É triste me realizar só em meio a tanta gente

Pensar que a sua memória é melhor que a sua presença

Que o silêncio entre nós é mais acolhedor que suas pernas

Que meu travesseiro é mais macio que seus seios

Que o frio de minha voz é mais quente que seus abraços

Não sou eu, é você

Que me faz sentir assim

Tão diferente de tudo que já senti

Tão igual a tudo que não queria ouvir

 

Segundo nosso bom e já um tanto velho, mas ainda aguerrido Aurélio, a definição de irritação seria essa.

 

s.f. Ação, efeito de irritar ou irritar-se. / Estado de uma pessoa irritada: presa de forte irritação. / Ação do que excita os nervos, os órgãos etc.; resultado dessa ação. / Agastamento, cólera.

Tudo bem, não é lá uma tarefa muito difícil de fazer, a não ser que seja um homem muito, mas muito calmo, ou ele seja um banana/monge castrado.

A verdade é que as mulheres têm a grande capacidade de nos deixar por vezes com a pulga atrás da orelha, ou com vontade de encenar a ultima luta do Rocky VI com aqueles corpinhos esguios (não aconselhado para quem tem namorada que luta Muay Thay, ou que tenham porte de arma).

Então, aqui, para as mulheres, vão algumas dicas infalíveis, de como deixar o seu guri, com vontade de te pôr no porta-malas de um carro bomba na frente da embaixada dos EUA.

 

1. Seja melosa;

 

 

Ah, sim, ligue dez vezes ao dia para dizer que o ama que gosta muito de estar com ele (até mesmo usando a técnica falcatrua dos três segundos no telefone para não gastar nada). Mande e-mails com mensagens em Power Point, sobre o amor, felicidade, e as vezes sobre os mortos de fome na África( com a vã esperança de que ele se emocione com as fotinhos, mas que com certeza ele vai simplesmente mandar para o lixo, e vai continuar a ler coisas importantes, como o horóscopo do terra…). Quando estiver com ele, imite um óctopus, e grude nele, não deixe que ele vá a nenhum lugar da casa, sem que você esteja ao seu lado, demonstrando a ele o quanto o seu amor é grande, assim como sua capacidade de ser inconveniente.

2. Pergunte-nos sobre nossas ex-namoradas;

 

Sim, isso é horrível. Na maioria das vezes, nós só queremos ver o nome das nossas ex-gurias no obituário, ou na pagina criminal… ( ou talvez ainda tenhamos uma “amizade” ocasional com elas, e a nossa rejeição em falar delas, se vem do fato de que nós não conseguimos não nos gabar de algumas coisas…). E no fundo no fundo, nós sabemos que falar sobre as ex, vai dar pano pra manga para perguntas ainda mais “armadilhas”, como:

- O quanto você gostava dela? (o que pode ainda gerar uma pergunta mais perigosa: “O quanto você gosta de mim?” e pode terminar em algo do tipo, “ O que você acha de nossa relação?”).

- Porque vocês terminaram? (ah nós terminamos porque eu a traí com a melhor amiga dela…).

- Você a acha mais bonita que eu? (Essa é muito perigosa, pois assim como a pergunta, “… você me acha gorda?”, a resposta errada nesse caso, vai nos agraciar com vários dias de abstinência sexual involuntária).

3. Chore, grite, se escabele, e mais importante, atire coisas fofinhas e cor-de-rosa na nossa direção;

 

Não há nada mais irritante, do que uma guria que faça O ESCÂNDALO, por causa de coisas triviais, como escolher o local pra sair, porque você esqueceu que era aniversário dela, ou porque você acidentalmente estava na cama com sua melhor amiga.

Tah, não tão extremo assim. Mas com certeza é bem irritante e frustrante para um homem quando sua garota começa a espumar, e logo após os gritos, em sua direção você vê que atiradas coisas felpudas e fofinhas, como aquela pantufa do Taz. E depois de todo o escândalo, você não se dando por vencida, apela para o emocional… você chora compulsivamente, e começa a dizer coisas aleatórias como:

- Você não me ama mais?!

- Eu não sou bonita o bastante?!

- Como assim roupa de colegial??!!!

4. Demore em se arrumar;

 

Poucas coisas dão mais nos nervos do que aguardar uma princesa se arrumando (o resultado final pode ser maravilhoso, e nos dar vontade de arrancar a roupa de vocês, mas a espera é dolorosa. A não ser que você tenha um Playstation 2 com alguns jogos de matança). Fique se olhando na frente do espelho e perguntando que tipo de roupa fica melhor, sendo que com certeza, a nossa opinião não vai influenciar em nada na sua escolha final.

Se estiver na casa dele, ao se aprontar, deixe suas coisas espalhadas pela casa, calcinhas no chuveiro, e cabelo no ralo…

5. Demore mil anos ao fazer compras;

 

Sim, porque também é um pé no saco deveras irritante dar uma de Homem-Cabide. Você fica para lá e para cá, indo de loja em loja, de provador em provador, e nós homens ficamos atrás… Irritante, a além de tudo, acarreta em que enquanto você está no provador, nós por uma raiva (sub)consciente, vamos dar em cima de todas as garotas que vendem perfumes, óculos, bijuterias, que trocam as roupas do cabide…

6. Comece a planejar o lindo e brilhante futuro a dois;

 

Isso não só nos deixa irritados, pois é um assunto que não gostaríamos de tocar, como também pode ocasionar o fim de toda a relação, pois na verdade nó queríamos apenas nos divertir, e você já esta lá escolhendo as toalhas de mesa para nossas bodas de ouro.

Nós queremos apenas aproveitar o momento. Nada de pensar nos nomes dos nossos sete filhos e doze netos, no nome do cachorro… etc. Talvez até quiséssemos algum compromisso, mas queríamos que ficasse subentendido apenas, e não planejado até a última nota de rodapé.

7. Arrume o nosso caos particular;

 

Cara, isso é ruim. Você tem lá, sua imitação do Holocausto no seu quarto, mas onde você consegue se encontrar, e vem aquela figurinha baixinha, e diz que o local está uma bagunça, te chama de vagabundo, e então começa a escavar o lixão que é o lugar. O olhando com um ar de reprovação a cada revista masculina encontrada, a cada meia escondida meticulosamente entre o colchão e a cama, a cada pedaço de pizza de três ontontes que ela encontra.

8. Diga que o meu desenho não é que nem o da TV, ou que a gostosa está com os peitos caídos;

 

Sim, eu desenho, então eu acho que isso pode se aplicar a mim, mas também poderia servir para outras formas de arte. Pois se você está lá concentrado na sua obra (qualquer que seja ela), não quer ninguém dando palpite, dizendo que a cor tá errada, que o violão tá desafinado, que na verdade você está só fingindo escrever…

9. Seja possessiva;

 

Não deixa o guri ir ao banheiro em paz, não pode jogar futebol, mexe na carteira dele para ver se encontra algum vestígio de traição, desconfia dos lugares aonde vamos…

Gostamos de sabre que vocês se preocupam conosco, agora, posso cagar sem a sua presença?

Ser possessiva demais, além de sinal de insegurança, é muito inconveniente em várias situações, e tem gente que chega a extremos nessa viagem. Eu por exemplo, conheço uma guria, que pegou o CPF do namorado, para poder ligar para a operadora de telefonia dele para saber quais foram as ultimas ligações recebidas, os últimos números discados. Chegava ao cúmulo de ligar para qualquer número que fosse estranho, para saber se era de mulher. E se fosse, ah daí sim o barraco tava armado.

 

E por fim, e talvez a forma mais devastante de deixar um homem brabo e ou broxa…

10. Diga a ele que você fingiu;

 

Sem comentários.

 

Olha, tenham certeza de que há ainda diversas outras maneiras de nos deixar putos da cara, mas um Top 10 já ta de bom tamanho. Como eu disse isso já é o bastante para fazer um cara comum (vulgo eu), querer brincar de corujinha com o seu pescoço, ou dizer que vai se mudar para a África setentrional para ajudar os necessitados.

No nosso próximo episódio: Como dar um pé…

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Como deixar sua garota irritada…sem querer

Macho alfa, e a filosofia T-rex

 

 

20 de dezembro de 1999

20h32 min.

 

O vento cortante das ruas, e o frio dilacerante não interferem com a concentração da caçadora. Como um grande felino que espera ofuscado pela grama, ela aguarda ao lado da janela. Faz cinco minutos que ela subiu os degraus da escada de incêndio, que mesmo coberta de neve, não ofereceu nenhum obstáculo aos membros treinados da garota.

Não há fumaça de respiração, não há medo… a garota aguarda para verificar se o local oferece algum risco adicional.

Pela janela semi coberta de neve, ele enxerga o seu alvo. Victor Povich, um ex-pugilista, pedófilo e chauvinista, que após a morte da irmã e do cunhado, ficou com a guarda de sua filha, Anna. A garota jaz no chão, desacordada ao lado da cadeira onde Povich dorme tranquilamente, após ter abusado da garota e se embebedado.

O apartamento parece saído de um filme de terror adolescente. As paredes negras pela gordura da cozinha próxima, e o papel de parede caindo dão essa conotação ao ambiente. Parece que ninguém arruma o, local faz muito tempo, pois por todos os cantos empilham-se roupas e eletrodomésticos.

A frente de Povich a televisão mostra a retrospectiva do ano. Com os chavões clássicos e musicas já manjadas. O volume está alto, talvez por isso ninguém tenha ouvido quando a garota sorrateiramente abriu a janela, e pôs os pés dentro do apartamento.

Se alguém a visse agora, pensaria estar sendo atacada por alguma mulher saída de algum filme de ninjas. A garota usa um traje ninja, negro, com muitos bolsos para guardar as ferramentas que acha necessárias a missão. E seu rosto é protegido por uma máscara, que deixa a vista apenas os olhos. Azuis. Belos e mortais.

Ela observa por alguns instantes em busca de algum movimento suspeito… nada. Ela então se move até a criança e checa o seu pulso. Viva, mas de alguma forma em sono profundo, provavelmente sedada. Ela pega Anna no colo, e anda até o banheiro próximo, a põe deitada dentro do Box do chuveiro, e sai trancando a porta.

Ouve então um barulho vindo da sala. Imediatamente ela avança, e encontra Povich de pé, tentando se equilibrar. O olhar do homem é de ódio, em sua mão uma garrafa firmemente segura.

- O quê você tá fazendo em minha casa, sua vadi…

Suas palavras são interrompidas quando o vulto negro assoma sobre ele. A garota ágil desfere vários golpes pelo corpo todo do homem, que cambaleia e solta à garrafa. Povich se apóia no sofá e avança sobre a garota, com os punhos serrados, e desfere alguns golpes, facilmente desviados, por uma agilidade quase felina. Seus olhos saltam quando sente uma dor lancinante no estomago, e nota o brilho carmim que desce por seu corpo.

A garrafa.

Ele observa o vidro verde ser tomado pelo sangue que sai de sua barriga. Ele tenta arrancar a garrafa que está cravada em seu estomago, mas ela fora empurrada com muita força para dentro. Uma força sobre humana. Seus olhos com o ultimo brilho de vida parecem perguntar como isso foi possível. Povich, campeão mundial dos pesos pesados, em nome da mãe Rússia, derrotado de forma rápida e mortal, por alguém que não parece ter saído da adolescência ainda.

Seu corpo cai no chão. A garota se ajoelha ao seu lado. Observando o sangue que começa a sujar o carpete. Parece que há uma luta dentro da mente da garota. Para ver o quão terrível vão ser seus próximos passos. Ela então se levanta. Por trás da mascara há um sorriso em seu rosto. Ela mais uma vez vai fazer justiça. Justiça contra aqueles que por meios normais não conseguem ser pegos. Justiça contra os que não têm mais volta, que já se perderam em meio a sua monstruosidade. Ela sabe que também é um monstro, mas somente alguém assim poderia fazer o seu trabalho. Um trabalho sem glórias ou louros. Apenas mais sangue nas mãos no fim do dia.

De um dos bolsos da calça, ela tira uma faca de caça. Observa a lamina que brilha, refletindo seu rosto coberto. Em seguida ela tira a roupa, pois sabe que o que vem a seguir é um trabalho sujo e demorado. Ela então se ajoelha e começa a serrar o corpo ainda semi-vivo de Povich, o Urso Russo…



Você se arrepende de algo que já fez?

Ou é daqueles entusiastas que diz que se arrepende apenas do que não fez?

Hum, eu sei que me arrependo de algumas coisas que eu já fiz na vida. Claro , eu não roubei, não matei… nada disso, mas eu já fiz bastante coisa duvidosa. Como todo mundo.

Eu já fiz escolhas muito ruins na vida, escolhi mentiras ao invés de verdade, amores ao invés do ódio, falar ao invés de calar. É eu sou uma pessoa que às vezes fala demais, e por isso meu dia-a-dia exige um controle de danos, pois eu nunca sei o que eu posso ter dito que magoou uma pessoa, sabe?

Pra mim, a vida é uma brincadeira, um jogo de futebol na chuva, um bom filme na TV. Às vezes as pessoas levam o que eu falo a sério demais, hum, e vendo agora, às vezes também o inverso, elas não levam a sério.

Eu me arrependo de ser extremos da vida: muito sério, muito alegre, muito frio, muito amistoso. Mas é um aprendizado todos os dias. Infelizmente na vida, nós não podemos simplesmente ligar e dizer que estamos doentes e passar a manha inteira vendo Dragon Ball na TV. Seria bem legal, se na vida nós pudéssemos ver o que as pessoas sentem por nós e qual sua opinião, como um anexo do Word… Ah seria tão mais fácil e divertido.

“… viva cada dia como se fosse o último.

Um dia você acerta.”

Legião.