir, e você já esta lá escolhendo as toalhas de mesa para nossas bodas de ouro.

Nós queremos apenas aproveitar o momento. Nada de pensar nos nomes dos nossos sete filhos e doze netos, no nome do cachorro… etc. Talvez até quiséssemos algum compromisso, mas queríamos que ficasse subentendido apenas, e não planejado até a última nota de rodapé.

7. Arrume o nosso caos particular;

 

Cara, isso é ruim. Você tem lá, sua imitação do Holocausto no seu quarto, mas onde você consegue se encontrar, e vem aquela figurinha baixinha, e diz que o local está uma bagunça, te chama de vagabundo, e então começa a escavar o lixão que é o lugar. O olhando com um ar de reprovação a cada revista masculina encontrada, a cada meia escondida meticulosamente entre o colchão e a cama, a cada pedaço de pizza de três ontontes que ela encontra.

8. Diga que o meu desenho não é que nem o da TV, ou que a gostosa está com os peitos caídos;

 

Sim, eu desenho, então eu acho que isso pode se aplicar a mim, mas também poderia servir para outras formas de arte. Pois se você está lá concentrado na sua obra (qualquer que seja ela), não quer ninguém dando palpite, dizendo que a cor tá errada, que o violão tá desafinado, que na verdade você está só fingindo escrever…

9. Seja possessiva;

 

Não deixa o guri ir ao banheiro em paz, não pode jogar futebol, mexe na carteira dele para ver se encontra algum vestígio de traição, desconfia dos lugares aonde vamos…

Gostamos de sabre que vocês se preocupam conosco, agora, posso cagar sem a sua presença?

Ser possessiva demais, além de sinal de insegurança, é muito inconveniente em várias situações, e tem gente que chega a extremos nessa viagem. Eu por exemplo, conheço uma guria, que pegou o CPF do namorado, para poder ligar para a operadora de telefonia dele para saber quais foram as ultimas ligações recebidas, os últimos números discados. Chegava ao cúmulo de ligar para qualquer número que fosse estranho, para saber se era de mulher. E se fosse, ah daí sim o barraco tava armado.

 

E por fim, e talvez a forma mais devastante de deixar um homem brabo e ou broxa…

10. Diga a ele que você fingiu;

 

Sem comentários.

 

Olha, tenham certeza de que há ainda diversas outras maneiras de nos deixar putos da cara, mas um Top 10 já ta de bom tamanho. Como eu disse isso já é o bastante para fazer um cara comum (vulgo eu), querer brincar de corujinha com o seu pescoço, ou dizer que vai se mudar para a África setentrional para ajudar os necessitados.

No nosso próximo episódio: Como dar um pé…

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A chuva cai do lado de fora da casa. O som da água que escorre pelo lado de fora da janela, e as luzes dos relâmpagos que incendeiam o céu negro, fazem com que Frank Sinatra que canta em um velho toca discos, pareça um porto seguro. Com sua voz encorpada e triste, às vezes em falsete, flertando com as palavras.

Ao lado da janela quebrada, Neville tem em seu colo Sam. Seus olhos estão cobertos de lágrimas, mas em seu rosto há um sorriso. Daqueles sorrisos que se têm quando começamos a nos lembrar de dias felizes, que a muito já passaram. Lembranças que nos fazem ficar perdidos no tempo, sem saber o que é real, e o que é imaginário. Porque em nossas lembranças, aquilo que nós mais amamos vivem sempre. Um universo paralelo, onde o tempo nada significa. Onde por um segundo, podemos ser o que quisermos.

- Lembra-se… Sam, do dia em que fomos ao Central Park? Ah, vai, não faz tanto tempo assim. Eu me lembro como se fosse ontem. Você estava correndo pela grama atrás de uma grande borboleta… ah eu já disse várias vezes. Aquela era uma Polyommatus icarus.

-Como? Ah sim, ela era linda mesma, realmente ela é uma das minhas espécies favoritas, com aquela coloração azul. Ah é , ela pousou no seu nariz, eu lembro, você se apavorou… ahuahauhuahuahhaa.

- Você está ouvindo essa música?

- Ah, não me diz que não conhece ele? Putz, e eu pensando que em todo esse tempo comigo, você tinha aprendido alguma coisa.

- Ora, essa musica é a Redemption Songs, do Bob. Escute…

We are going to emancipate ourselves from mental slavery because whilst others might free the body, none but ourselves can free the mind. Mind is your only ruler, sovereign. The man who is not able to develop and use his mind is bound to be the slave of the other man who uses his mind, because man is related to man under all circumstances for good or for ill. If man is not able to protect himself from the other man he should use his mind to good advantage. The fool will always pay the price. The fool will always carry the heavy burden. The fool will always be crushed without a tear from God or man because God Almighty never made a fool. God is all wise. When god Almighty made man in His own image and likeness, it wasn’t the physical, it was the mind that was like God. Every man represents God in his unitary intelligence. When man abuses that intelligence he lowers himself.

A chuva aumenta do lado de fora. Mas o som do toca discos envolve as lembranças em um cobertor aconchegante. Agora os pingos de chuva começam a invadir o aposento através da janela destruída. Somente alguns pingos que caem entre o assoalho lustroso, deixando sua pequena marca. Ele observa-as em devaneios.

- Aposto que você também não sabe o que é uma redemption song né? Huhuhuhauhahauh, tá eu te explico, mas bem por cima. É que a muito tempo atrás, na áfrica, havia muitos conflitos armados, guerras civis… esse tipo de coisa. E muita gente, mas muita gente morreu, e outros ficaram em silêncio contra os abusos que sofreram… ah, isso me lembrou uma frase:

“Para que o mal vença, só é necessário que o bem não faça nada…”

- È, eu sei. Bom, como eu disse, muitos ficaram em silencio, mas alguns, com coragem decidiram que o mal não mais os ia fazer para de sorrir. Então toda vez que tinha algum confronto armado eles iam às ruas, nas esquinas, e ficavam cantando musicas que falavam de liberdade, de força contra a opressão, de iluminar a escuridão que encobre cada dia novo. È, muitos morreram, mas na escuridão, mais vozes se juntaram as que continuaram cantando…

- Pois então, esse Marley que eu falava. Ele tinha essas idéias, meio alternativas. Ele acreditava que podia curar o racismo e o ódio, ao injetar amor no coração das pessoas através da musica…

- Ah sim, sim. Uma vez, ele estava agendado para tocar em um comício de paz. Um homem veio então a sua casa e o alvejou… Dois dias depois, ele subiu no palco e tocou.

- Ah, alguém perguntou sim porque ele fez aquilo, daí ele disse:

- Porque aqueles que estão tentando tornar esse mundo um lugar pior, não estão tirando o dia de folga. Como eu poderia fazer isso?

Won’t you help to sing

these songs of freedom? -

cause all I ever had:

Redemption songs -

All I ever had:

Redemption songs:

These songs of freedom,

Songs of freedom…

- Eu, velho? Como assim. Nah, não é isso não. È que quando eu ouço essa música eu me sinto lá, junto deles, iluminando a escuridão. È por isso que eu luto. È por isso que eu não deixo que as trevas entrem, por mim, e por você também…

- Não se preocupe, tudo vai ficar bem…

Suas palavras são envolvidas agora por um manto de pranto e dor. Saem entre soluços apressados. Seus olhos se encheram de lágrimas. Ele abraçou ainda mais forte Sam. Em seu coração uma dor que ninguém poderia descrever, sentir, resistir. Como se uma parte de seu coração tivesse sido arrancada de seu corpo. Ele desejava gritar, gritar até que não tivesse mais voz, até que não restasse mais homem, que não restasse mais dor,

- All I ever had.. redemption…….songs, these songs of freedom…Songs…… of freedom…redemption song.

 

Light Up the Darkness

Uma releitura livre, para o sentimento de Richard Matheson