
Eu lembro de ter acordado no meio da noite, com o som dos latidos do meu cão. Resolvi me levantar para ver o que estava acontecendo, e para dar um fim na barulheira. Pus meu roupão e sai para o quintal, e enquanto eu o atravessava, eu vi os primeiros clarões no céu. Como nos filmes de guerra. Grandes clarões que irrompiam por toda a cidade a norte de minha fazenda. O barulho era estarrecedor, e as ondas de choque atingiam meus pés e faziam a terra tremer.
Hal Scott Jordam
Sobrevivente do primeiro incidente.
Houve uma tragédia de grandes proporções. No centro de nossa cidade houveram diversas explosões. Logo seguidas de uma fumaça branca não identificada ainda. O serviço de controle de doenças isolou a área, e mantém todos os que foram expostos pela fumaça em uma tenda improvisada no meio do Square Gardem.
Como noticiado pela Cnn por Ann Lee Rice
Momentos após o incidente Nova York.
Eu me lembro claramente de como tudo era antes. De como as cidades eram cheias de vida, cheias de carros. O movimento era constante, o ruído da cidade não parava nunca.
Durante o primeiro incidente, eu estava dentro de um ônibus, voltando de uma aula. Foi então que ouvimos um ruído ensurdecedor, e as janelas do ônibus se fizeram em pedaços. Em seguida as luzes de toda a cidade se apagaram. E não voltaram mais.
Eu voltei para casa andando. Uma longa caminhada de 45 minutos em meio ao mais completo breu. Esperei que a luz voltasse para que pudesse continuar com meus afazeres, mas ela não voltou naquela noite. E nem naquela semana.
Durante o primeiro dia, as rádios noticiavam que ainda não haviam sido identificados os motivos daquele incidente, e nem quanto tempo demoraria para ser corrigida a situação.
Mas então começaram a pipocar boatos de que outras cidades haviam sofrido de acontecimentos parecidos, e cada vez mais o terror aumentava entre as pessoas.
Depois pessoas começaram a morrer aos baldes, sendo identificadas como vítimas de envenenamento. Então o abastecimento da água foi cortado.
O caos se instalou por entre os diversos habitantes da cidade. Lojas era saqueadas, mercados arrombados, pessoas eram espancadas.
Eu permaneci em casa, ouvindo o rádio e prestando atenção nos acontecimentos que agora haviam se tornado globais. Então o rádio também parou de funcionar, e a única coisa que podia se ouvir era o som do chiado que saía pelos alto falantes.
Uma semana depois do primeiro acontecimento, eu lembro de acordar no meio da noite. Nosso gerador finalmente havia se entregado e o ar-condicionado havia parado. Eu notei então uma leve neblina cobrindo a cidade. Espessa e branca. Como ocorre nos dias de inverno que vão ser muito gelados.
Mas estávamos no meio do verão, e fazia 30º graus.
Na manhã seguinte, o silencio havia tomado conta da cidade.

Hoje ainda não se tem certeza do que causou os incidentes que ocorreram em escala global. Acredita-se que tudo tenha sido obra da assim chamada Iniciativa Mágica. Mas os motivos e objetivos finais dessa iniciativa ainda permanecem obscuros, visto que se tem pouca informação disponível sobre a mesma em qualquer lugar. De fato a única pista que liga os incidentes a tal iniciativa são as diversas pichações e cartazes encontradas pelas cidades que passei, e que só se fizeram notar dias depois.
Creio eu que tenham também sucumbido com a infecção que despejaram no ar das cidades durante aquela noite.
De alguns bilhões, fomos reduzidos a alguns milhares espalhados por aí.
Nada é como era antes. Grande parte da tecnologia e desenvlviento que havíamos acumulado com o passar dos anos foi a baixo em menos de duas semanas.
As cidades jazem em ruínas. Cobertas por espessas camadas de cinzas e ervas daninhas. Os arranha-céus, que antes abrigavam grandes corporações, hoje são somente espinhos negros e semi-mortos, habitados apenas por animais selvagens e fugitivos.
Não existem mais grandes governos, apenas pequenas vilas espalhadas pelos cantos inóspitos e longe da radiação e do vírus. Onde a lei é imposta com força, e onde pessoas como eu são contratadas para caçar os fugitivos.
Somos mais uma vez nossos piores inimigos.
John Smith
Sobrevivente do Ground Zero.
“O refúgio que você construiu para evitar
os lugares que você mais tem que temer
é o lugar que você mais tem que temer.”