Muito embora o dia dos namorados já tenha passado, ele com certeza marcou a todos nós independentemente de termos uma namorada (ou namorado, vai saber).

Os que possuem namorada nesse momento devem estar sentindo uma leveza, a falta de alguma coisa. E na grande maioria das vezes se deve a falta de pelo menos 50 reais se você for um namorado que gosta de mimar a sua garota, 50 se você gosta de sair com ela e de fazer alguma coisa romântica, ou 10 reais se você pensar que nem eu. Alguns outros tipos de homens podem ainda sentir essa leveza por alguns meses a mais do que os outros, no que chamamos de prestação. O que de qualquer forma não é recomendado fazer.

Por quê?

Ora, porque digamos que você vai lá e escolhe algumas coisinhas que você vai gostar, e outras que você acha que ela vai gostar o que dificilmente acontece, a não ser que você compre o que ela quer, o que também raramente acontece. O fato de não comprarmos o que vocês querem é porque n maioria das vezes nós não estamos prestando atenção ao que vocês dizem e acabamos concordando com tudo. E claro, esse tipo de atitude pode gerar inúmeros problemas, como o fato citado acima, da sua garota não gostar do presente, passando por algumas situações constrangedoras envolvendo lingerie e a sua garota (ficou claro quem vai estar na lingerie?), e fugas de igrejas.

Mas enfim, continuando.

Você então foi lá e comprou aquelas coisinhas legais que um pé rapado que nem você só poderia comprar em trezentas vezes de X R$ e acabou dando tudo pra ela acreditando que sue amor estaria feliz, e que vocês ficariam juntos pelo resto da eternidade, e caminhariam ao pôr-do-sol, andariam de pedalinho na redenção, comeriam algodão doce no parcão…

Beeeeeeerrrrr…errado.

Duas semanas depois vocês entram em acordo e acabam o namoro. Ela entra com o pé, e você com a bunda. Então daí você percebe que ainda tem um zilhão de prestações para pagar daquelas tranqueiras que você comprou pra ela, mas quem na verdade vai aproveitar mesmo aquela outra “coisinha” que você comprou é o Ricardão ali do lado (sem trocadilhos, por favor).

Sacou o que quis dizer?

Não que eu ache estritamente necessário algo especial nessa data. Afinal é apenas mias uma daquelas datas inventadas para fazer com que você gaste aquele seu precioso dinheirinho que você economizou para aquela edição especial de GTA IV em alguma coisa bonita, cara e que provavelmente não vai ficar com você.

Claro que é bem difícil de convencer as garotas desse ponto de vista, principalmente se elas acabaram comprando alguma coisa para você. Então a não ser que você se garanta com algum tipo de desculpa (ou faça como um amigo meu que terminou o namoro uma semana antes, e depois de passado o dia voltou com a garota (Juro *)) vale apena dar uma passadinha no 1,99 ou no camelô mais próximo.

Claro que o dia dos namorados não se resume a presentes. Como todos os outros dias ele também é sobre:

Sexo.

Claro, para todas aquelas pessoas arroz com feijão hoje é um dia especial. Mas se você realmente comemora esse dia como um dia especial ele ainda é mais do que isso, ele é um dia onde você vai pensar apenas naquela outra pessoa que faz com que sua grana suma, com que sua conta de telefone aumente, com que sua mãe brigue para que você saia do PC, e com que você comece a saber como são ruins os atrasos. A sua namorada. Ah tri.

E para as pessoas solteiras o que sobra?

Sobra um dia de mau-humor, maldições, dor de cabeça, raiva reprimida e no fim algum filme com a Julia Roberts, ou a Sandra Bullock. Ou se você escolher pelo lado que ignora esse dia como data festiva (o que te obriga a ignorar também a Páscoa, Natal e o dia das crianças dependendo da sua idade), você pode simplesmente escolher ir beber em algum lugar lúgubre e acordar no outro dia abraçado na privada, ou com alguma coisa deitada do seu lado. Grandes opções.

A verdade é que se você tem alguém que realmente gosta, não deveria celebrar isso apenas no dia dos namorados, e sim em todos os dias possíveis. Se você não tem namorada, compre Crysis e seja feliz.

Crysis.

O que é ter sucesso?

Sucesso é ter grana o bastante para gastar e não se preocupar, ter tempo pra vadiar e um trabalho pra voltar, uma mulher com quem se quer estar, uma casa pra morar, um carro para andar, uma bela guitarra para tocar, folhas para desenhar e países para viajar?

Sim, é isso sim. Isso de certa forma é sucesso. Não é sucesso como o do Michel Jackson ou da Madonna, mas ainda assim é sucesso. De uma forma fútil, mas ainda assim.

Mas, no fundo todos nós somos nesse sentido fúteis. E nossas visões de sucesso, ao menos em alguns daqueles pontos, convergem para o mesmo lugar, para as mesmas palavras. Sendo você homem, mulher ou um tiozão de 50 anos solteiro.

Dinheiro, veículo, mulher.

Três palavras e apenas isso, mas que rendem muitos anos de trabalho árduo e sacrifícios. Claro, isso se você não for um príncipe do petróleo ou filho da Jolie e do Pitt.

Mas no âmago da palavra, ao menos na minha mente deturpada, sucesso significa a não mediocridade. Significa ser único, diferente, pensante, ambicioso.

Ambição e mediocridade são, claro, assuntos bem recorrentes em minha mente e em minhas conversas com amigos. Pois que não é que nossa sociedade atual preza pela mediocridade das pessoas, ajuda com isso até.

Pense bem, vamos colocar em um contexto bem simples.

Tem um garoto em sua sala de aula que é um nerd. Um cara que estuda muito, conversa pouco. Sabe aquele tipo que todo mundo jocosamente chama de CDF. A maioria das pessoas tiraria sarro desse moleque e o perseguiria durante todo o tempo, tornando a mera existência dele na mesma sala de aula de vocês um inferno.

Por quê?

Porque ele não é exatamente o protagonista da novela das sete ou o ganhador do Big Bundas Brasil. Ele nem mesmo freqüenta academia ou vai ao shopping durante uma tarde inteira para comprar as roupas da moda em uma lojinha de surf.

Vê o que eu quero dizer? A nossa sociedade preza pela massificação das pessoas, pela banalização do pensamento, pela criação de uma geração rasa e vazia. Por um povo diferente do que no século passado gritou por diretas já, se opôs a guerra, pensou na paz, lutou por direitos.

Em todo o lugar aonde vamos, em todo o canal que olhamos, em toda a rádio que ouvimos vemos essa tentativa de massificação do povo. São programas de TV descerebrados, propagandas sem sentido, sem motivo, são pessoas sem conteúdo, sem cultura.

E cultura, ou exatamente a falta dela, é que faz com que nossa sociedade atual ande com pernas resolutas, mas de olhos fechados.

Em nossa atual infra-estrutura social, o máximo de cultura que o povo busca está em páginas da revista Capricho, da Fluir ou no programa do Sr. Santos.

Claro que o meu conceito de cultura pode ser ligeiramente divergente do resto da molecada que por ai está, não é mesmo? Por que afinal pra mim, música de verdade é blues, jazz, clássica, rock, e não o monte de lixo que se ouve por aí. Pra mim, significa ler clássicos e não qualquer livro que Dan Brown ou o Paulo Coelho escrevam. É ver uma TV que possa me passar algo novo, um filme bom, ou apenas alguma sacada inteligente, e não algo que apenas mostre uma mulher cujo apelido faz referência a uma melancia, e que agora será um modelo de pessoa a se seguir pelas jovens de nosso país, muito embora ela não saiba nem mesmo quem era Alexandre, e se o conhece é o Frota.

Minha noção de cultura parece um pouco distorcida, não é?

O ponto de tudo isso que eu estou dizendo é que, ao que parece, hoje em dia não existe mais a ambição de se ampliar os horizontes, de se conhecer mais, de ser mais.

Se eu quero dinheiro e um trabalho legal? Sim, eu quero. Um carro pra andar e uma casa pra morar? Sim, gostaria muito.

Mas ainda assim eu busco o conhecimento. E é triste que eu tenha que me voltar ao passado para desfrutar de algo novo, pois não há nada no mundo atual que valha cinco minutos de minha atenção. E realmente o tanto de informação que possuímos, criadas nos dias de hoje, não compete de forma nenhuma com o que se tem no passado de nossa humanidade. Ao menos em qualidade. Aprender com professores como Sun Tzu, Freud, Napoleão, Heródoto e tantos outros é realmente bem diferente do que buscar iluminação no Zorra Total.

O que nos falta hoje em dia é ambição. Não somente daquelas três coisas citadas alguns parágrafos acima, mas mais do que isso. Falta-nos pensamento individual, nos falta deixar de lado a massa, nos falta deixar de ser iguais.

Somos nosso próprio deus, somos os atores principais de nossa história, somos o centro de nosso universo. Somos – ou deveríamos ser – únicos e não deveríamos nos contentar com os papeis coadjuvantes que tentam nos relegar, porque podemos ser mais do que isso. Podemos ser mais sempre.

Nem todo mundo vira rock star, mas isso não nos impede de comprar guitarras.

“…all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness…”

John Hancock

Cara, como eu tenho certeza que muitas mulheres nesse momento devem estar pensando em como ter uma bula com formas de precaução, compostos químicos e contra-indicações facilitaria elas na lida diária com homens, na hora de escolher um parceiro, ou seja lá cargas d’água o uso que vocês possam dar para algo desse tipo.

Outras, no entanto, com a qual eu simpatizo mais acham que ter algo desse gênero facilitaria demais à coisa, que deixaria sem aquele gostinho de mistério, de medo, de ansiedade…

E existem aquelas mulheres que não se preocupam tanto com esse tipo de coisa, pois dizem que nós homens somos todos iguais, farinha do mesmo saco… e estas estão em parte corretas.

Sim, ora. Nós homens somos como computadores comprados todos na mesma loja. Saímos com a mesma programação inicial, mas com o tempo que se passa, cada um é modificado com as experiências que o mundo lhe proporciona (mijar em pé, destruir coisas com mais de duas peças, desarrumar tapetinhos, não saber usar a maquina de lavar… etc).

Se você observar durante ao menos cinco minutos, verá padrões nos comportamentos masculinos e conseguirá ver o padrão que é sempre seguido, verá os instintos básicos que religiosamente respeitamos.

As duas coisas que movem os homens hoje em dia basicamente são o sexo e o dinheiro (não necessariamente nessa ordem).

Vocês podem estar dando uma risadinha e pensando “ah, eu já sabia disso”, mas a verdade é que vocês acreditavam que nós éramos movidos por algumas coisas a mais do que isso ao longo da nossa vida. Que nós de alguma forma tínhamos algum tipo de nobreza, ou sei lá o que suas cabecinhas podem ter pensado sobre nós.

Mas pense bem, observe aquele seu amigo bem próximo e os padrões no comportamento dele. Tente observar através de alguma superfície reflexiva ele olhando a sua retaguarda quando você se vira. Tente notar para onde ele olha quando está de óculos escuros e você de decote. Leia novamente aquela frase no MSN que você achou engraçadinha e você verá a triste verdade sobre nós homens, finalmente.

Que até mesmo aquele seu amigo que dorme com você só de pijama, e que você considera um eunuco, quer também tirar uma casquinha de você. E ai daquele homem que vir aqui e disser que isso é mentira. Eu não posso mais ser silenciado. E no fundo, você sabe muito bem que é verdade. Você sabe que seus instintos animais são o que guiam você. São eles que fazem com que você se aproxime meigamente de alguma garota. São eles que fazem você entrar no MSN toda noite. São eles que fazem com que você vá à padaria quatro vezes ao dia para comprar pão e disfarçadamente “trovar” a guria da padaria. São eles que fizeram que você imaginasse se o perfume Avanço funcionava e fazem com que você queira ter os poderes de controle mental do professor Xavier. São eles que fazem com que você finja ser religioso para se apro…err… quer dizer, tudo tem limite.

Então, para os homens, eu digo: comecem a admitir a verdade na frente de vocês. E, para as mulheres eu digo: comecem a ler os padrões. E mais uma coisa, o meu MSN está na lista de contato.

It’s good to be back.