Cão, verme, blasfemador, adultero?

Fui chamado de todas essas coisa por vós, homens de boa fé, cristãos, quadrados provincianos e de mente pequena. Fui chamado assim, insultado por vossa inteligência e raciocínio falho.

E porque?

Por ter entrado furtivamente em seus quartos quando vocês saiam e ter satisfeito suas mulheres por toda a vida em apenas uma noite? Por tê-las feito gemer meu nome a seus ouvidos enquanto tentavam esquecer que eram vós em seus braços e não eu? Por ter acariciado cada seio, cada curva, como se nada mais importasse no mundo? Por tê-las feito tremer ao meu toque? Por ter exaurido suas forças? Por ter as tornado também adulteras sobre minhas mãos e falo?

Por isso?

Se é assim, de bom grado eu entrego minha cabeça a vós homens de boa índole. Pois sei eu qual nome será lembrado nas noites frias deste inferno branco que chamam de cidade, e minha alma se conforta no calor das pernas e no ardor dos lábios de suas senhoras para sempre em minha lembrança.

Uma vida inteira eu as amei em uma noite. Vocês podem dizer o mesmo?

- Você tinha que fazer isso? Eu te amei desde o dia em que te vi, e eu te disse isso seu canalha!!!

-Eu fui tudo o que um cara espera de uma garota, fui sua amiga, sua companheira, sua amante, mas mesmo assim você tinha que fazê-lo.O que mais você queria de mim? O que eu fiz de errado?

-Eu não acredito. Todo esse tempo, eu devia saber. A sua mãe bem que me avisou. Sua mãe, sua própria mãe tentou me avisar e isso devia significar alguma coisa, mas não, eu preferi acreditar que ambos estivéssemos começando do zero depois de tudo o que fizemos. Eu estava, e achei que você estava. Mas você é um mentiroso, sempre foi um bom mentiroso, so que eu achei que comigo ia ser diferente…

- Eu fui sua, só sua em todo esse tempo. Mas depois de tudo, tudo, de todo o esforço eu descubro o quanto você não era somente meu, mas de todo o resto do planeta. Três anos sendo enganada por você, achando que você era tudo aquilo que eu achava que para mim não existia. Eu que não acreditava em nada, acabei acreditando na única pessoa em quem não se podia confiar.

-Seu filho da pu#@. Eu te amo seu miserável e você me retribui assim? Seu monte de merda, eu devia ter te traído até por debaixo da língua. Por que é isso que pessoas que nem você merecem não é mesmo? Eu não te dei o direito de me machucar seu filho da mãe!!!!

- Você não vai falar nada seu cretino?

- …amor, olha me descul…

- CALA A BOCA E ENTRA NO BURACO!!!!!

Ele se entrou, eu peguei a pá.

 

Por que trair?

Segundo a psicoterapeuta Olga Inês Tessari, são vários os fatores que levam à traição: questões culturais, carências, insatisfação em relação a desejos e expectativas com o(a) parceiro(a), vingança, a busca pelo novo, o estímulo provocado pela sensação de perigo ou mesmo de poder. “A idéia de posse existe em quase todas as relações estáveis e as cobranças de fidelidade são normais e aceitas pela sociedade.”

 

Meu pai dizia que uma mulher para trair necessitava de um motivo, e um homem apenas de uma chance.

Bom, eu tava vendo um filme ontem, na qual o personagem principal é um jogador (não jogador literalmente, mas sim um sedutor). Então, ele vai lá, agarra incautas, elas se apaixonam por ele e tudo mais, mas ele invariavelmente acaba as traindo cedo ou tarde.

Ele vai atrás de garotas quase como um hobby, sabe. Mesmo que não fique expresso no filme isso, é o que perece. Quase como um comportamento compulsivo.

E nós homens somos assim mesmo, compulsivos.

Em um relacionamento infeliz, nós homens traímos por estarmos insatisfeitos com alguma coisa. Vamos lá e devoramos uma transeunte para nos sentirmos felizes, mas no fim do dia voltamos ainda para aquele relacionamento, que é como um barco furado onde tem um homenzinho com uma balde: a gente sabe que vai afundar, mas não sabe quanto tempo o homenzinho agüenta.

Ao invés de terminarmos um relacionamento, nós continuamos a trair, quase como uma forma desesperada de tentar remendar o nosso relacionamento, nos divertindo com outras garotas. Pergunte-me se isso faz sentido. Claro que não. Mas eu não disse que deveria fazer.

Nesse sentido as mulheres diferem de nós, pois elas terminariam um relacionamento que não está dando certo. Nós tentamos nos agarrar a ele, talvez por termos nos acostumado com a parceira. Nós ficamos neste relacionamento até o trágico fim.

Um comportamento bem covarde, diga-se de passagem.

Mas também em um relacionamento saudável, nós homens ainda temos o potencial para trair. E os motivos são ainda muitos. Seja porque vimos aquela garota de mini-saia dando mole, porque você não agüenta manter o ritmo, ou simplesmente porque não topou a proposta de trazer aquela sua amiga morena do 12º…

Enquanto que as mulheres são seres de sentimentos (bem, a maioria delas, porque tem sim garotas que são parecidas com os homens nesse sentido de traição), que pensam com o coração e tal. Nós homens somos seres de instinto, que pensam com seu… instinto, ora.

Muitas vezes traímos mesmo por tesão, por auto-afirmação, por simplesmente termos uma oportunidade…

Não é que o homem não respeite sua mulher ou coisa do tipo, às vezes ele gosta muito dela, mas sente vontade de comer em outro restaurante vez que outra.

Pegue o exemplo do famoso ator Hugh Grant (Letra e Musica), ele namorava Liz Hurley (Endiabrado), atriz inglesa de muito sucesso e de muitas “qualidades”. Mas um dia quando estava em NY, ele pagou uma prostituta para fazer um servicinho para ele . Tá que ele foi pego no flagra, a Hurley acabou com ele, mas isso demonstra que homens sempre têm o potencial para esse tipo de ação.

Não estou dizendo que trair é certo ou errado, é apenas uma análise dos fatos. Embora eu mesmo já tenha traído.

Eu tinha uma namorada e gostava bastante dela, mas em uma bela noite de inverno, me atacou uma guria e eu fui lá compulsivamente e fiz o que tinha de ser feito.

O grande problema de ser como o personagem do filme é que, em dado momento, ele se apaixona por uma das garotas, ele abre sua guarda. Mas ela descobre que ele a traiu com outra e termina tudo com ele. Isso acontece na vida real, muito mais que nos filmes.

No filme, ele termina sozinho, amargurado, apenas com a lembrança do que ele fez. Não é uma boa perspectiva ver que isso pode acontecer com você. Mas pergunte a qualquer homem, se vendo essa experiência, ele mudaria algo na sua forma de agir?

Eu garanto que na maioria das vezes a resposta vai ser “sim”.

Só que, na primeira oportunidade, ele vai voltar ao seu velho hábito.

Old habits die hard…

 

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