Os homens que adentraram aquela velha casa de uma secular família do interior do condado de New Haven jamais poderiam imaginar o choque e aversão sobre-humana que encontrariam ali.

Sabiam que estavam atrás de um senhor outrora conhecido por seus estudos teológicos para a universidade local e pelas grandes doações fornecidas por sua família a famílias locais desprovidas de sustento ou em situações menos auspiciosas, mas que agora era temidamente associado a diversos boatos sobre tortura e assassinato ocorridos por todo o território americano.

Havia ele torturado e matado ao menos três pessoas no ultimo ano, e isso fora apenas o que se conseguiu confirmar ao serem encontradas partes de corpos medonhamente disformes. Um homem em um prédio em construção próximo a 5th Avenue, que fora encontrado semi mutilado, sem pés e sem mãos, parcialmente coberto pelo teto do local que de alguma forma havia cedido. Uma atriz encontrada sem a face em um teatro local após uma apresentação. E um homem encontrado semi devorado por ratos em um restaurante de uma famosa franquia.

As investigações se seguiram durante vários meses. Até que no dia 31 de outubro a policia local decidiu invadir o local, após alguns vizinhos da pequena mansão terem reclamado de alguns sons estranhos vindos de dentro de propriedade que estava anteriormente entregue apenas as baratas.

A polícia chegou por volta das 10 horas da noite em quatro viaturas policiais com agentes fortemente armados e protegidos. E desde o momento em que puseram os pés para fora das viaturas naquela estreita rua arborizada, sentiram o estalar das arvores e os sons do vento como um mal augúrio que pairava sobre aquela propriedade.

Era como se o os sons da noite fossem atribuídos de um ritmo, um som gutural apenas lembrado em histórias antigas passadas de geração em geração, que agora estavam tão desaparecidas, ou até mesmo escondidas quanto seus próprios criadores.

Todas as luzes do local estavam desligadas com exceção de uma bruxuleante luz violeta que vinha de uma das janelas do segundo andar, onde dizem, era o quarto de dormir dos pais do suspeito. Onde teriam eles sucumbido à loucura e se matado.

Conforme avançavam para dentro da casa, cada vez mais o espírito dos homens parecia ser consumido pelo ambiente e pela escuridão que permeava o local. E, conforme a casa era vasculhada, percebiam cada vez mais uma presença latente e invisível que parecia vigiar a todos que ali estavam a macular a residência.

As atenções então se voltaram para os fundos da casa, onde parecia haver um pequeno labirinto arbóreo tão antigo quanto à própria propriedade, mas que agora jazia coberto por um manto do que parecia ser uma vegetação negra e visguenta saída de um pesadelo mortífero de alguma cidade onírica dos abismos mais terríveis.

Um dos lados do labirinto havia ruído, revelando ele algum tipo de luz que vinha de seu interior, e algum tipo de canto indescritível que parecia sair da boca de um animal em transe orgástico.

O destacamento policial avançava com cautela por entre as proteções do labirinto e em meio à cobertura que a escuridão lhes proporcionava em direção à abertura lateral. E conforme os homens continuavam a percepção do que era realmente feita a cobertura do labirinto fez com que muitos recuassem, alguns caíssem no mais profundo e angustiante choro, e alguns outros entrassem no mais profundo choque, seguido de um pânico que os fez desfalecer em meio aos arbustos.

Por entre a formação arbórea e visguenta, sobre as cabeças dos oficias encontrava-se uma manta rubra indefinível de órgãos, cabelos, e pele seca humana de muitos dias, talvez até mesmo anos de existência, e sabe-se lá, morte.

O avanço da tropa continuou até a beirada do labirinto ruído, onde puderam observar - para seu horror – que os gritos animais vinham do homem que se auto intitulava o Devorador, e que dançava e cantava freneticamente em alguma língua indistinguível, alterando seus movimentos entre dois círculos suspensos no ar. O mais interior era um de fogo, onde em seu centro se encontrava uma grande e polida pedra de mármore branca banhada em algum liquido pardo seco, e o mais exterior era formado de partes humanas, e corpos das vitimas, sete delas para ser mais exato.

O choque fez com que os policiais ficassem paralisados observando aquele homem que mais parecia um animal entre seus espólios de guerra por assim dizer. Mas o choque durou pouco, e o dever policial foi mais forte. Eles então avançaram para cima do assassino, e deram-lhe voz de prisão.

O homem ensandecido uivou a vista dos homens e avançou em sua direção empunhando um punhal de aparência grotesca. Avisos foram dados, assim como gritos, e balas zuniram pela noite.

O animal acuado estripou dois policias como se suas peles fossem de manteiga antes que os projéteis, como relâmpagos o fizessem vergar para trás e cair de costas no chão.

Os homens então entraram naquele círculo macabro e ouviram os últimos balbucios audíveis da temível criatura e sua risada gorgolejante.

- …ack… em sua morada em R’yleh o morto Cthulhu espera sonhando…e eu seu enviado, irei devorar a parte do homem que cabe a meu mestre, pois assim como em toda a Terra, há o Sol e a Sombra, há também no homem uma parte de meu deus ancestral, e de seus pecados eu sou o portador imor…

Uma bala no peito fez com que o homem parasse seu discurso, mas outras três lhe foram necessárias antes que esse parasse de rir.

E até hoje, daqueles que tiveram o infortúnio de adentrar aquele domínio maldito, há os que dizem terem ouvido o som de passos pesados vindos de dentro daquele labirinto, e o som gorgolejante de uma respiração profunda.

O corpo do homem fora levado para o IML local, mas jamais fora verificado, pois no incêndio que derrubou metade do bairro, o prédio também fora vitimado.

Hoje, somente eu resto dos sobreviventes daquela expedição. Algumas semanas atrás o agente Jenkins fora encontrado pendurado pelo pescoço no lustre de um motel barato.

Este relato, assim como o relato de todas as outras mortes que me foram entregues posteriormente à caçada estarão em minha escrivaninha pessoal, assim como meu testamento.

Barry Allen Richards

Tenente do 3° distrito de New Haven

Sentiu um corpo trombar com o seu enquanto andava desnorteadamente entre o fluxo de pessoas da Rua Baker. Não conseguia encontra nenhum ponto de referência que pudesse lhe localizar ali, naquele caos. A rua estava lotada por todo o tipo de pessoa. Desde turistas em busca das pirâmides, passando pelos vendedores de quinquilharias que a todo o momento queriam vender alguma inutilidade que os estrangeiros achariam linda para poder se exibir diante de seus amigos burgueses, chegando até as dezenas de senhoras que vendem petiscos de todos os tipos, instaladas no meio das calçadas ou em uma das centenas de tendas que havia pela rua. O mercado árabe. Literalmente uma Babilônia aglomerada em uma única rua.

Estava desnorteada, procurando um local onde pudesse entrar para pensar por alguns segundos. Mas não sabia o que fazer. Tinha certeza de tê-lo visto, ali, a alguns metros dela, a observando atentamente, os olhos verdes em chamas. A paixão cega.

Havia saído de seu país por sua causa. Por causa da carta. Sabia o que acontecia com quem a recebesse. O triste fim que as aguardava, um fim sem nenhum tipo de pressa. Um encontro marcado. Ele era um Devorador, como ele mesmo dissera a ela em algumas das sessões. Lembrava-se das palavras, da expressão em seu rosto. Da paixão. E de como tudo aquilo ficava ecoando em sua cabeça a cada momento.

Lembrava-se de como aquela expressão serena de homem austero se transformou rapidamente em um rosto animalesco, disforme, brutal, e de como quase não escapou com vida do consultório naquela tarde.

Mas porque ela?

Não havia nada que pudesse tê-la feito entrar em sua lista, ou seja lá o que for que ele tinha em sua cabeça. Distúrbio de personalidade, lembrou ela. Foi o que disse aos médicos após o período de avaliação. Lembrou-se de ter apelado para que tomassem cuidados, para que não o mantivessem junto de outras pessoas, para que lhe tratassem como deveria ser tratado. Um homem doente.

Riram da cara dela, os policiais e seus colegas. Era apenas mais um marginal. Mais um dos milhares que havia espalhados pelas ruas, um dos desafortunados. Ela sabia que não estava errada, nunca. Não ela. Eles estavam errados, quem eram aqueles que ousavam discordar de seu laudo. Ela que era reconhecida em tantos lugares. Logo ela.

Olhou por cima do ombro e notou o chapéu, em meio à multidão, no espaço entre uma pessoa e outra, e correu, esbarrando nas pessoas, derrubando quem estivesse em seu caminho. Caiu para dentro de uma tenda, onde um homem conversava com uma jovem garota. Notou o olhar enfurecido do homem e tentou uma desculpa qualquer na língua nativa, enquanto se esgueirava por debaixo do pano que compunha os fundos da tenda.

Olhou a frente e notou as escadarias de um hotel barato e imediatamente correu para seu interior. Sentia-se um pouco tonta agora. A adrenalina corria por seu corpo. Suas mãos tremiam, sua boca estava seca, seus pensamentos velozes.

Subiu rapidamente pelas escadas de madeira, ouvindo o barulho de seus sapatos ecoando por todo o local. Tirou-os e segurou-os com as mãos. Corria ainda, mas tendo o cuidado de fazer menos barulho possível.

Terceiro andar.

Ela se escorou no corrimão para descansar por alguns segundos. Sua cabeça rodava vertiginosamente e sua visão estava um pouco turva. Não tinha almoçado e provavelmente sua pressão estava baixa. Precisava respirar.

Porque ela? Talvez por ter recusado ajudá-lo em sua caçada? Ou por ter dado seu endereço ao FBI?

Ouviu o som de sapatos subindo calmamente as escadarias. Olhou para baixo, para tentar ver alguma coisa, mas devido à luz escassa e bruxuleante somente notou o volume negro que subia as escadas. Mas sentia que era ele. Só podia ser ele. Desde o começo das sessões ela tinha a estranha sensação de ter sido escolhida por ele. Ela dentre todos. Mas não era difícil notar-se porque era ela…

Correu mais uma vez, em direção a janela aberta que dava diretamente para o prédio ao lado. Dava graças a deus pelos arquitetos de terceiro mundo fazerem prédios tão próximos. Soltou os sapatos e saltou para a varanda próxima.

Sentiu a vertigem atingi-la em cheio enquanto ainda estava no ar entre os dois prédios. Sentiu suas mãos falharem ao segurar o corrimão da varanda e seus olhos escurecerem no momento em que sua cabeça atingiu o chão já dentro do prédio ao lado.

Sentiu o liquido quente escorrendo-lhe pelos cabelos e viu a mancha carmesim que estava espalhada pelas lajotas brancas do banheiro.

Abriu a porta e estava agora em um corredor. Uma residência parcamente mobiliada. Apenas o necessário, pensou ela, ou apenas o que se conseguiu obter naquele fim de mundo.

Andou devagar enquanto andava pelo corredor. Seguindo em direção à escada que levava para o andar de baixo, prestando atenção para qualquer ruído.

Teria ele a incluído na lista por ela ser rica? Queria ele seu dinheiro? Não. Esse tipo de louco não está atrás disso. Lembrou-se de como ele falou certa vez sobre como ela tinha obtido suas posses e de como deveria sentir orgulho de tudo que havia conquistado com os anos de estudos e serviços prestados, os prêmios e o reconhecimento dentro do mercado.

De certo, em sua cabeça, ele pensava que ela não merecia esse tipo de coisa, esse tipo de vida. Deveria ter em algum lugar escondido em sua mente algum tipo de comunista revolucionário ao extremo.

Seus joelhos tocaram o chão, ela sentiu mais uma vez as mãos falharem. Estava fraca, deveria ser por causa da exaustão e da falta de sustento. Ouviu um barulho vindo do andar de cima e então acordou.

Tentou se apoiar em um criado mudo que estava próximo, mas só conseguiu fazer com que ele virasse junto dela quando caiu no chão. O barulho deve tê-lo alertado, pensou ela. E então cambaleando ela se dirigiu para uma porta próxima. Podia ouvir seus passos descendo as escadas, em segundos estaria aqui. Tinha algo prendendo a porta. Ouviu do outro lado alguém falando alguma coisa, mas não conseguia entender. Gritou por socorro. Ele agora deveria estar nos últimos degraus, já podia senti-lo olhando para ela. E foi então que viu um clarão.

Notou os pedaços de madeira que subiam acima de sua cabeça. Os buracos feitos na porta, os olhos aterrorizados da mulher do outro lado. E os olhos furiosos do homem com uma espingarda.

Ele deu mais um tiro. E ele caiu no chão a algum metros da porta.

Ele devia ter fugido pensou ela, quando ouviu o grito da mulher. Deve ter sido isso. Mas agora ela estava protegida, ele não podia mais pegá-la. Não. Agora tudo ia ficar bem.

Tudo ia ficar bem.

The first time is the most difficult.

Every time is the most difficult.

Sin is small black larvae,
squirming among the vegetables,
maybe in the mashed potatoes.
perhaps among the green beans.

It is slimy, dark and fast.

It is sightless, but still searching,
even at the end, for a host.

It can be trapped with a fork,
captured with a spoon.
It should never be sliced with a knife.

Sin has no taste.
The sin you eat for others,
for those recently deceased,
it has no taste.
It does, however, have texture and movement.

After you have eaten,
do not think upon what you have done;
Don’t fear being alone.

Remember no one is without sin,
no one, not even you.

Sua cabeça doía, os olhos ardiam. Não sabia onde estava, nunca estivera ali antes. Uma espécie de construção, velha e acabada. Um apartamento quase completamente demolido. A sujeira se acumulava em um canto da sala. Por todas as paredes havia pichações. O assoalho estava em frangalhos, como um velho esqueleto que deixa ver o que há por trás. Assim ele via o andar de baixo. E alguém lá observando-o.

Tentou se levantar. Não conseguiu. Sentiu o peso de uma corrente prendendo seu pé a um antigo aquecedor de ar.

- Ei, você aí. Me dá uma forcinha aqui, amigo? Eu não sei o que tá acontecendo.

Nenhuma resposta. Notou apenas o som de um isqueiro ao acender um cigarro, e a subseqüente fumaça que saía da boca do homem no andar de baixo.

- Ei, espertão, você é surdo ou o que? Me dá uma força, porra!!

Tentou puxar a perna com força, e sentiu uma dor terrível. Junto à corrente, também havia uma espécie de coroa de espinhos, e se ele puxasse, ela iria cravar as garras de metal em sua perna.

Vasculhou os bolsos em busca do celular. Nada. Seu canivete. Também não.

- Como você se sente, David? – Perguntou o homem em meio à escuridão – Sente-se confortável ou esse tipo de ambiente não é o seu habitat natural?

- Como é? Seu monte de merda, o que você quer de mim, han? Dinheiro, é? Pois eu te digo, eu não vou te dar nada. Você que se dane.

- Se eu quisesse dinheiro, eu já o teria nesse momento. Mas me diga, você tem ido a muitos funerais nos últimos dias? Talvez alguns dos seus amiguinhos tenham morrido em acidentes. Talvez carros que ficaram sem freio, bocas de fogão que ficaram abertas?

Ele não tinha palavras. O que era tudo aquilo? Com aquele homem poderia saber dessas coisas?

- O quê…?

- Ora, vamos. Não cagueje. Você não faz isso quando esta falando com garotinhas de quinze anos, não é?

Notou que o homem agora deveria estar subindo as escadas e se dirigindo ao aposento. Ouvia o som de suas botas nos degraus, cada vez mais perto. Ouviu o ranger da porta ao se abrir, e a silhueta enorme do homem ao assomar-se pela sala. Ele trazia agora uma lamparina, que colocou no chão. E ele viu então, a seus pés uma serra de metal. Frágil, mas próxima. E a mais alguns passos, um telefone celular jogado no chão.

O homem se agachou a sua frente e ficou encarando-o durante alguns segundos, para depois apagar o cigarro no assoalho.

Instintivamente, David assumira uma posição quase que fetal no canto da sala. Não sabia o que falar.

- Sem palavras? Mas você é um homem tão articulado, ou será que não? Você me parecia tão versátil ao me mandar aqueles e-mails sedutores han? Entretanto, eu acho que não posso culpar você e sua geração, não é? Vocês todos são assim. Pessoas de teoria. Pensamentos e não ações.

- Mas, me diga. Porque você não fez nada para impedir que eu matasse todos os seus amigos? Será que as pistas que eu te dei não foram suficientes? Nem a polícia você avisou. Por quê? Diga-me, vamos, eu quero saber.

- Ah claro, porque a morte deles lhe servia, afinal, se eles morressem quem ficaria com suas partes da empresa seria você e não os familiares, não é? Mas isso não é um tanto cruel, han? Deixá-los serem mortos feito cães quando você poderia ter feito alguma coisa? Você não passa de um animal. Um monstro.

- Foi por isso que você deixou sua irmã morrer também? Ou foi porque era muito difícil tentar salva-la? Você sabe muito bem que não foi a bebida que te fez ficar parado. Você poderia muito bem ter nadado para ajudá-la, salvá-la. Mas, mais uma vez você preferiu ficar parado e não fazer nada. O medo lhe paralisou dessa vez, foi isso?

- E quanto ao livro que você estava escrevendo? Sabe, eu li um pouco e achei muito bom. Você teria futuro nisso. Mas, porque você não continuou, porque você recusou a ajuda para a publicação? Mais uma oportunidade perdida? Essa a sua resposta?

- Para cada uma das minhas perguntas, para cada um dos seus erros, você sempre vai ter uma desculpa parecida, não é? Sempre uma bengala.

Ele olhava atônito para o homem a sua frente. Sua boca estava seca e suas mãos tremiam. Em sua perna, os cravos começavam a apertar. Sentiu uma pequena tontura acometê-lo e logo sentia subir por sua garganta um jorro de vômito, que sujou todo o chão a sua frente. Começou a chorar.

- Por favor, não me mate, cara. Por favor. Eu tenho mulher e filhos. Não faz isso. Eu juro que vai ser diferente… eu… – o homem a sua frente o olhava com atenção e paciência. Sentou-se no chão, como um velho amigo.

- Ah, Linda. É o nome de sua esposa, não é? E seu filho também é um belo garoto. Ela está numa festa agora, não é? Para o lançamento de algum produto. Festa na qual você também deveria estar. Nós vamos fazer o seguinte. Hoje, eu vou te dar mais uma chance. Uma chance de mudar. Você já viu Mad Max?

- O que? Seu lunático, o que isso tem a ver?

- Hum, parece que não, afinal. Um bom filme. Você está vendo essa serra a sua frente. Pois bem. Você tem vinte minutos para aprender a usá-la. E é bom que aprenda, pois ao término desse tempo esse prédio será implodido. Está vendo?

Olhou então a sua volta, para onde apontava agora a luz da lamparina. Viu algumas bananas de dinamite empilhadas em um canto e um fio que levava para o andar de baixo, onde devia haver mais.

- E quanto ao telefone, bem. É para você ligar para a sua garota, avisar a ela que um louco psicopata está indo atrás dela para matá-la e que ela deve correr o mais rápido possível para casa para pegar o seu filho e fugir da cidade, caso contrario, este mesmo louco vai fazer uma pequena chacina com os dois.

- Seu monte de merda, que você acha que é para fazer esse tipo de coisa? Seu doente lunático. A mamãe não te deu o peito pra você mamar, foi isso? Ou seu pai te molestava, cara? É por isso que você faz isso com pessoas de bem?

Ele notou um sorriso nos lábio do homem, que sacou uma arma. Uma Mauser 9 mm. E deu dois tiros em sua mão direita. Seus olhos reviraram e ele sentiu que iria desmaiar, mas não conseguiu. Em seguida sentiu um chute em seu rosto. O homem o segurava pelos cabelos. E falava perto de seu rosto.

- Má escolha de palavras, garotão. Agora, a dificuldade acaba de aumentar.

Observou o homem rapidamente sair pela porta e ouviu um baque surdo quando este a trancou com alguma coisa. Sua mão doía e sangrava muito. Tentou alcançar a serra, mas tremia tanto e estava tão machucado que não conseguiu se mover da primeira vez. Sua cabeça começava a doer. A tontura voltou com tudo. Mais uma vez, ele vomitou no chão a seus pés.

Alcançou por fim a serra e de imediato começou a tentar serrar a corrente que o prendia ao aquecedor. Mas, com apenas uma mão, o serviço se tornava impraticável. Após alguns minutos, ele desistiu. Tentou gritar para ver se alguém o ouvia, mas não obteve nenhuma resposta. Nenhuma alma viva para lha socorrer.

O tempo passava e ele não tinha forças, nem coragem para fazer o que sabia que era necessário fazer pela vida de sua esposa e filho. Sentia-se envergonhado.

Ouviu então um barulho vindo do outro canto da sala. Um rádio. Ouviu a voz de seu captor, entrecortada pelo som da interferência.

- Já se passaram quase dez minutos, e pelo que eu vejo você ainda não a avisou. Eu acho, então, que vou ter que tomar uns drinques com ela? E quem sabe, talvez eu a leve até minha casa. Você não se importa, não é? Afinal, estão separados. Qual foi a desculpa dessa vez? Isso antes de ir até a sua e matar sua cria.

Então, novamente o silêncio. E de imediato ele então começou a fazer o que tinha que fazer. Tirou a camiseta, enrolou e pôs na boca. E em seguida sentiu a lâmina fria penetrando em sua carne. Sentiu o sangue quente jorrando por sua perna. E guardou um urro de dor pra si mesmo. Seus olhos quase se fechavam de dor agora, mas ele continuava. Sabia que iria morrer de uma forma ou de outra, mas não queria que o mesmo acontecesse aos que amava. Não dessa vez.

Durante mais que dez minutos, ele serrou a própria carne para poder se libertar das correntes que o prendiam. Então notou novamente o silencio ser quebrado.

- Nada ainda? Hunpf, achei que talvez a iminente eliminação de sua família, iria fazer com que você tomasse vergonha na cara e… – Não ouviu as outras palavras, havia terminado de serrar enquanto o monstro falava e agora, em fúria, se dirigiu até o rádio.

- Seu monte de merda, não se aproxime dela – Foi então até o telefone e começou a discar o numero de sua ex-mulher, numero que há meses não era discado por ele.

- Esse barulho é o de você discando os números do celular dela? – David notou uma risada abafada do outro lado. Ficou estático, enquanto ouvia o resto da mensagem dizendo que o telefone não possuía créditos para finalizar a ligação. Seus olhos cheios de lágrimas começavam a perder a batalha para o sono eterno, vindo da perda de sangue. Ele caiu no chão devido à fraqueza. O sangue escorria pelo chão, saindo de sua mão e de seu pé, recém amputado.

- Seu… verme, miserável. Você… – Não teve forças para continuar, a dor era tão grande agora. As risadas do outro lado aumentaram.

- Diga adeus, David.

Enquanto em um lado da cidade um homem era vencido pelo sono eterno e seu corpo era enterrado sobre toneladas de concreto, em outra parte uma jovem moça era drogada e arrastada para o ninho de um animal ensandecido…

 

Egito 1990

As areias quentes do deserto queimam os pés cansados, e vento quente machuca a pele queimada pelo sol à pico no céu. À frente o homem em farrapos nota uma caravana de beduínos parada próximo a um poço em uma cidadela a muito abandonada. Quando o notam eles o olham com caras de espanto, como se sua presença fosse um insulto, e logo o brilho das lâminas aparece sobre p céu azul…

Nova York 20 de dezembro de 1999

Assunto: Kaiphas, o mercador.

O homem acorda de seus devaneios, assustado com o som de um cargueiro próximo, um grito alto e grave. Ele olha para o painel do carro, são 10h30 da noite. No rádio toca Led em alguma rádio de sucessos do passado. Seus olhos se fixam no pára-brisa, já semi coberto pela neve que cai serena sobre. Fica observando enquanto os flocos de neve descem lentamente do céu negro, pousando no capô do carro.

Ele olha para o banco ao seu lado. Em cima da poltrona revestida finamente de couro, um objeto que destoa da elegância do resto. Uma pistola Desert Eagle prateada. Embora muito eficaz, ela também é muito grande, e difícil de manusear.

Ele se lembra de Benitto lhe dizendo para trazer a arma, pois as coisas poderiam ficar feias. Ele não gosta desse tipo de negócio, de se arriscar. Mas o comprador pediu especificamente a sua presença nessa noite. Um novo cliente. Pelas informações que receberam, ele parece ser um barão do tráfico colombiano, aliado das F.A.R.C.

Ele ouve então o som de pneus sobre o cascalho que encobre o chão do cais do porto onde se encontra. A neblina espessa faz com que ele force a visão para notar os faróis que agora se aproximam.

Uma caminhonete negra.

O motorista para o carro, e o desliga. Em seguida abre a porta, e calmamente sai andando até a frente, pondo sobre o capô uma maleta escura. No interior da maleta, Kaiphas consegue ver seu pagamento, 5 milhões de dólares. Muito dinheiro. Exatamente por isso que ele não queria estar aqui neste momento, lidando com algum subordinado de um barão do tráfico.

Ele pega a arma, e a põe no bolso esquerdo do impermeável de couro que veste. Pega as chaves do carro, e então desembarca. Sente a tensão no ar. O homem do outro lado, também.

Kaiphas então põe as chaves do carro no capô.

O homem fala com um marcado sotaque africano, para a surpresa de Kaiphas.

- Meu senhor agradece a sua presença, e espera que você aprecie bastante o seu pagamento, e espera que você ainda esteja disponível no futuro para novos negócios.

- Claro que estarei disponível. Seu senhor sabe como me encontrar, então, assim que ele tiver mais alguma exigência ele sabe o que fazer.

O homem sorri e começa a caminhar na direção de Kaiphas, que imita o mesmo movimento. Os dois cruzam brevemente olhares enquanto caminham para efetuar a troca de veículos.

Os olhos do homem estão levemente dilatados, talvez devido ao uso abusivo de drogas, mas a sensação que aquele homem passa o deixou preocupado.

Ao chegar ao capô da caminhonete Kaiphas observa o servo do traficante, que de imediato vai até o porta-malas para verificar a mercadoria.

Ele não fica ali para ver a conclusão da análise, apenas pega a maleta com o dinheiro, entra na caminhonete e se dirige para o escritório de Bennito.

….

 

Ele conduz o carro calmamente saindo da área portuária de NY. A neve continua a cair só que agora um pouco mais forte. Ele observa as estruturas ao seu redor quando para o carro em uma sinaleira. O bairro parece ter sido vítima da recessão que acometeu a cidade na década de 80, pois as casas embora grandes, são agora como que esqueletos que ainda não perderam a carne totalmente. A ruína está por todo o lugar. Pelas esquinas se espalham viciados, traficantes, gangues… o tipo de cliente que em potencial que ele gosta, mas hoje não, hoje ele apensa necessita falar com o italiano para que acertem os próximos passos de sua organização.

Ele é pego de surpresa por uma batida no vidro. Instintivamente ele põe a mão no bolso do casaco. Mas a solta ao notar uma velha mendiga a falar algo do lado de fora do carro. Dinheiro, como todos os outros ela quer. O vidro então é desce, a mulher se aproxima do carro, infestando-o com o cheiro de cinzas de cigarro, misturados com o de lixo e dejetos humanos.

Os olhos dela se fixam nas grandes órbitas negras do egípcio. Ela engasga antes que consiga falar algo. Põe a mão sobre o pescoço, tentando afrouxar o aperto de algum ser invisível. Seus olhos não mais vidrados agora contêm apenas horror, pânico e medo. Suas mãos desesperadamente tentam buscar ajuda em Kaiphas, mas não encontram nenhuma.

Ele apenas sobe o vidro mais uma vez, antes mesmo de notar que o corpo ao lado do seu carro já parou de se debater.

Ele vê então o carrinho de compras que servia de carrocinha de lixo da mendiga, parado na frente do carro. Ele engata a marcha ré, e começa a recuar. È quando nota um ruído, vindo debaixo do capô, algo que não estava ali antes, ele teria notado. Seus músculos se retesam, ele tenta alcançar a maleta que está no banco do carona ao mesmo tempo em que abre a porta. Seus movimentos são felinos, ele agarra a maleta, que se abre deixando um rastro de notas de cem dólares conforme a rapidez sobre humana de Kaiphas o tenta afastar do veículo.

Então ele ouve antes de ver. O som do gatilho metálico, que desencadeia uma reação explosiva. Seus olhos se fecham conforme a explosão o lança em direção ao meio da rua, as chamas lambendo seu corpo, e os destroços voando para todos os lados. A última vê, é o corpo deformado da mendiga caída no chão, e então, apenas a escuridão do asfalto.

Seu corpo cai no chão com um baque surdo. O dinheiro cai como a neve sobre o corpo do egípcio, lenta e suavemente, cobrindo-o…

O Assassino da Meia-Noite.

Meu nome é Jonas Smith, e eu sou um assassino.

Sim, como eu disse, eu sou um assassino, mas uma vez eu já tive família, tive filhos. A vida não parece ser justa com todo mundo, nem todos tem o direito de serem felizes. Minha teoria é a seguinte: Quando Deus criou a terra, ele deu aos seus filhos a dádiva de ser feliz. Só que como em tudo, deve sempre haver certo equilíbrio, então, para que algumas pessoas fossem felizes, outras deveriam ser miseráveis. Justiça divina eu chamo isso. Minha justiça.

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Hoje é sexta-feira, uma maldita sexta feira, a chuva cai torrencialmente em New York, tive de vedar as minhas janelas, pois neste imundo quarto, nem da chuva eu estou protegido, a cidade que nunca dorme dizem os turistas, uma bela cidade, uma cidade fedorenta, cheia de pessoas que preferem te dar um chute, ao estender a mão para ajudar a lhe levantar, aqui sim é a selva, e o cheiro, oh o cheiro, digno de uma província inglesa do sec. XVII. A chuva trás do fundo dos bueiros aquele cheiro de esgoto, aquele cheiro acido, misturado a algo mais, algo indefinível. È verdade que a cidade não dorme, mas o pior não é a cidade que não dorme, mas sim, o que acorda ao entardecer, o que se levanta quando as sombras se deitam.

Eu sou Alex Sanders, e eu sou um vampiro.

Bem, se é assim mesmo que eu posso me chamar, não é nada tão glamoroso como o livro de “Bran Stoker”, mas ao menos eu posso comer alho. È um mundo mais difícil do que o comum, não há amigos, não há segurança, não há amor, a única coisa que há neste mundo, é desconfiança, a traição e o horror visto a cada noite nos olhos das vitimas. Eu não tive muito tempo para aprender nada sobre este mundo, meu senhor me abandonou, um viciado que deve ter tido uma crise, me atacou quando eu perambulava pelo Bronx, e me “secou”, quando deu por si, deve ter ficado apavorado, e me trouxe então para este pesadelo. Eu acordei horas após, havia corpos de duas mulheres ao meu lado, seus rostos desfigurados, eu estava coberto pelo o sangue de ambas. Foi então que começou o meu pesadelo. Eu sou um pária, um caitiff, um sem clã, destinado a não pertencer a lugar nenhum neste mundo. Mas eu me viro.

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Sexta feira 6 de junho de 1999, Manhattan

A chuva cai pela cidade, o vapor dos bueiros, e passagens de ar sobe alto pelas ruas lotadas de “gado”, o prédio parece velho, um espinho remanescente dos anos setenta, construído com tijolos à vista, deve ter sido belo em sua época, mas nada dura neste mundo, agora jas coberto por pôsteres de bandas, e pichações, como um cobertor, ou uma bandagem, para proteger este velho prédio de cair morto por sobre o enxame de carros e pessoas que passam.

O “velho”, esta do outro lado da rua, parado ao lado de uma cabine telefônica, usa um impermeável de couro marrom que perece já ter enfrentado muitas batalhas, assim como seu usuário. Ele usa também um chapéu de abas largas que esconde seus cabelos grisalhos e a face marcada pelo tempo e pela experiência. Escondem também seus olhos, azuis, como os de um Clint Eastwood em seu auge. Ele observa o apartamento no segundo andar, um moquifo, um esconderijo, uma casa. Levou muito tempo para que decidisse fazê-lo. Ele é um caçador, um assassino, cauteloso, frio, mas assim como o prédio a sua frente, sue tempo já passou, ele se apóia também agora, para que não caia em meio a esta multidão.

Ele já foi o assassino da meia noite, o algoz dos não mortos, é considerado um anátema pelos membros, alguém que se visto deve ser morto, porque se você não o matar, ele com toda certeza irá fazê-lo.

Estima-se que Ele já tenha matado cerca de cem membros, só na América do norte, gente importante, ele não distingue seitas ou clãs, idade ou sexo, para ele, o serviço que faz, é em nome de Deus, ele extermina as crianças de Lúcifer. Mas ao que parece, hoje, ele veio encontrar sua família mais uma vez. Uma ultima vez.

O velho tosse, um lenço cobre sua boca, o velho observa a cor âmbar do sangue que agora jas no pedaço de seda, ele não tem muito tempo. Ele então toma uma decisão, começa vagarosamente e decididamente a andar em direção ao outro lado da rua, e em direção ao velho prédio. Os carros passam zunindo por todos os lados, o homem sabe o que tem de fazer, assim como sempre soube antes, só que desta vez a tarefa vai ser um pouco diferente, ele veio dizer adeus.

O Velho porteiro se assusta com o som da porta de vidro se abrindo, poucas pessoas vêm a este prédio a estas horas, e geralmente os que vêm procuram algum tipo de negócio obscuro, por isso ele observa o senhor que entra pela porta. O homem se move como se estivesse prestes a cair morto ali mesmo. “Em que posso ajudar?”- pergunta o porteiro, o homem o fita por alguns segundos, então por fim responde, ”Eu procuro por uma pessoa, Alex Sanders, você o conhece?”.

Enquanto sobe pelas escadas o velho lembra-se de como era seu filho antes de tudo, uma criança, normal como todas as outras, curiosa como todas as outras. Muito tempo se passou desde o dia em que se separaram, o filho havia por duas vezes tentado contatar o pai, mas sem sucesso, o Sr. Smith, não admitia que o seu filho houvesse se tornado um deles, um da raça que ele jurou um dia exterminar. Mas o tempo é o melhor juiz, e hoje, Jonas Smith, bate a porte de Alex Sanders Smith.

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A noite chegou já faz duas horas, a letargia inicial que acomete todos os membros já havia a muito passado, agora o jovem assistia o noticiário sem prestar nenhuma atenção, pensando nos próximos passos da noite, provavelmente iria ir para o Succubus encontrar seus companheiros, e depois iriam “beber” todos juntos, ou iriam simplesmente vagar pela cidade e pelos clubes.

A campainha toca despertando seus sentidos, ele sabe que ninguém vem ao seu refugio, seus colegas não o fazem, cautelosamente ele vai à busca de sua arma, escondida embaixo do travesseiro. Pronto. Ele então se dirige a porta devagar. Ele já ouviu falar de alguns membros violentos que simplesmente invadem os refúgios, destroem quem estiver dentro, matam todos no prédio, para por fim botar ele abaixo.

- Quem é?

-Alex? Sou eu Alex, seu… han…pai.

Durante a noite toda os dois conversaram, o Sr Smith se desculpou por não te atendido ao filho durante todo este tempo, para ele era muito difícil aceitar que seu único filho havia se tornado aquela criatura, mas a aproximação da morte o fez ver que necessitava do filho, assim como todos, no fim há a necessidade de não deixar nada pra trás de que possamos nos arrepender.

A conversa começou tímida entre os dois, mas passada a vergonha inicial, os dois tinham muito a dizer um para o outro.

O filho contou o que acontece na cidade à noite, o que realmente era aquela cidade, contou sobre os companheiros que o aceitaram mesmo ele sendo um caitiff, contou sobre as noites quem que a única coisa que consegue fazer é ficar deitado esperando para ver se a morte vai vir na forma de um membro do sabá, um lobo, um caçador, contou sobre o medo constante, sobre o horror e sobre o sangue que já derramou.

O velho Sr. Smith pegou o filho pelas mãos, olhou nos olhos dele e lhe disse que no fim, tudo vai ficar bem, não importa quem ele seja, disse-lhe que queria ter estado ali antes, para que o filho não tivesse de passar por tudo aquilo sozinho. Contou-lhe sobre suas viagens pelo país, sobre todos os tipos que já havia encontrado, e por todos os lugares que já havia passado. Após anos, pai e filho novamente se viam.

- meu filho, eu espero que você um dia possa me perdoar, por tudo que eu já fiz, por ter renegado você todo este tempo. Eu vivi todos estes anos uma vida solitária, eu cacei todas essas coisas noite após noite, cidade após cidade, e nenhuma recompensa me foi trazida até os braços, sua mãe não foi trazida de volta vida, nem tampouco sua irmã, naquela noite em que elas morreram, eu estava bêbado, como sempre, talvez por isso que eu não consegui fazer nada, eles me procuraram porque eu era da policia naquela época, e havia matado um do grupo deles algumas noites antes, também foi por isso que me fizeram assistir enquanto estupravam e matavam as duas, sua mãe e sua irmã, eram a minha vida, assim como você, no dia em que elas morreram também eu morri, meu coração se tornou negro como a noite que acoberta estes malditos, e eu jurei caçá-los até o fim dos meus dias, todos os que eu encontrei tiveram uma morte terrível em minhas mãos, nada sobrou deles a não ser as cinzas, o meu ódio alimentou meu coração e me manteve por todos esses anos. Cada nome da cada vampiro que eu matei esta estampado em meu corpo, para me lembrar de cada noite que eu passei acordado, para exterminar aqueles que tiram as vidas das pessoas que eu amo. Então você se tornou um deles, e mais uma vez meu coração foi tomado pela angustia, e então eu matei mais e, mais, mas agora eu estou aqui, com você meu filho, as portas da morte já se abrem pra min., e eu perdi tanto tempo atrás dessas coisas, obcecado por matá-las, que eu perdi a oportunidade de criá-lo, de vê-lo crescer, por mais uma vez eu falhei, se eu estivesse aqui…

As lagrimas tomam o rosto do velho homem, mais do que nunca o sofrimento fica estampado em seu rosto, os olhos falham, assim como suas palavras

-Eu… eu sinto muito meu filho, eu espero que você possa me perdoar, e que Deus também o faça.

O velho estremece, começa a tossir, a mão cobre a sua boca, como a água do rio que passa pelas pedras, o sangue também encontra o seu caminho através dos dedos do velho, as gotas caem no chão, pintando de carmim o assoalho de madeira escura.

O jovem observa o velho lentamente perder o brilho nos olhos, os olhos que um dia foram ternos e calorosos agora só exibem angustia e pesar. Porque tem de ser assim ele pensa, porque não podíamos ser apenas uma família normal, jantar juntos, brigar por besteiras, porque o mundo tinha de ser tão imundo ao ponto de um filho perder o pai desta maneira. Súbito o jovem tem uma idéia, ele tem o poder de trazer o pai de volta a vida, e os dois então podem recomeçar longe daquele lugar imundo, em algum lugar tranqüilo, recuperar o tempo perdido, ser feliz mais uma vez, como antes.

Ele já ouviu falar de como se cria um membro, mas na prática parece ser muito mais difícil, ele se aproxima da jugular de seu velho pai, crava as presas em seu pescoço, o vitae jorra ainda quente para dentro de seu esôfago, ele sabe que não tem muito tempo para terminar o processo. Após tomar todo o sangue ele então morde seu próprio braço, e deixa o vitae escorrer para a boca de seu pai, por alguns segundos tudo fica em silêncio, pois ele sabe que deve deixar o pai beber até ficar consciente, se não o fizer a besta tomará conta do velho, assim como tomou conta dele quando foi criado.

Ele agora pode ver um futuro à frente, a família reunida finalmente, após todos estes anos, se apenas ele tivesse o poder de trazer de volta sua mão e irmã. Mas seu pai não se mexe, nem um centímetro, apesar de ter feito tudo de acordo com o que lhe foi ensinado o velho não se move, ele se debruça para ver se nota alguma mudança, é então que é pego de surpresa, a estaca atravessa o seu coração, a dor é lancinante, seus olhos não acreditam no que vê, o velho Sr. Smith se levanta, um sorriso no rosto, os olhos azuis mais uma vez com o fogo da vingança divina renovada. Ele observa Alex com uma expressão de desprezo. Onde antes havi amor, agora há apenas indiferença, ódio. O caçador começa a andar para longe do montro. Tempo não é mais um problema…

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Enquanto caminha para o outro lado da rua, ele observa enquanto as chamas começam a subir pelo segundo andar, observa quando a multidão nota as chamas e entra em pânico, quando os residentes fogem do local agora coberto por um cobertor de fogo, vê quando os primeiros caminhões de bombeiros chegam ao local, e começam a lutar contra o fogo, ele permanece no local durante mais algumas horas, pois sabe como essas criaturas são resistentes. Então calmamente Jonas Smith, “O Assassino Da Meia-Noite”, caminha em direção ao centro da cidade.

Nas semanas que se seguiram sua agenda estava cheia.

Livre reinterpretação do conto, “O Assassino da Meia-noite”.

“A loucura ou insânia é uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados “anormais” pela sociedade. Em algumas visões sobre loucura, não quer dizer que a pessoa está doente da mente, mas pode simplesmente ser uma maneira diferente de ser julgado pela sociedade…”

Segundo a wiki, essa é a definição da loucura, bem mais ou menos. Mas para mim loucura é rasgar nota de cem reais, é assistir o BBB e o Faustão, é gastar 300 pila num tênis, é comer pizza de alho e óleo…

Mas bem, a verdade é que não estou aqui para falar disso. Mas sim sobre algo muito doido… no bom sentido.

Creio que grande parte das pessoas conheça o pessoal do Adult Swin. Pois bem, depois de nos presentearem com pérolas da TV, como Harvey, o Advogado, Laboratório Submarino, Frango Robô, e Aqua Team, Esquadrão Força Total (meu preferido), agora eles também tem os jogos mais sem noção, e com o melhor do humor negro, que só eles conseguiriam imbuir a algo do gênero.

Viva Calígula

Você interpreta o rei Calígula, e munido de até 26 armas, o seu objetivo é somente um: Exterminar com toda a população da cidade. O legal do jogo, é que, se você tiver um microfone, e começar a gritar ensandecido a cada golpe que dá, uma barra do lado esquerdo começa a se encher, e quando chega ao limite, faz com que você mate com um só golpe, e faça muita, mas muita sujeira na tela.


5 Minutes to kill yourself

Esse jogo também é bem simples, mas muito divertido. Como o nome já diz você tem 5 minutos para se matar. O detalhe é que você é um empregado de um grande escritório, então você pode usar todo tipo de equipamento disponível no local em seu auxílio, como por exemplo, grampear o corpo, enfiar a cara no triturador de papéis, pôr alumínio no micro-ondas, fazendo com que ele exploda… Simplesmente genial.


Bible Fights

Que Ryu e Ken que nada, a moda de hoje em dia é fazer com que Moises arremesse túmulos, que Noé lance peixes do céu, isso sim é Hype…

Esse é um dos mais divertidos jogos de luta que eu já vi. Simplesmente você escolhe um personagem bíblico e cai na porrada com todo mundo, para enfrentar no final, Lúcifer e depois o cara lá de cima.

Os personagens disponíveis são: Jesus, Moises, Noé, Eva, Maria e Lúcifer.

Após vencer no jogo, você destrava o criador. E han, tome cuidado com Maria, ela é durona.


Todos os jogos são muito bem feitos, especialmente o Bible Fight, onde a movimentação e os personagens impressionam.

Enfim, se você quer um pouco de diversão não convencional, humor negro e risadas, é só jogar.

Vai, clica aqui, e confere esses e outros jogos disponiveis.

20 de dezembro de 1999

20h32 min.

 

O vento cortante das ruas, e o frio dilacerante não interferem com a concentração da caçadora. Como um grande felino que espera ofuscado pela grama, ela aguarda ao lado da janela. Faz cinco minutos que ela subiu os degraus da escada de incêndio, que mesmo coberta de neve, não ofereceu nenhum obstáculo aos membros treinados da garota.

Não há fumaça de respiração, não há medo… a garota aguarda para verificar se o local oferece algum risco adicional.

Pela janela semi coberta de neve, ele enxerga o seu alvo. Victor Povich, um ex-pugilista, pedófilo e chauvinista, que após a morte da irmã e do cunhado, ficou com a guarda de sua filha, Anna. A garota jaz no chão, desacordada ao lado da cadeira onde Povich dorme tranquilamente, após ter abusado da garota e se embebedado.

O apartamento parece saído de um filme de terror adolescente. As paredes negras pela gordura da cozinha próxima, e o papel de parede caindo dão essa conotação ao ambiente. Parece que ninguém arruma o, local faz muito tempo, pois por todos os cantos empilham-se roupas e eletrodomésticos.

A frente de Povich a televisão mostra a retrospectiva do ano. Com os chavões clássicos e musicas já manjadas. O volume está alto, talvez por isso ninguém tenha ouvido quando a garota sorrateiramente abriu a janela, e pôs os pés dentro do apartamento.

Se alguém a visse agora, pensaria estar sendo atacada por alguma mulher saída de algum filme de ninjas. A garota usa um traje ninja, negro, com muitos bolsos para guardar as ferramentas que acha necessárias a missão. E seu rosto é protegido por uma máscara, que deixa a vista apenas os olhos. Azuis. Belos e mortais.

Ela observa por alguns instantes em busca de algum movimento suspeito… nada. Ela então se move até a criança e checa o seu pulso. Viva, mas de alguma forma em sono profundo, provavelmente sedada. Ela pega Anna no colo, e anda até o banheiro próximo, a põe deitada dentro do Box do chuveiro, e sai trancando a porta.

Ouve então um barulho vindo da sala. Imediatamente ela avança, e encontra Povich de pé, tentando se equilibrar. O olhar do homem é de ódio, em sua mão uma garrafa firmemente segura.

- O quê você tá fazendo em minha casa, sua vadi…

Suas palavras são interrompidas quando o vulto negro assoma sobre ele. A garota ágil desfere vários golpes pelo corpo todo do homem, que cambaleia e solta à garrafa. Povich se apóia no sofá e avança sobre a garota, com os punhos serrados, e desfere alguns golpes, facilmente desviados, por uma agilidade quase felina. Seus olhos saltam quando sente uma dor lancinante no estomago, e nota o brilho carmim que desce por seu corpo.

A garrafa.

Ele observa o vidro verde ser tomado pelo sangue que sai de sua barriga. Ele tenta arrancar a garrafa que está cravada em seu estomago, mas ela fora empurrada com muita força para dentro. Uma força sobre humana. Seus olhos com o ultimo brilho de vida parecem perguntar como isso foi possível. Povich, campeão mundial dos pesos pesados, em nome da mãe Rússia, derrotado de forma rápida e mortal, por alguém que não parece ter saído da adolescência ainda.

Seu corpo cai no chão. A garota se ajoelha ao seu lado. Observando o sangue que começa a sujar o carpete. Parece que há uma luta dentro da mente da garota. Para ver o quão terrível vão ser seus próximos passos. Ela então se levanta. Por trás da mascara há um sorriso em seu rosto. Ela mais uma vez vai fazer justiça. Justiça contra aqueles que por meios normais não conseguem ser pegos. Justiça contra os que não têm mais volta, que já se perderam em meio a sua monstruosidade. Ela sabe que também é um monstro, mas somente alguém assim poderia fazer o seu trabalho. Um trabalho sem glórias ou louros. Apenas mais sangue nas mãos no fim do dia.

De um dos bolsos da calça, ela tira uma faca de caça. Observa a lamina que brilha, refletindo seu rosto coberto. Em seguida ela tira a roupa, pois sabe que o que vem a seguir é um trabalho sujo e demorado. Ela então se ajoelha e começa a serrar o corpo ainda semi-vivo de Povich, o Urso Russo…